Os candidatos à presidência do SL Benfica Cristóvão Carvalho e Martim Mayer defendem que não havia alternativa à demissão de Bruno Lage, na sequência da derrota frente ao Qarabağ FK (2-3) para a Champions League. Em declarações à rádio Observador, Cristóvão Carvalho afirma que “era uma decisão que tinha de ser tomada“, salientando que foram as eleições que “obrigaram Rui Costa” a tomá-la. Já Martim Mayer pediu ao atual presidente “não se comprometer” com a escolha do substituto, numa altura em que José Mourinho tem sido apontado como a escolha de Rui Costa.

Cristóvão Carvalho assinalou que o jogo de terça-feira marca um “fim de ciclo” da era Bruno Lage no Benfica e não se mostra surpreendido com a demissão do técnico, porque reconhece que “as coisas não estavam a correr da melhor maneira” neste início de época. O candidato disse que esta era “uma decisão que tinha de ser tomada”, acreditando que foi a aproximação das eleições que levou o presidente do Benfica a agir. Se não fossem as eleições Rui Costa “provavelmente continuaria amarrado” a Bruno Lage, atirou.

Sobre José Mourinho, que tem sido apontado como próximo técnico benfiquista, Carvalho disse entender que este “não é um treinador consensual” entre os benfiquistas. “Rui Costa devia ponderar bastante melhor e contratar um treinador de âmbito europeu”, acrescenta. Se a decisão fosse sua, o alvo já estaria escolhido: o antigo treinador alemão do Liverpool,  Jürgen Klopp, que garante ser o técnico que os adeptos querem.

“Efetivamente não havia outra coisa que pudesse acontecer”, disse Martim Mayer. “Muito embora deva ser percebido pelos sócios que o tema vai muito para lá do treinador do Benfica. Nós estamos perante uma situação onde temos problemas estruturais graves que têm que ser resolvidos. E portanto, trocar o treinador não irá resolver de maneira nenhuma esses problemas”, explicou.

O mesmo candidato diz ainda que, com o aproximar das eleições, Rui Costa deve fazer “o que entende ser o melhor” para o clube, mas avisa que deverá decidir com “certeza e responsabilidade”. “Estamos efetivamente a 30 dias das eleições e portanto não se pode comprometer”, afirmou Mayer.

“Eu tenho que acreditar que ele não está a ser eleitoralista, porque efetivamente é insuficiente o rendimento que a equipa está a ter”, insistiu Martim Mayer na rádio Observador. “Particularmente no jogo de ontem [terça-feira], não podemos de maneira nenhuma contra uma equipa muito inferior a nós, deixar virar o resultado desta maneira. Portanto, eu diria que, enfim, não havia nada a fazer”, afirma.

Quanto à eventual contratação de José Mourinho para o lugar de Bruno Lage, o candidato prefere não se pronunciar: “Isso será uma decisão do presidente atual do Benfica, Rui Costa.” Martim Mayer diz que respeitará a escolha de Rui Costa para novo treinador da equipa, mas avisa que os problemas dentro de campo não se resolverão tão facilmente. “O tema é mais profundo, por isso é que eu falo de trazer um diretor-geral comigo, alguém que ataque este tema e a identidade do futebol do Benfica de uma forma muito mais profunda e por isso é que é necessário outra estrutura a trabalhar.”