Estava tudo a correr mal até tudo correr bem. Há uma semana, em Itália, o Sporting estava a perder com a Roma num jogo difícil que ia deixando evidentes as diferenças de qualidade individual e coletiva entre as duas equipas. De repente, nos descontos, Carolina Santiago e Telma Encarnação deram a volta ao texto — e as leoas ficaram em vantagem na terceira pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões.

Uma vantagem que tinha de ser confirmada esta quinta-feira. Em Rio Maior, na segunda mão e numa casa emprestada devido às obras no Estádio Aurélio Pereira de Alcochete, o Sporting estava a 90 minutos de chegar pela primeira vez à fase final da Liga dos Campeões: as leoas falharam a qualificação em 2017, 2018 e também 2024 e tinham uma enorme oportunidade de se juntarem ao Benfica na fase de liga da principal competição feminina. Para isso, porém, era preciso não perder com a Roma. E Micael Sequeira mantinha os argumentos que já tinha sublinhado no primeiro encontro.

A magia acontece quando ninguém deixa de acreditar: Sporting vence Roma com dois golos nos descontos

“É uma boa vantagem, não há como negar. Mas não é decisiva e vai ser extremamente difícil de manter. Temos de ter a noção de que estamos no intervalo da eliminatória e não podemos esquecer que a Roma, principalmente na primeira parte, foi fortíssima. Acabámos com uma certa felicidade e estamos por cima, mas não podemos relaxar um segundo. Os problemas vão existir, porque a Roma é muito forte, muito agressiva e veloz. Agora, as nossas jogadores têm de estar centradas na solução e não se podem deixar afetar por um segundo. Se formos iguais a nós próprios isso vai fazer a diferença”, explicou o treinador leonino.

Assim, em Rio Maior, Micael Sequeira fazia quatro alterações face ao onze da semana passada e lançava Telma Encarnação, Carolina Santiago e Carla Armengol no ataque, com Brenda Pérez e Florencia Bonsegundo a surgirem no meio-campo e Ana Capeta e Cláudia Neto a começarem no banco. Já Luca Rossettini, vindo de eliminar Aktobe e Sparta Praga na ronda anterior, fazia duas mexidas mas mantinha a dupla formada por Alayah Pilgrim e Rinsola Babajide no setor ofensivo.

Como era de esperar, a Roma procurou assumir o jogo logo a partir do apito inicial e encostar o Sporting à própria grande área. As italianas tinham o natural ascendente, assumindo a larga maioria da posse de bola e atuando sempre muito perto da baliza de Catarina Potra, enquanto que as leoas apostavam essencialmente na transição rápida e na exploração que era deixado livre nas costas da defesa contrária.

Annalena Rieke teve a primeira grande oportunidade do jogo, com um remate de fora de área que acertou em cheio na trave da baliza de Catarina Potra (19′), mas a verdade é que a Roma também não conseguia propriamente traduzir a superioridade em muitas ocasiões de perigo. Di Guglielmo ainda rematou ao lado (38′), Carolina Santiago respondeu do outro lado com um pontapé que passou ligeiramente por cima (39′) e Emilie Haavi falhou o alvo por pouco ao atirar já na área (45+2′).

Já nos descontos, porém e num lance de muita infelicidade, Haavi cruzou na esquerda e Ashley Barron desviou para a própria baliza (45+5′), oferecendo a vantagem às italianas. Ao intervalo, a Roma estava a vencer o Sporting em Rio Maior e a eliminatória estava totalmente empatada. Nenhum dos treinadores fez alterações no início da segunda parte e a lógica repetiu-se, com as italianas a asfixiarem as portuguesas com uma pressão muito alta.

Micael Sequeira mexeu pela primeira vez ainda antes da hora de jogo e lançou Cláudia Neto, Ana Capeta e Madison Haugen de uma vez, e Luca Rossettini respondeu pouco depois com Valentina Bergamaschi, que tinha sido titular na primeira mão, e a Roma acabou mesmo por aumentar a vantagem. Transição rápida conduzida por Alayah Pilgrim, com Bergamaschi, acabada de entrar, a atirar cruzado e rasteiro para bater Catarina Potra (62′).

O treinador leonino procurou reagir com a entrada de Jeneva Gray e o Sporting esboçou uma leve resposta, com mais posse de bola e presença no meio-campo contrário, ainda que as oportunidades continuassem a pertencer exclusivamente às italianas. Catarina Potra evitou o terceiro golo com uma enorme intervenção após remate de Manuela Giugliano (69′) e Ana Capeta teve de sair por problemas físicos, sendo substituída por Maísa Correia.

Até ao fim, na verdade, já pouco aconteceu. A Roma venceu o Sporting em Rio Maior e deu a volta à eliminatória, garantindo a presença na fase de liga da Liga dos Campeões e afastando as leoas da principal competição europeia. A equipa de Micael Sequeira vai agora disputar a segunda ronda da Taça Europa, a nova competição feminina que é uma espécie de homóloga da Liga Europa, onde já está o Sp. Braga.