Primeiro João Noronha Lopes e João Diogo Manteigas, depois João Noronha Lopes e João Diogo Manteigas, por fim apenas João Diogo Manteigas. Luís Filipe Vieira, antigo presidente do Benfica e um dos seis nomes que estão na corrida ao sufrágio do próximo dia 25 de outubro, teceu duras críticas a alguns dos adversários a propósito do que se passou nas Assembleias Gerais das águias este sábado, no Pavilhão da Luz, dizendo que Martim Mayer e Cristóvão Carvalho tinham a mesma visão em relação aos “culpados” do que aconteceu e chegando mesmo a comparar o advogado com um antigo líder do Sporting, Bruno de Carvalho. Já esta noite, na Liga de Ouro da CMTV, Manteigas voltou a falar sobre a reunião magna e respondeu ao “ataque”.

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“Durante o dia de hoje fui sendo informado que os outros candidatos à presidência do Benfica decidiram entrar numa onda de mediatismo e envolveram o meu nome no meio, o que até agradeço ou então não estaria aqui, mas todo o mediatismo à volta do Benfica fez esquecer que um árbitro empurrou um jogador do Marítimo em Alcochete contra o Sporting B, que o Sporting passeou na Amoreira e que o presidente do FC Porto atirou-se ao presidente da Liga. Os meus consócios candidatos não entendem que estamos aqui para defender o Benfica. Primeiro está o Benfica, coisa que os outros candidatos não percebem”, referiu.

“Não lidero movimentos no Benfica. Sou sócio há 41 anos do Benfica, vou há muito tempo a Assembleias Gerais. Vi que hoje por exemplo, começando pelo candidato Martim Lima Mayer, disse também o mesmo. Tive o gosto e a lisura de acompanhá-lo à Assembleia porque tinha medo que ele se enganasse na porta, sou simpático. Em relação a Luís Filipe Vieira, quero recordar que na penúltima vez em que foi a uma Assembleia Geral do Benfica foi em 2019 e apertou o pescoço a um sócio e agora aconteceu o que aconteceu. Quanto a João Noronha Lopes, queria dizer que está 50% certo e 50% errado ou trocou-se no que quis dizer. Ontem na Assembleia de manhã, João Noronha Lopes veio-me cumprimentar e desejar sorte para a campanha, o que agradeci e retorqui. Passado pouco tempo, sentei-me perto dele. Um grupo de sócios abordou-me e percebeu que Luís Filipe Vieira ia falar”, começou por explicar João Diogo Manteigas.

“Estávamos do lado direito e um grupo de sócios abordou-me, uma pessoa em concreto, e disse que muita gente vai abandonar o Pavilhão quando Vieira fosse falar. Eu respondi ‘Ok, o que tenho a ver com isso?’ e ele respondeu-me que os candidatos que representam uma mudança no Benfica, nós que seríamos eu, Noronha Lopes, eventualmente Martim Mayer e Cristóvão Carvalho, teríamos a sensibilidade para fazer o mesmo. Eu disse para falarem com os outros, eles disseram que não dizendo ‘Noronha Lopes abandonou-nos em 2020, abandonou-nos em 2021 e não queremos falar com ele’. Disse que não tomava decisões dessas sozinho e disse que ia falar com eles. Expliquei que tinha sido abordado, que havia um grupo de pessoas prontas para sair. Quando falei com o Martim, ele disse que não. Noronha Lopes também disse que não ia sair, eu passei a mensagem. Foi isto e só isto que aconteceu”, contou o advogado sobre o episódio.

“Quando Vieira vai falar, mais de dois terços da sala saiu, não fui eu que organizei nada. Eu vou a todas as Assembleias Gerais, há mais de um ano que disse que era candidato, em todas as Assembleias as pessoas vêm falar comigo. Tive anos na BTV, tive aqui convosco [CMTV], as pessoas conhecem-me. Vieira? Não estou aqui para falar sobre o passado. Vieira foi deposto pelo Ministério Público, Rui Costa vai ser deposto pelos sócios em outubro. Falo sobre o presente, isto, e sobre o futuro. Junção com João Noronha Lopes? Somos tão equidistantes um do outro… Não tenho responsabilidade sobre o que aconteceu. Depois, só tenho de estar agradecido aos outros por dizerem isso porque a nossa candidatura representa o puro associativismo. Os outros candidatos veem os sócios a virem falar comigo… As Assembleias do Benfica são espaço de pura vivacidade. Não posso ser responsabilizado pelos atos das outras pessoas. Não lamento, da mesma forma como as pessoas têm o direito a falar ou a ouvir também têm a sair…” apontou o candidato.

“Não ouvi insultos, eu ouvi gritarem o hino do Benfica lá atrás entre os dois terços da sala que saíram. Eu não ouvi insultos…”, disse, antes de ser interrompido por Rodolfo Reis, antigo capitão do FC Porto que é hoje comentador da CMTV, que referiu ter ouvido insultos e comparando o que se passou com a Assembleia Geral dos encarnados com o que houve no Dragão Arena. “Quando se dá esta situação, os candidatos ficaram e dois terços saíram. Estávamos em pé, a falar uns com os outros e foi o Noronha Lopes que falou comigo para irmos ter com o Martim e para falarmos com José Pereira da Costa, presidente da Mesa, para Luís Filipe Vieira falar. Quando vamos é que se origina ali uma situação. Estava aí no meio. Isso não dignifica o Benfica mas quando estava ali não houve agressões. Não se pode confundir isto com o FC Porto, apontou Manteigas.

“Eu disse que não lamento apenas a parte de aqueles sócios se levantarem para não ouvirem uma pessoa [Luís Filipe Vieira] falar, isso eu não lamento porque é um direito. Não estou a dizer que concordo com as interrupções das Assembleias e obviamente que as imagens não dignificam o Benfica. Podem por exemplo organizar debates, para Rui Costa entrar mudo e sair mudo. Não pode ser por ter sido abordado por sócios que se dizem estas coisas. Quem é que provocou isto? Foram os candidatos, que estavam tranquilos a ouvir? Não façam depois do que aconteceu que o Benfica é um clube em ebulição. Vieira está a ser falado quase como se fosse uma vítima mas ele falou, à tarde falou, e depois foi-se embora”, comentou o advogado.

“A nossa candidatura é uma rutura total com o passado. Estou cá há muito tempo. A nossa candidatura começou sem as pessoas perceberem porquê. Tenho pessoas a dizer que não fazia sentido termos lançado a nossa candidatura no ano passado. Diziam que era muito cedo. Tivemos que provar às pessoas que não estávamos cá pendentes de resultados desportivos, isto é importante no futebol e nas modalidades. Tivemos um ano sem atacar a Direção. Defendemos o Benfica quando a Direção não defendeu, na final da Taça, jogos pelo meio, questões institucionais relativamente à Liga e à Federação, questões dos direitos audiovisuais. A questão é exatamente esta. Estou aqui hoje para repor a verdade dos factos mas falar também convosco sobre projetos e futebol, que é o que interessa”, concluiu João Diogo Manteigas.