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Começa agora mais uma comissão de inquérito das manhãs 360. Hoje, o nosso convidado Bruno Batista, chairman do grupo de comunicação GCI, foi também candidato a vice-presidente do Benfica por Luís Filipe Vieira. Bom dia, bem-vindo, Bruno.

Bem-vindo.

Obrigada por ter aceitado o nosso desafio, o nosso convite.

Espero que seja um desafio também.

É um desafio também?

Será, certamente.

Obrigado eu, porque é um gosto estar aqui. Sou um ouvinte assíduo.

Já nos estava a dizer em off. Hoje já foi visado nos momentos de glória.

Abriu logo os momentos de glória. Ainda vamos falar disso.

Parabéns pelo vosso projeto, porque acho que trouxeram uma lufada de ar fresco ao jornalismo e concretamente à rádio, com este conteúdo, com boa disposição e leveza.

Mas não penso que isso lhe traz pontos.

Estava a tentar. É uma tentativa, vamos ver.

Portanto, o Bruno Batista já sabe como funciona: cinco perguntas, por cada resposta certa, cinco pontos. Se pedir a nossa ajuda e acertar, dois pontos.

Estou preparado.

O Bruno, como eu disse, viveu por dentro as últimas eleições do Benfica como candidato a vice-presidente e também como diretor de campanha do Luís Filipe Vieira. Por isso, deve lembrar-se bem desta data, apesar de nos ter dito em off que era mau com datas. Em que eleições, em que ano, Vieira conseguiu a maior percentagem de votos? Se calhar, está bem presente por causa da última campanha, não sei, estará?

Como eu vos disse, sou péssimo com datas, mas eu terá sido nas de 2019, ou então nas de 2017, antes. Também não, péssimo.

Dá lá aí mais uma.

Ou foram 60 e qualquer coisa por cento, ou 60 e muitos na sua maior vitória.

Eu fui ao site do Benfica, portanto, isto está no site do Benfica. Eu espero que esteja certo.

Deve estar, com certeza.

Porque houve eleições em que Luís Filipe Vieira praticamente não tinha oposição.

Então vamos lá. 2004, 2006 ou 2016?

Então, por essa lógica, poderão ter sido as de 2004, logo as primeiras, onde deve ter sido mais unânime. Errei.

Segundo o site do Benfica, em 2004 teve 91,9. Em 2006, que era esta a data, 95,6%. E em 2016, 95,5.

São números tão grandes que é difícil encontrar onde foi mais certo. Foi avassalador nessa década.

Exatamente. Na segunda volta, o Bruno votou em Rui Costa. Como especialista de comunicação, o Benfica está a falhar na forma como fala para os sócios, deixando o clube refém das redes sociais, dos comentadores de televisão, ou o silêncio da direção é a única estratégia possível quando as coisas não estão a correr bem nos relvados?

O silêncio nunca é uma estratégia possível, porque eu acho que temos que enfrentar e temos que explicar cada vez mais. Aliás, vocês têm aqui um explicador onde fazíamos esse escrutínio e as redes sociais são muitas vezes cruéis. Falaram aqui dos comentadores televisivos, nos quais eu também me encaixo a essa luva de quem normalmente e infelizmente nos últimos tempos tem sido crítico. Não há oposição, como tens chamado, não há oposição dentro de um clube de futebol, porque todos temos o mesmo objetivo. Todos queremos é que o Benfica volte a ganhar. Agora, infelizmente, essa receita não tem funcionado nos últimos tempos.

Continuamos à espera das palavras do Rui Costa.

Mas eu até entendo este silêncio. Ele precipitou-se a dizer que iria falar na semana passada, mas é uma precipitação de quem está a viver um momento de tensão, porque o silêncio é necessário quando Rui Costa não tem mensagem neste momento. Portanto, é preciso perceber, e infelizmente não dominamos a narrativa em relação a Mourinho, e é preciso perceber o que é que vai acontecer. E Rui Costa também disse que ia explicar a época. Eu acho que os benfiquistas não querem tantas explicações sobre a época. Nós vivemo-la, sabemos o que falhou. Aquilo que nós precisamos, e esta é a figura dos líderes, e neste momento o Benfica tem um líder, chama-se Rui Costa, aquilo que precisamos é que nos volte a fazer acreditar que conseguimos dar a volta e que temos um projeto, e eu acho que este é o ponto, muito menos do que treinador, é o projeto com que nos apresentamos para os próximos tempos.

Mas o Rui Costa já tem muitos anos de Benfica.

São 18, acho que não erro.

Muito provavelmente, primeiro como diretor desportivo, agora como presidente. É justificável que ao fim destes anos todos a estratégia de comunicação continue a ser esta, de não dar explicações, por exemplo, em relação a esta novela com José Mourinho, de parecer que está refém das decisões do Real Madrid e do próprio treinador?

Eu não quero transformar isto num roast ao Rui Costa. Até porque o fato de ter sido concorrente nas últimas eleições não me faz neste momento ter mais credibilidade para dizer nada sobre o presidente do Benfica. O que eu acho é que é uma questão de estilo, e isso é que é difícil mudar. Rui Costa, que tem inúmeras qualidades desportivas, todos vimos o jogador que foi, neste momento está a ter dificuldades para trazer isso para a gestão desportiva e para a liderança. E na verdade, ele próprio também tem um low profile, nunca foi, mesmo como jogador, nunca foi muito comunicativo nas emoções. Só que este negócio, o negócio do futebol, e é sobre isto que temos que falar, porque efetivamente os sócios, nós somos os maiores acionistas da SAD. A SAD ainda é detida pelo clube. E nós, sócios, o dividendo que queremos é em títulos. Nós não queremos receber dinheiro pelo Benfica, queremos receber festejos, queremos saltar, queremos emoção. E este negócio das emoções é muito difícil de gerir. Mas a comunicação é fundamental até para aquilo que eu dizia antes, para que nos expliquem o projeto e conseguir aliviar a pressão, que eu acho que é isso que tem falhado a Rui Costa, é a pressão dos assobios e dos sócios e dos comentadores e de toda a gente, por falta de uma comunicação mais clara e que nos explique um projeto.

Porque esse silêncio também tem posto uma pressão adicional sobre os treinadores que têm passado pelo clube.

Sim, vai para o sexto treinador em cinco anos. Nada disto é bom. O futebol não é uma ciência exata, ainda que eu acredite no método que tem que dar resultados a médio prazo. E nós temos décadas muito recentes, e aqui vou usar os números, onde ganhamos seis campeonatos em 10.

Então vamos falar precisamente sobre esse registro. Indo aqui a uma recordação que também foi falada esta semana, de um momento que não correu muito bem ao Benfica, mas que depois deu início a um período, talvez o período de maior domínio do clube nas últimas décadas. Em que minuto do jogo Porto-Benfica, de 2013, Kelvin marcou o gol que deu a vitória aos dragões?

Antes de responder a esta-

Isso é um balde água fria. Querias falar do balde água fria, não é?

Vou dizer que eu acho que mereço aqui uma bonificação, porque é a segunda vez que me citam no Momento de Glória só este mês.

Então, não nos lembramos da primeira.

A primeira foi sobre o vírus, porque eu disse que o Benfica tinha sido contaminado por um vírusQue contaminava o plantel e os treinadores.

Ah, fui eu. Pois é, é verdade.

É sempre tu, Bruno.

Sou sempre eu.

Infelizmente, esse vírus está a contaminar e a minha analogia com o vírus era sobre o problema, é sistemático, é sistêmico dentro do Benfica e tem a ver com o método. Esse gol foi ao minuto 92. E eu apaguei da memória e esta semana, enfim, vocês citaram-me hoje, porque esse é um annus horribilis para o Benfica, porque além de termos perdido ao minuto 92 com o gol do Kelvin, que ajoelhou Jesus.

E todos os benfiquistas.

O Jorge. E é o momento de glória do Museu do Futebol Clube do Porto e, portanto, eu fiz por apagar, porque além dessa derrota, nós perdemos a final da Liga Europa com o Sevilha e ainda perdemos a Taça de Portugal para o Guimarães.

Nesse ano foi com o Chelsea.

Com o Chelsea, então foi três anos. Por acaso eu achava que tinha sido os penáltis com o Sevilha e depois a seguir então com o Chelsea.

Foram duas derrotas consecutivas, mas na verdade, esse momento, esse gol do Kelvin e a conquista depois do campeonato pelo Porto, marca início de um período de domínio do Benfica, em que Luís Filipe Vieira, contra a opinião de muitos benfiquistas e até benfiquistas que estavam na direção, decide manter Jorge Jesus. Luís Filipe Vieira foi o grande obreiro desse período de domínio do Benfica.

Eu acho que Luís Filipe Vieira tem o mérito de ter conseguido trazer método ao Benfica e ter conseguido profissionalizar, ter conseguido trazer a marca Benfica para o valor que ela tinha em Portugal. Conseguiu também expandi-la um bocadinho lá para fora, especialmente no José Paulo Lopes, mas conseguiu, acima de tudo, profissionalizar uma estrutura que deu resultados. E é aqui que eu digo que ainda que o futebol seja pouco científico, existe um método que tem que dar frutos. E ganhar um campeonato nacional depende muito mais do que ter os melhores jogadores. E aliás, temos exemplos disso. O Paris Saint-Germain, que comprou os melhores com muitos milhões durante muitos anos, dominou no seu país, mas um campeonato com pouca competitividade, mas para chegar à final da Champions e vencê-la como queria, teve que perceber que era preciso uma equipe, na qual até temos quatro portugueses e muitos que vieram até do Benfica, com muita mágoa consigo, pelo menos por aqueles valores.

Deixe-me só dizer que tem toda a razão, foi a final contra o Sevilha, do ano anterior, 2012, é que foi contra o Chelsea.

Não tenho a razão, quero os cinco pontos.

Já são seus.

Esta pergunta. E para dizer que esse método foi criado. E eu acho que é neste momento, a discussão não deve ser sobre quem é o próximo nome para treinar o Benfica.

Mas já comentou sobre isso também. Acha que deve ser Sérgio Conceição?

Eu disse que perguntaram sobre Sérgio Conceição, e Sérgio Conceição é um treinador que merece elogios por aquilo que já ganhou e pelo método, pela forma e pelo perfil que tem. Eu acho que a discussão não é sobre um nome. Apesar de, e assumo isto, acho que Sérgio Conceição fazia falta neste momento ao Benfica, ou um treinador com o perfil de Sérgio Conceição, e a minha expressão até foi porque é preciso dar um murro na mesa, porque é preciso liderança.

Murros na mesa, acho que era capaz de dar.

Fazem falta. E sim, o Sérgio tinha capacidade para isso. Mas a minha visão tem a ver com o perfil do treinador. Eu acho que é preciso olhar para o Benfica, aplicar uma estratégia, ter um planeamento a pelo menos três anos, com estabilidade de treinador e com projeto que para mim, e desmistificando isto sobre um projeto esportivo, porque parece um daqueles sound bites fáceis de vender na rádio para conseguir click baits, o projeto esportivo do Benfica, o que eu defendo, é olhar para o Seixal. Aquela formação tem nove campeões do mundo sub 17, a maioria a jogar na equipe B, sete eram titulares da nossa seleção, campeã do mundo e campeã da Europa. E a verdade é que apostar na formação, e o Benfica tem que conseguir a esmolidade que já teve, para que os miúdos de oito anos queiram todos vestir a camisola da formação do Benfica, porque é que lhe garante uma carreira e lhe garante o sonho de ser treinador de futebol. E nós apostando no Seixal, com uma estratégia de trazer experiência e conseguir contratar para as posições em que não resolvemos internamente a melhor solução, mas isso vai nos permitir voltar a ter jogadores com ADN, voltar a ter ídolos, voltar a ter marcas que depois são fundamentais para cativar novos sócios, mas também para a sustentabilidade econômica do clube. Foi assim que o Vieira, e não querendo fazer disto um elogio excessivo ao ex-presidente do Benfica, meu amigo, mas a verdade é que foi dessa forma que o Benfica se reergueu, apostando na formação, apostando no Seixal. Foi dessa forma que conseguimos seis em 10 títulos na década de 10 a 20, igualando a melhor de sempre do Benfica, e foi assim que conseguimos pagar tudo o que precisávamos para ter as contas em dia, para construir um estádio e para ter um Benfica com a marca forte.

Muito bem.

Vamos em frente, Bruno Batista. Cinco pontos, já são seus. Como se chama o cantor que deu ontem o maior espetáculo do ano na Luz? Estou a brincar. Essa era o próximo.

E antes que vocês façam a piada, eu não perco uma oportunidade de ver o Estádio da Luz em festas com fogo de artifício.

Há quem diga que foi o melhor momento, o melhor espetáculo do ano.

Dos últimos sete. Mas eu aí tenho que dizer uma coisa, porque eu frequento o Estádio da Luz, vivi fora de Lisboa há muitos anos, sou alentejano e, portanto, vim para Lisboa já bastante tarde, mas nos últimos 15 anos tenho lugar, retpasse no Estádio da Luz. E o momento mais emotivo dos 15 anos, vivi o tetra, vivi tudo isso, mas o gol do Turém contra o Real Madrid, que nos deu a passagem aos playoffs, foi talvez o mais emotivo por tudo. Aquilo foi cinematográfico. Parecia tirado do melhor guionista sobre subir o guarda-redes no último minuto. E reparem, não só passamos em frente eliminando o poderosíssimo Real Madrid, como ainda por cima relegamos o Real Madrid para um playoff e não teve o acesso diretoà fase seguinte da Liga dos Campeões. Portanto, Bad Bunny e Turbi estão mais ou menos a vencer.

Não foi para a casita.

Estavam muito perto.

Não o escolheram.

Não, acho que o meu estilo e meu indumentário não levam tanto a isso.

Vamos seguir em frente. Como se chama a famosa série de televisão que retrata o mundo da publicidade nos anos 60, na icônica Madison Avenue, em Nova York?

Essa é oferecida também, porque é uma série que eu gosto bastante, "Mad Men". Estou a jogar em casa.

O Bruno Batista é líder de uma agência de comunicação. Não há más decisões políticas, há apenas má comunicação, concorda?

Não, também há más decisões políticas. Eu costumo dizer que não há boas formas de dar más notícias. Quem lidera e quem toma decisões políticas, muitas vezes tem que tomar decisões impopulares. Vivemo-lo com Passos Coelho, num período muito difícil, de difícil reconhecimento depois, em que conseguiu ser o mais votado, mas não conseguiu formar governo, numa celebri linguice, num momento histórico da política portuguesa. Mas às vezes não há boas formas de dar más notícias. Na comunicação, e eu digo isto a todos os clientes, é verdade que estou muito afastado das operações hoje em dia, gosto mais de fazer outras coisas, mas aquilo que tento dizer é que a clareza e a honestidade é a melhor forma. Obrigado por essas perguntas, porque me estão a falar de política e não só de futebol, até porque eu recordo umas declarações, que eu penso que foram aqui na comissão de inquérito, do doutor Eduardo Barroso, que diz que 40 anos de cirurgião, depois de operar milhares de pessoas.

E falam só do Sporting.

Cada vez que chega a um restaurante, algum empregado diz: "Você é aquele tipo do Sporting".

Foi mesmo, exatamente.

É por isso. E ultimamente, por causa de ser uma voz ativa, não crítica, mas ativa no Benfica, efetivamente tenho sido mais reconhecido pelo Benfica do que outra coisa. Mas dizer que a honestidade tem que fazer parte do cardápio. Não dá para maquiar nada. Podemos encontrar as palavras exatas para tentar transmitir uma forma menos negativa, mas na verdade, as más notícias têm que ser dadas.

Mas não é só uma questão de transmitir más notícias. Alguns ministros, recentemente até, têm sido penalizados por dificuldades na comunicação. Isso hoje é um aspecto essencial na política, ou se calhar desde sempre?

Eu diria que é fundamental. É que as duas principais características de um político, e que eu diria que são também hoje em dia de um líder, porque olhamos para CEOs e todos têm cultivado estes skills, são a capacidade de liderança e de comunicação. E a comunicação não se pode diferenciar da liderança, porque a forma como ganhamos empatia, a forma como cativamos as pessoas, vai da nossa forma de comunicar. Eu dou muitos media trainings, normalmente estou desse lado do microfone a fazer esses trainings, e às vezes pegamos em pessoas onde os skills naturais não estão lá, e eles são muito difíceis de aprender. Eu diria que há aqui uma capacidade muito nata de comunicar, e vocês que são profissionais da rádio sabem que é muito difícil. Podem vos dar dicas sobre a colocação da voz, sobre a cadência, mas eu acho que ninguém consegue todos os dias e durante todo o tempo ser uma personagem. Seriam atores e não seriam comunicadores. E na política é isso, é a capacidade de liderar, é a empatia, é o carisma que se tem ou não se tem, e depois a forma de comunicar.

Já que estamos a falar em política.

E vão 10 pontos.

E vão 10 pontos. Quem foi, Bruno Batista, o cabeça de lista pela AD em Portalegre em 2025? Pode dar uma ajuda. Posso já dizer que foi um ministro, um atual ministro.

Sim, foi o ministro da Economia. Deixa-me lá ver agora.

Até agora está tudo bem.

Deu-me uma branca, o ministro da Economia, do Território.

Da coisa territorial.

Estou com o nome debaixo da língua. Não me vai sair, uma ajuda, que não vai sair.

São três nomes.

Pois é, mas assim que disserem sei logo, porque é o ministro da Economia.

Acho que vamos aceitar. Manuel Castro Alves.

Manuel Castro Alves, exatamente. Sou péssimo para datas e para nomes.

Fica também essa nota. O Bruno foi cabeça de lista por Portalegre pelo CDS em 2022. Defende mais a ideia de fusão do CDS no PSD, como defendeu Diogo Feio, ou acredita na individualidade de cada um dos partidos?

Em primeiro, eu não tenho filiação partidária, nunca tive, apesar de gostar muito de política, de ter, obviamente, ideias políticas, isso está intrínseco a qualquer ser humano, a política está em todos nós. Fui candidato pelo CDS por uma questão de afinidade e de amizade muito forte com Francisco Rodrigues dos Santos, que já aqui esteve com vocês também, e que é dos meus melhores amigos ou das pessoas com quem mais partilho pensamentos e daqueles que mais me inspira até no seu pensamento. Eu acho que o CDS, e o Francisco foi um bocadinho vítima disso, ficou sem espaço político naquela altura. Ele explica, a teoria não é minha, tinha o Chega a evoluir numa direita mais musculada, se lhe quisermos chamar assim, e tinha os liberais, a IL também a crescer bastante, território que sempre esteve dentro, ou historicamente estava dentro do CDS. Aquilo que eu acho é que o CDS tem pouco espaço neste momento.

Continua a ter pouco espaço.

Continua a ter pouco espaço político, até porque estar dentro da AD permitiu-lhe voltar ao Parlamento e voltar a ter uma voz. Ainda assim, eu continuo a achar que o caminho do CDS nos próximos tempos tem que ser dentro da AD e até uma possível fusão, como aconteceu com outros partidos, porque acho que o espaço político, pelo menos naquilo que eu consigo vislumbrar, é muito difícil de voltar a conquistar pelas bandeiras que eram do CDS e que foram perdidas por estes dois partidos.

Portanto, podemos perder aqui um partido fundador da democracia no futuro, podemos ver o CDS a esfumar-se enquanto partido?

Não se perde, porque a história nunca se muda. Aquilo que o CDS fez está lá, é como o preâmbulo da nossa Constituição. Não precisamos de estar sempre a falar do mesmo para que ele se pere, que é um documento histórico, o CDS é um partido histórico, muito respeitado e fundamental na democracia. Se continua a existir só dentro da coligação ou se se funde com o PSD, a CDU é uma coligação que reúne vários partidos que continuam a existir.

O CDS pode ser os Verdes do PSD.

Pode ser.

Muito bem. Bruno Batista, vamos à última pergunta. Esta também é fácil e voltamos às séries. Já acertou numa, nesta também vai acertar. Como se chamou em Portugal a série humorística que tinha como protagonista Archie Bunker?

Acho que aqui também vou precisar de ajuda.

Quando o Bruno disser, vai se lembrar logo.

Pois, talvez.

Então vamos lá. "Quem Sai aos Seus", "Tudo em Família" ou "Uma Família às Direitas"?

"Uma Família às Direitas".

Tá certo. Então, e na família da direita portuguesa, quem é que é o chefe de família? Quem é que manda lá em casa? É André Ventura, Passos Coelho, Luís Montenegro?

Aquele diálogo ontem deles, não sei se alguém meteu um microfone. Vinha a ouvir-me e a ouvir-vos. É um bocadinho hilariante. Parece uma conversa quase de pai pra filho, a dizer: "Tens que melhorar um bocadinho. As pessoas tinham uma maior expectativa, acho que está a faltar alguma coisa." Eu acho que Passos Coelho continua a ser muito respeitado junto da direita, mas Montenegro tem sido um líder forte. Eu acho que tem conseguido, neste segundo governo, estabilizar numa turbulência política, conseguindo acordos à direita e à esquerda, que eu não vejo nada contra. Não me parece necessariamente mau até que tenhamos um governo de centro. Aliás, em Portugal, o nosso centro sempre foi dividido por dois partidos.

A questão é saber se essa estratégia é passível de ser executada ao longo de toda a legislatura, ou seja, de ir negociando à esquerda e à direita.

Eu acho que só cai o dia que um dos dois partidos, ou o Chega, ou o PS, sinta que tem condições pra ir a eleições e pra as vencer.

E ainda não é esse o momento.

Não, eu acho que não. Nós vimos agora as sondagens que dão Carneiro com uma grande vantagem, mas todos sabemos que o eleitor, quando não há momento eleitoral, diz uma coisa e depois quando chega... Aliás, essa vitória até pode ser transpassada pro futebol. Aquilo que aconteceu nas eleições do Benfica, que elegeram há seis meses Rui Costa com a maior maioria de sempre e agora pegamos nas redes sociais e toda mundo se queixa do Rui Costa. Eu não defendo eleições antecipadas, que fique bem claro, no Benfica precisamos de estabilidade. Mas eu acho que na política nacional, o PSD está a conseguir acordos à direita e à esquerda, ou ao centro com o PS e mais à direita com o Chega, que me parecem favoráveis, porque sou um moderado do centro, que fique bem claro. E portanto, acho que o centro em Portugal sempre esteve entre o PS e o PSD, que foram conseguindo governar e conseguindo algumas alianças quando eram necessárias. E eu acho que só vai cair o dia que algum dos dois partidos, PSD e Chega, sentir que pode vencer as eleições, o que estamos muito longe disso. O PS tem um líder que eu não sei se será o candidato a primeiro-ministro. Vamos ver o que é que acontece até as próximas eleições, que faltam três anos. O PS ainda tem que ir a congresso antes disso. E o Chega com André Ventura, que dá uma ideia que tem perdido um bocadinho de gás, fruto do bom desempenho deste governo aos olhos da opinião publicada, aos olhos das pessoas na rua. Quando não se fala todos os dias do governo, é bom sinal. É sinal que as pessoas têm vida a acontecer, que a economia está a desenvolver-se. Sabemos que há crises muito profundas, a crise do imobiliário, que não é portuguesa, mas a inflação que tem sido sentida é avassaladora pra carteira das pessoas, mas é um problema global de difícil resolução. A saúde com os seus altos e baixos. Vem aí um momento difícil pra qualquer ministro da Administração Interna. Espero que Luís Neves consiga, com o skills de comunicação que tem, explicar às pessoas o problema dos incêndios, em que não há nenhum dispositivo que consiga responder a um pico do momento. Mas eu acho que, no geral, este governo tem conseguido levar o dia a dia do país pra frente.

Portanto, Luís Montenegro é o líder da direita neste momento.

Bruno Batista conseguiu 17 pontos. É um bom. É um bom.

17 pontos, que jeitão que davam ao Benfica estes 17 pontos.

Em 30 segundos, quem é que gostava de ver treinar o Benfica?

Essa é uma pergunta com muita rasteira. Eu vou continuar a bater no projeto, na necessidade de explicar aos benfiquistas e aos sócios qual é a filosofia, porque também há filosofia e estética no futebol. É preciso perceber que a identidade de um clube também se nota dentro de campo. E eu acho que isto vem da estrutura, vem do projeto escolhido e do perfil dos jogadores e do treinador. Eu gostava muito que discutíssemos perfis e projeto, até pra poder dizer aos sócios que é médio prazo. Sinto que o médio prazo do Benfica serão dois anos pra ser campeão, porque senão o estádio vem abaixo. Mas se for explicado, ganha-se uma margem pra não haver a pressão das primeiras quatro jornadas que temos sentido nos últimos dois anos e que nos têm feito que não houvesse estabilidade, nem de treinador, nem de equipe técnica, nem de jogadores. E, portanto, eu em relação ao treinador, o próximo será o meu treinador do Benfica.

Que boa resposta. Vê-se logo que você é de comunicação. Se fosse assim, investia nisso, na comunicação. Obrigada, Bruno Batista. Foi um gosto. Muito obrigada.

Muito obrigado.