Demorou, demorou mais um bocado, demorou ainda mais um pouco, está finalmente desfeito o tabu. Depois do anúncio da saída da equipa da Yamaha Pramac no MotoGP para a temporada de 2026, com uma vaga a ser atribuída ao turco Toprak Razgatlioglu e a outra a ficar na posse de Jack Miller (que renovou contrato com a marca), vários cenários começaram a surgir em relação ao futuro de Miguel Oliveira. Havia um plano mais óbvio, que passava pelo Mundial de Superbike, havia outros que continuavam a ser hipótese como ir para outra posição de piloto de testes do MotoGP. Houve várias abordagens e contactos, as propostas mais concretas foram chegando, a escolha está feita: o português ruma à BMW e ao Mundial de Superbike.

“Juntar-me à família BMW no Mundial de Superbike é um passo empolgante na minha carreira, no qual vejo um potencial tremendo. Estou a integrar um projeto que não só é ambicioso e competitivo, como também teve um impacto significativo, tanto no campeonato como na indústria das motos. Estar envolvido numa nova equipa, trabalhar ao lado de parceiros fortes e abraçar um novo formato de Campeonato dá-me uma grande motivação para dar o meu melhor. Quero agradecer sinceramente ao senhor Sven Blusch, ao diretor técnico Chris Gonschor e ao diretor de equipa Shaun Muir pela confiança e entusiasmo. Mal posso esperar para começar este novo capítulo juntos”, comentou Miguel Oliveira, citado pelo site da competição.

“Estamos muito felizes por receber o Miguel Oliveira como novo piloto de fábrica da nossa equipa ROKiT BMW Motorrad WorldSBK. O Miguel provou de uma forma impressionante ao longo da sua carreira que pertence ao grupo dos pilotos mais talentosos e versáteis da sua geração. Com vitórias em todas as três categorias, incluindo cinco em MotoGP, traz uma experiência valiosa e um elevado nível de profissionalismo ao nosso projeto. Juntamente com o Danilo Petrucci, seu novo companheiro de equipa, formará uma dupla de pilotos forte e competitiva. Os dois já se conhecem bem. Esta constelação dá-nos a oportunidade de dar os próximos passos no nosso desenvolvimento e reforçar ainda mais as ambições da BMW Motorrad Motorsport no WorldSBK. Toda a equipa está ansiosa para trabalhar com ele”, salientou também Sven Blusch, chefe do conjunto alemão, depois de deixar um “bem-vindo à família”.

Felizmente tenho várias opções em cima da mesa e só tenho de analisar qual a melhor direção para o meu futuro. Penso que na próxima semana vou escolher uma direção e depois, dependendo com quem assine, vamos perceber quando será possível anunciar”, tinha comentado Miguel Oliveira durante o fim de semana de São Marino, há duas semanas.

Gorada que ficou a possibilidade de poder entrar como piloto de testes numa equipa do MotoGP, e com o cenário do Mundial de Superbike cada vez mais definido, foram vários os conjuntos que sondaram o piloto português para reforçar a categoria. Numa primeira fase falou-se muito na Honda, que iria deixar de contar com Iker Lecuona e procurava uma solução mais “avançada”, depois apareceu a BMW, que após contratar Danilo Petrucci para o lugar de Michael van der Mark ainda não tinha fechado o sucessor de Razgatlioglu (o turco que vai substituir Oliveira), por fim havia a aposta Yamaha, que fazia de tudo para contar com o Falcão para render o antigo campeão Jonathan Rea. A BMW acabou por ganhar essa corrida, deixando a Yamaha com soluções limitadas para a substituição do peso pesado (a opção deve recair em Xavi Vierge).

De recordar que, em 2025, Miguel Oliveira fará ainda as últimas cinco provas do Mundial de MotoGP, numa fase em que atravessa o melhor período da temporada com quatro corridas consecutivas a pontuar, três a fazer mesmo os melhores resultados (nono na Catalunha e em São Marino, 12.º na Hungria). A próxima será já no próximo domingo, num circuito indonésio de Mandalika que já venceu em 2022, seguindo-se as paragens na Austrália, na Malásia, em Portugal (no Algarve) e na Comunidade Valenciana.

Não me arrependo de nada do que fiz mas sinto que, se deixar o paddock, vou sentir-me incompleto. Acho que as minhas capacidades como piloto são maiores do que aquilo que fiz. Isto pode ser entendido como arrogância ou presunção mas é assim que me sinto. Estando num desporto que se compara imenso, comparando-me com outros pilotos, sinto que tenho mais para dar. Mas é o que é. A competição é assim, consegue ser brutal por vezes. O que quer que aconteça, ficarei bem. É essa a mensagem. Estarei mais do que bem, acho”, apontara antes.

Desta forma, confirma-se em definitivo o adeus de Miguel Oliveira, de 30 anos, ao MotoGP depois de sete temporadas naquela que é a principal categoria do motociclismo e onde representou três equipas: a KTM (primeiro na Tech3, depois na equipa principal) de 2019 a 2022, a Aprilia (RNF e depois Trackhouse), de 2022 a 2024, e agora a Yamaha, com a nova formação da Pramac que deixara a Ducati. Ao todo, e olhando apenas para o MotoGP, o português conseguiu cinco vitórias (Estíria e Portugal em 2020, Catalunha em 2021, Indonésia e Tailândia em 2022), sete pódios, uma pole position e uma volta mais rápida.

Antes, Miguel Oliveira, um dos pilotos com mais experiência e resultados no acumulado das três categorias olhando para todos os 22 representantes atuais do MotoGP, tinha estado cinco épocas no Moto3 (na primeira temporada ainda como 125cc) e mais três no Moto2, passando por Aprilia, Honda, Mahindra, KTM e Kalex, antes de voltar à KTM onde passaria mais anos. No Moto3, alcançou seis vitórias, subiu 13 vezes ao pódio e conseguiu duas poles, sagrando-se vice-campeão mundial em 2015 a apenas seis pontos do britânico Danny Kent. Já no Moto2, somou seis vitórias, 21 pódios e duas poles, acabando em terceiro em 2017 atrás das Kalex de Franco Morbidelli e Thomas Lüthi e como vice-campeão mundial em 2018, a nove pontos de Pecco Bagnaia, piloto italiano que se sagraria mais tarde bicampeão mundial de MotoGP.

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