O acesso à Internet e às telecomunicações foi esta quarta-feira restabelecido no Afeganistão, após uma interrupção de quase 48 horas.
Até ao momento, as razões para o apagão não foram identificadas, embora um funcionário de uma empresa de telecomunicações citado pela agência de notícias espanhola EFE tenha dito que o corte ocorreu por ordem do Governo talibã.
“Dados da rede em direto mostram o restabelecimento parcial da ligação à Internet no Afeganistão, num contexto de indignação após um apagão nacional de telecomunicações de dois dias”, afirmou a organização internacional de monitorização do acesso à Internet NetBlocks, numa publicação na rede social X.
ℹ️ Update: Live network data show the partial restoration of internet connectivity in #Afghanistan amid outcry after a two-day national telecoms blackout; the incident comes as the Taliban leadership applies new "immorality" rules on telco operators pic.twitter.com/571E6EcAFh
— NetBlocks (@netblocks) October 1, 2025
Às 17h30 desta quarta-feira, (13h30 de Lisboa), o acesso mantinha-se nos 56%, segundo a organização.
Os cidadãos afegãos viveram uma atmosfera de medo e isolamento com a interrupção da atividade das redes sociais e o corte de todas as ligações digitais com o país. “Sinto-me como um morto-vivo. Nem sequer sabemos o que nos está a acontecer, nem por que está a acontecer isto”, declarou Haidar Khan, residente em Cabul, durante o apagão.
“Estou em Cabul, mas a minha família está em Laghman. Devem estar profundamente preocupados comigo, e eu também estou preocupado com eles, mas todas as vias de comunicação foram bloqueadas. Recebo uma remessa mensal do estrangeiro, mas com a Internet e os serviços telefónicos inoperacionais, simplesmente não há forma de gerir nada agora”, acrescentou.
Os voos com destino ao aeroporto de Cabul, bem como a atividade de bancos e empresas de serviços, foram afetados.
Rohani, residente na capital afegã, relatou que a interrupção do serviço o impediu de levantar o seu salário numa agência bancária. O diretor de uma empresa de serviços financeiros afirmou que milhares de milhões de afegânis (a moeda do país) ficaram em risco durante o apagão.
Agora, a principal preocupação dos cidadãos é que as interrupções voltem a ocorrer.
“Tememos que voltem a cortar a Internet. O Afeganistão ficou como uma prisão: tudo estava fechado. A única coisa que os talibãs não controlam é o oxigénio; se pudessem, também o teriam cortado”, disse o estudante de Medicina Alia Alkozai, citado pela EFE.
A ONU e as organizações humanitárias apelaram aos talibãs durante toda a terça-feira e o dia desta quarta-feira para que restabelecessem o acesso à Internet.
As organizações de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch e Amnistia Internacional responsabilizaram os fundamentalistas, no poder desde agosto de 2021, pelo corte das comunicações.
Em meados de setembro, os talibãs ordenaram cortes no acesso à Internet por fibra ótica em algumas regiões do norte do país, argumentando que tais medidas tinham sido tomadas para impedir “atividades imorais”.