É um dia de anúncio duplo para a tecnológica portuguesa Feedzai. Por um lado, uma ronda de investimento que eleva a avaliação da empresa de deteção de fraude até dois mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros). Por outro, foi anunciado esta quinta-feira que a Feedzai foi uma das empresas escolhidas pelo Banco Central Europeu (BCE) para o projeto do euro digital.

Em comunicado, a empresa liderada por Nuno Sebastião revela que fechou uma ronda de investimento de cerca de 75 milhões de dólares (64 milhões de euros). Assim, chega a uma avaliação de dois mil milhões de dólares, reforçando o estatuto de unicórnio — uma empresa avaliada em mais de mil milhões de dólares. A Feedzai faz parte do grupo de unicórnios com ADN português desde 2021. 

Feedzai vale mais de mil milhões de dólares e é o quarto unicórnio fundado por portugueses

A ronda de investimento contou com a participação de novos investidores, como a Lince Capital, a Iberis Capital e a Explorer Investments. Também participaram nesta operação investidores que já tinham financiado a empresa, como a Oxy Capital e a Buenavista Equity Partners.

“A fraude não é só sobre números numa folha de balanços. Tem a ver com as famílias a perderem as poupanças de uma vida e negócios a perder clientes. Proteger as pessoas e as organizações do crime financeiro é a razão pela qual criámos a Feedzai”, afirma em comunicado Nuno Sebastião. “Este novo investimento permite-nos continuar a impulsionar a inovação para defesa contra o que surgir a seguir, para que qualquer forma de pagamento, mesmo os que ainda estão a ser imaginados, possam ser fiáveis e adotados de forma segura.”

A Feedzai foi fundada em 2011, em Coimbra, por Nuno Sebastião, Pedro Bizarro e Paulo Marques. Atualmente, a empresa assegura a proteção de um volume de mais de 70 mil milhões de transações, entre operações com cartões e pagamentos de contas.

Contrato com BCE pode valer até 237 milhões de euros

No mesmo dia em que é anunciada a ronda de investimento, o BCE também anunciou a lista de fornecedores que vão estar envolvidos no projeto dos serviços para assegurar o euro digital. 

O projeto do euro digital é uma iniciativa do BCE para ter uma moeda em formato digital, com o objetivo de ser um meio de pagamento eletrónico acessível a toda a gente e aceite em todos os países da zona euro. Segundo o banco central, “atualmente não existe uma opção europeia de pagamentos digitais que abranja o conjunto da área do euro, sendo 13 dos 20 países da área do euro dependentes de sistemas internacionais de cartões para os pagamentos com cartão”. O euro digital, que começou a ser preparado em novembro de 2023, prevê a criação de uma carteira eletrónica para ser armazenado.

A portuguesa Feedzai surge como um dos fornecedores escolhidos para a área da gestão de risco e de fraude. O BCE indica que o contrato para esta área terá uma duração estimada de quatro anos, com um valor estimado de 79,1 milhões de euros e um teto máximo de 237,3 milhões de euros.

A Feedzai vai trabalhar neste projeto com a PwC como subcontratada, “para entregar um mecanismo topo de gama de deteção de fraude e prevenção, garantindo a conformidade total com a segurança da União Europeia, privacidade e requisitos de proteção de dados”, é possível ler em comunicado.

A sucursal alemã da Capgemini surge como segunda fornecedora escolhida para esta área, ainda que o BCE indique que “os pedidos vão ser dirigidos à primeira fornecedora; a segunda só será abordada se necessário”.

Numa nota à imprensa, Nuno Sebastião refere que “ser escolhida como a primeira fornecedora para o acordo de enquadramento para proteger o euro digital é tanto uma honra como uma responsabilidade”.