Sanae Takaichi, de 64 anos, foi eleita líder do Partido Liberal Democrata (LDP) e deverá tornar-se a primeira mulher a assumir o cargo de primeira-ministra do Japão, segundo a BBC. A votação decorreu este sábado, após uma segunda volta que a opôs a Shinjiro Koizumi, filho do antigo primeiro-ministro Junichiro Koizumi.

Ex-ministra da Segurança Económica e protegida do falecido Shinzo Abe, Takaichi defende a continuação do programa económico Abenomics — baseado em estímulos fiscais e monetários — e é uma das figuras mais conservadoras do LDP. A BBC recorda ainda a sua postura agressiva em matérias de segurança e a frequência com que visita o controverso santuário de Yasukuni, onde são homenageadas pessoas condenadas por crimes de guerra durante o conflito da II Guerra Mundial.

Mas o novo capítulo não apaga o facto de este ser um partido enfraquecido. Como sublinha a Al Jazeera, o LDP já não tem maioria em nenhuma das câmaras do Parlamento, após sucessivas derrotas eleitorais. Para governar, Takaichi terá de se apoiar nos centristas do Komeito e procurar acordos com a oposição.

Entre os principais desafios que a aguardam estão a estagnação económica, a inflação persistente, o envelhecimento da população e a crescente pressão no tema da imigração. Durante a campanha, Takaichi sugeriu “reconsiderar políticas que permitem a entrada de pessoas com culturas completamente diferentes”, uma retórica alinhada com o partido populista Sanseito, em ascensão.

Apesar de abrir caminho como a primeira mulher a chefiar o Governo japonês, analistas citados pela BBC notam que Takaichi não tem histórico de apoio às causas de igualdade de género. Opõe-se à legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo e à possibilidade de as mulheres manterem o próprio apelido após o casamento.

A confirmação formal deverá ocorrer a 15 de outubro, quando o parlamento votar a sucessão de Shigeru Ishiba. Sem maioria absoluta, o processo não será automático como no passado, mas Takaichi tem já a liderança quase garantida.