Francesco Farioli estreou-se este domingo em clássicos do futebol português no Estádio do Dragão. Foi também o primeiro jogo do italiano frente ao Benfica e a José Mourinho, técnico pelo qual não esconde ter uma admiração, que ficou evidente antes e após o jogo, quando ambos se cumprimentaram. Depois do triunfo em Alvalade, frente ao Sporting, o FC Porto prosseguiu a senda vitoriosa de nove jogos que terminou frente às águias. No clássico do Dragão, os dragões somaram o primeiro jogo sem marcar golos, algo que não acontecia há 13 jogos, e terminaram com apenas 0,7 golos esperados, número bem abaixo do que foi apresentado nos desafios anteriores (0-0).

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Para a receção ao grande rival, Farioli voltou a apostar no seu onze base, que contou com nove caras novas em relação ao jogo frente ao Estrela Vermelha, que serviu para o treinador rodar a equipa. O jogo acabou por ser dominado pela vertente tática, com muitos duelos e as equipas longe das balizas, ao ponto de o clássico se ter tornado no desafio com menos remates desta edição da Primeira Liga (apenas 12). O remate de Rodrigo Mora à trave, na reta final da partida, foi a melhor ocasião dos portistas, que saíram desta oitava jornada na liderança isolada do Campeonato e com os mesmos pontos de avanço para os rivais.

“Pessoalmente estou muito feliz. O jogo foi tático e ficou bem claro que uma equipa veio aqui para não perder e nós tentámos de tudo para ganhar. São jogos em que podes ser punido se te expões demasiado. O nível de maturidade da equipa foi fantástico. Sei ser crítico, mas hoje [domingo] jogámos como uma grande equipa. Estou muito feliz. Alterações de Mourinho? Foram uma marca da qualidade de um grande treinador, que é capaz de convencer jogadores de topo a sacrificarem-se. Acho que fizemos o nosso jogo, tivemos bons momentos no primeiro tempo e outros na segunda parte. Permitir apenas um remate contra uma equipa do nível do Benfica é algo de realçar. Acho que é um bom resultado. Merecíamos algo mais, mas neste tipo de jogos podes perder. Estou muito satisfeito, por diferentes razões. Olhando para onde estávamos e para onde estamos agora… Nestes últimos três meses fizeram-se muitas coisas neste grupo”, explicou Farioli em declarações à SportTV.

“Foi uma grande batalha tática, entre duas equipas que jogaram com muita atenção aos detalhes. Acho que foi um jogo em que mostrámos muita maturidade. Queríamos ganhar e fizemos tudo o que era possível. Não fomos all in porque, nestes jogos, quando se joga contra uma equipa que decide jogar um jogo inteligente, uma situação podia colocar tudo em causa. Lance de Gül? Se a camisola é puxada, é penálti. Entrada de Pablo Rosario? O jogo estava aberto, o duelo com o Ríos, que é muito físico, exige certas características. Foi como li o jogo. Meti o Pablo porque também tínhamos o Alberto [Costa] que podia cair, porque era a primeira vez a jogar 90 minutos. Podia meter o Pablo aí também. Acho que as duas equipas jogaram com muita maturidade, de forma inteligente e pragmática. Vi muitos treinadores perderem jogos contra Mourinho desta forma, numa oportunidade. Jogámos o nosso jogo. As três grandes oportunidades são nossas. Jogar com o Benfica e consentir só um remate enquadrado, num livre a 30 metros, diz muito. Outra folha limpa. Se o ponto era o que queríamos? Não, queríamos os três pontos. É seguir em frente”, acrescentou em conferência de imprensa.

“O Benfica veio com o desejo de jogar um certo jogo e respeito muito a forma como jogaram. Esperava uma forma diferente de pressionar, não o tipo de jogo. Acho que o jogo foi muito claro. Exigiu muita maturidade e provámos que a temos em muitos momentos. Estou feliz com o resultado e com a performance da equipa. O ambiente foi incrível. Não subi para o aquecimento, mas mesmo lá dentro senti que o estádio estava on fire. Os adeptos foram incríveis em todos os momentos. Infelizmente, não conseguimos dar-lhes os três pontos. Mas, se fizermos uma análise a frio, considerando onde estávamos e onde estamos, temos de estar felizes. Jogámos contra Sporting e Benfica, mas isto não diz muito porque temos de jogar muitos outros jogos. Temos de continuar. Não estamos aqui para fazer cálculos. Agora damos uns dias aos jogadores que não estarão nas seleções porque precisamos e eles merecem. A partir da próxima semana começamos a preparar os próximos jogos”, partilhou Francesco Farioli.

“Oportunidade perdida? É muito complicado responder. A corrida é connosco e na forma como temos de estar preparados. Sem cálculos, sem a calculadora à frente. Temos de continuar a jogar e é o que é. Entrada de Mora? Foi o que senti durante o jogo e uns centímetros abaixo estaríamos a celebrar algo mais. Foi justo o que fizemos e estou feliz com o que os jogadores fizeram. Não mudaria o que fizemos. Dificuldades em ligar o jogo? Acho que algumas vezes ligámos, mas não tivemos a progressão. O jogo foi muito bem jogado pelas duas equipas. Mourinho? Acho que é um privilégio. Não posso dizer mais nada do que isto. Já falei o suficiente do respeito que tenho pelo mister Mourinho e claro, estar no banco do outro lado, é uma honra. Desfrutámos ambos do jogo. Mais difícil defrontar Sporting ou Benfica? Ambos. Rotação diferente, diferentes momentos e diferentes jogadores. Este muda completamente o plano. É mais difícil ir mais em profundidade”, concluiu.