A bola na trave de Rodrigo Mora nos descontos depois de ter dado a vitória nos minutos finais com o Estrela Vermelha ainda fez soar a remake no Dragão mas o FC Porto não conseguiu mesmo desfazer o nulo diante do Benfica. Manteve a liderança do Campeonato, manteve as distâncias na frente com três pontos de avanço do Sporting (que não foi além de um empate com o Sp. Braga) e quatro dos encarnados, não manteve o registo ofensivo que acompanhava Francesco Farioli desde que chegou aos azuis e brancos. Com isso, perdeu também três recordes na história dos dragões, dois deles que pertencem ainda a… André Villas-Boas.

Mourinho fintou virose para dar outra aula sobre antídotos (a crónica do FC Porto-Benfica)

13 jogos depois, o FC Porto voltou a ficar em branco num encontro oficial, algo que tinha acontecido pela última vez no Mundial de Clubes frente ao Palmeiras de Abel Ferreira e, então, de Richard Ríos (que voltou a ser titular pelo Benfica depois do autogolo marcado em Stamford Bridge contra o Chelsea). Mais: os dragões não marcaram qualquer golo em casa mais de um ano e meio depois, sendo que o último encontro em branco remontava à temporada de 2023/24, ainda com Sérgio Conceição no comando (0-0 com Rio Ave).

Com tudo isso, e perante o primeiro empate da temporada ao décimo encontro, Farioli perdeu a hipótese de igualar o recorde de André Villas-Boas de mais vitórias consecutivas no ano de estreia (dez) e também de ser um dos poucos treinadores na história do clube azul e branco a ganhar os dois primeiros clássicos pelos portistas. A par disso, também a possibilidade de chegar à série com mais triunfos de sempre no início de uma temporada (13) caiu por terra na sequência do nulo frente ao Benfica de José Mourinho no final do encontro que teve menos remates portistas à baliza do adversário (oito, contra quatro do adversário).

“Penso que [o Benfica] veio aqui apenas para sobreviver, só quiserem defender e parar o jogo o máximo possível. Foi assim durante a maioria do jogo. Estivemos bem, fizemos um jogo maduro e tivemos as nossas oportunidades. Fomos infelizes e merecíamos mais mas faz parte do futebol. Temos de seguir em frente. Conseguimos outra folha limpa e temos de usar isso para construir um momento positivo.  O que faltou no ataque? Faltou o último passe, mais calma na área contrária. Não penso que eles nos tenham anulado ou feito algo de especial no seu jogo. Defenderam em bloco baixo e procuraram os contra-ataques. Foi o plano de jogo deles e temos de respeitar”, comentou o central Bednarek, em declarações à SportTV.

“Se o Benfica veio à procura do empate? Penso que se percebeu isso desde o primeiro minuto, pela forma como retardavam o jogo. Faz parte, foi assim que quiseram jogar. Tivemos tempo suficiente para encontrar uma forma de ganhar e criar oportunidades. Há coisas boas a retirar deste jogo mas temos de analisar a forma como podemos fazer melhor nestes momentos, para criar chances e fazer golos. Mourinho? É um grande treinador, que sabe como gerir estes jogos e foi desta forma que escolheu abordar o jogo. Temos de o respeitar porque tivemos tempo suficiente para criar chances e marcar golos”, completou.

“Fica uma sensação agridoce, sentimos que tivemos as melhores oportunidades e o controlo do jogo. Não era o resultado que queríamos mas é continuar o nosso trabalho. Estamos com um bom entrosamento, vindo daquilo que têm sido os treinos. Estamos fortes, intensos, fruto da equipa toda também. No último jogo fizemos uma jogada parecida, tentei rematar mas não saiu bem, espero ter mais oportunidades”, apontou também Francisco Moura, lateral esquerdo do FC Porto, neste caso em declarações ao Porto Canal.