O histórico jornalista Fernando Paulouro Neves, antigo diretor do Jornal do Fundão, morreu na segunda-feira à noite aos 78 anos, segundo informação divulgada esta terça-feira por aquele órgão de comunicação social.
Fernando Paulouro Neves morreu um dia depois de ter apresentado o seu último livro, As Sombras do Combatente, numa sessão realizada na Biblioteca Eugénio de Andrade, no Fundão, segundo este semanário local.
A Câmara do Fundão decretou esta terça-feira dois dias de luto municipal pela sua morte, descrevendo-o como um “cidadão com forte empenho profissional, cívico, político, cultural e social na sociedade fundanense”. Além disso, anunciou que o auditório da biblioteca acima mencionada passará a ter o seu nome.
A Guerra e Paz, que se tornara a sua casa editorial desde 2024, já emitiu uma nota de pesar, tomando conhecimento da sua morte com “imensa tristeza”. “A Guerra e Paz despede-se, com imenso pesar, de uma figura que sempre privilegiou a cultura, a leitura e o livro, apresentando as mais sentidas condolências à sua mulher, Eugénia”, lê-se na nota recebida pelo Observador.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou a morte do jornalista e escritor Fernando Paulouro das Neves, recordando-o por uma “vida de entrega” ao Jornal do Fundão e pelo seu percurso literário.
Numa nota divulgada na página da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa “recorda com saudade” Fernando Paulouro Neves, que lembra pelo “legado de uma vida de entrega ao Jornal do Fundão onde foi, além de jornalista, chefe de redação e diretor” e pelo percurso literário, sublinhando a apresentação recente do livro “As Sombras do Combatente”.
O chefe de Estado lembra também a passagem pelo teatro, onde foi “distinguido pelo seu trabalho à frente do Teatro das Beiras” e o seu papel em diversas estruturas do Sindicato dos Jornalistas e da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista.
“À família, amigos e colegas de profissão, o Presidente da República apresenta as suas mais sentidas condolências”, lê-se.
Nascido em 1947, Fernando Paulouro Neves dedicou quase toda a vida ao Jornal do Fundão, onde foi jornalista, chefe de redação e diretor, tendo integrado várias estruturas do Sindicato dos Jornalistas e da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista.
Fernando Paulouro Neves também presidiu ao Teatro das Beiras e recebeu inúmeras distinções, entre as quais o título de sócio de honra da Sociedade Ibero-Americana de Antropologia Aplicada, o Prémio Gazeta de Mérito do Clube dos Jornalistas ou o Prémio Eduardo Lourenço, atribuído pelo Centro de Estudos Ibéricos.
Em 2013, foi-lhe atribuída a Medalha de Ouro da cidade do Fundão. No próximo ano, iria presidir à Comissão de Honra das Celebrações dos 80 anos do Jornal do Fundão.
Como escritor, publicou A Guerra da Mina e os Mineiros da Panasqueira (com Daniel Reis), Os Fantasmas Não Fazem a Barba (com Zé d’Almeida), A Materna Casa da Poesia — Sobre Eugénio de Andrade, Fellini na Praça Velha, Brasil em Mim, O Informador e Outros Contos, Catorze Histórias Incríveis ou o Fabuloso Imaginário das Lendas da Beira Baixa (com José Manuel Castanheira) e O Tribunal das Almas, entre outros livros. Organizou também a antologia António Paulouro: As Palavras e as Causas.