O PSD congratulou-se esta sexta-feira com a atribuição do prémio Nobel da Paz a María Corina Machado e lembrou ter proposto a ativista venezuelana para o prémio Sakharov, do Parlamento Europeu, que veio a vencer.

“O Comité Nobel Norueguês acaba de atribuir o Prémio Nobel da Paz a María Corina Machado, líder das forças democráticas venezuelanas. O PSD congratula-se com o reconhecimento e com o facto de, há um ano, ter sido o proponente da sua nomeação para o Prémio Sakharov, atribuído pelo Parlamento Europeu, que viria a vencer”, expressaram os sociais-democratas em comunicado.

Também o líder do Chega, André Ventura, classificou a atribuição do Prémio Nobel da Paz a María Corina Machado como “uma excelente decisão”, considerando que reconhece “verdadeiramente quem trabalha pela paz” na Venezuela.

“Acho que é efetivamente uma decisão muito relevante, a atribuição de um Prémio Nobel a María Corina Machado pelo trabalho que tem feito na luta na Venezuela, que diz muito à comunidade portuguesa, diz muito aos portugueses que estão na Venezuela. É uma excelente decisão que mostra como podemos ter um Prémio Nobel da Paz que não seja politizado, mas reconheça verdadeiramente quem trabalha pela paz”, afirmou.

Falando aos jornalistas durante uma arruada em Braga, no último dia de campanha para as eleições autárquicas de domingo, André Ventura disse que “é também um sinal que vai direto a todos aqueles que, na Europa, sobretudo nos governos portugueses, espanhol, francês e outros, continuaram a encontrar-se e a levar ao colo ditadores na Venezuela, em Cuba e noutras ditaduras da América do Sul”.

“Acho que este Prémio Nobel é um reconhecimento de todos os que queriam e os que lutaram para que estes países pudessem ter democracia também e, nesse sentido, acho que Portugal deve estar hoje muito feliz pela atribuição deste Prémio Nobel da Paz”, defendeu.

A líder da Iniciativa Liberal (IL) elogiou a atribuição do prémio Nobel à venezuelana María Corina Machado, um “símbolo de luta contra regimes opressores” e contra o discurso populista de “pôr uns contra outros”.

María Corina Machado “é um extraordinário símbolo de luta contra regimes opressores autocráticos, é a vitória da resistência pacífica, da luta pela liberdade, da luta pela democracia liberal e, portanto, deixa-nos obviamente muitíssimo satisfeitos que o Prémio Nobel tenha sido entregue” à ativista, que “é sem dúvida uma representante desta luta pela liberdade, pelos direitos humanos, pela dignidade”, afirmou Mariana Leitão, à margem de uma ação de campanha para as eleições autárquicas de domingo.

Confrontada com a gestão do governo venezuelano, Mariana Leitão considera que os “os populismos, infelizmente, são característicos de ambos os extremos e não são exclusivos de um lado ou de outro”.

“Aquilo que nós tentamos é exatamente combater, esse populismo, esses extremismos. A Iniciativa Liberal tem uma postura muito moderada, muito de luta pelos direitos humanos, de luta pela dignidade humana, pela democracia, pelos direitos humanos e, portanto, continuaremos sempre a fazer essa defesa”, acrescentou.

Esta tarde, a IL apresentou um voto de congratulação pela atribuição do Prémio Nobel da Paz à ativista, por ser “um marco de enorme significado não apenas para a Venezuela, mas para todas as sociedades que enfrentam regimes autoritários e lutam pela liberdade, pelo Estado de direito e pela dignidade humana”.

Na declaração de voto, a IL afirma que a Venezuela foi uma democracia e uma “sociedade vibrante”, mas o “progressivo colapso institucional” , “acelerado sob o regime de Nicolás Maduro transformou o país num dos exemplos mais dramáticos de autoritarismo contemporâneo”, com um “controlo político absoluto, a destruição das instituições democráticas, a manipulação eleitoral, a corrupção sistémica e a repressão violenta”.

Esta sexta-feira, a atribuição do Nobel “reconhece uma mulher que recusou o exílio e escolheu permanecer no seu país, mesmo sob ameaça constante, tornando-se símbolo de coragem para milhões de cidadãos que acreditam num futuro democrático para a Venezuela”, através de “uma luta assente na não-violência, na mobilização popular, na unidade democrática e na recusa de legitimar a ditadura”.

Para Mariana Leitão, a ativista “representa essa luta pacífica, uma resistência pacífica, ela própria que foi vítima de perseguições, de tentativas de silenciamento e situações do género que não são admissíveis em democracia”.

“Aquilo que nós queremos é que a liberdade prevaleça sempre a liberdade individual de cada um de nós, inclusivamente, na política”, disse, acusando a extrema-direita e extrema-esquerda de insistirem em “pôr uns contra os outros”.

O Comité Nobel norueguês anunciou esta sexta-feira que o Nobel da Paz 2025 foi atribuído à opositora venezuelana “pelo seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos do povo da Venezuela e pela sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”.

“Enquanto líder do movimento pela democracia na Venezuela, María Corina Machado é um dos exemplos mais extraordinários de coragem civil na América Latina nos últimos tempos”, sublinhou o Comité.

Nascida em 1967, na Venezuela, María Corina Machado é uma das principais vozes da oposição democrática ao regime de Nicolás Maduro, tendo sido candidata favorita à vitória nas eleições presidenciais de julho de 2024.

No entanto, foi impedida de concorrer quando, em janeiro de 2024, o Supremo Tribunal de Justiça, alinhado com o Governo de Maduro, a proibiu de ocupar cargos públicos durante 15 anos.