A dez dias das eleições para os órgãos sociais do Benfica e no dia em que apresentou oficialmente o programa eleitoral que quer colocar em prática no próximo mandato, Rui Costa deu mais uma entrevista e falou sobre as propostas que tem para os eventuais futuros quatro anos, o facto de João Noronha Lopes ter revelado as declarações de rendimentos e ainda a maneira como herdou a liderança encarnada.

Sob o lema “Só o Benfica importa”, o atual presidente encarnado divulgou esta quarta-feira os 10 pontos fundamentais da vida do clube que quer atingir, melhorar o continuar se for reeleito no próximo dia 25 de outubro — ou 8 de novembro, se o ato eleitoral o levar a uma segunda volta. Entre as principais medidas destacam-se o objetivo de chegar aos 500 mil sócios, para além da intenção de alcançar o top 10 do ranking da UEFA, registar 500 milhões de receita anual e construir o Benfica District, o já anunciado mega-projeto à volta do Estádio da Luz que integra um hotel, dois pavilhões, uma residência para atletas e um teatro, entre dezenas de outras infraestruturas.

“Não caí aqui de paraquedas e não sou benfiquista de ocasião”, diz Rui Costa

Sobre as contínuas acusações de não estar preparado para assumir a presidência do Benfica, feitas essencialmente por Luís Filipe Vieira, Rui Costa não escondeu que existe um fundo de verdade — mas, na SIC Notícias, apresentou os motivos. “Impreparado porque de manhã tinha umas funções e à tarde tive de ser presidente. Ninguém me pôs uma pistola na cabeça para aceitar o cargo naquele dia, mas era fundamental que o Benfica apresentasse um presidente. Naquele dia havia a urgência de apresentar um presidente e de eu aceitar o convite em prol do Benfica. A entrada na UEFA podia cair por minutos, estávamos a meio de situações bancárias que podiam cair por minutos. O Benfica precisava de um presidente naquele momento. Jamais ocuparia o cargo se não me sentisse pronto para aceitar a responsabilidade. Não sou um herói, não me considero um herói, mas jamais poderia dizer não ao Benfica naquele momento. Jamais ocuparia este cargo por ser um sonho de criança, como ouvi. Ocupei este cargo pronto e preparado”, garantiu.

“Cheguei com um plantel com 13 jogadores na casa dos 30 anos ou acima. Considerei necessário fazer uma revolução completa do projeto desportivo e foi isso que fiz. Apanhei 60 e tal jogadores sob contrato. Era um plantel que tinha jogadores que estavam a entrar em idades em que, apesar da qualidade, já não davam o rendimento que era aceitável no Benfica. Assim como rendimento das saídas, deram zero euros, pela idade. O facto de investir o que investi… Foi uma das coisas que disse quando entrei, não descurando nunca a parte financeira, os benfiquistas podem estar descansados, porque não têm um louco à frente do Benfica. Sou uma pessoa responsável e jamais colocaria o Benfica em situação de risco”, acrescentou o ainda presidente encarnado.

Mais à frente, Rui Costa comentou diretamente o facto de João Noronha Lopes ter apresentado nos últimos dias as respetivas declarações de rendimentos, para responder às indicações de que tinha acumulado dívidas à frente das empresas que geriu. “Foi uma necessidade que um candidato sentiu de o fazer. É uma necessidade pessoal. Nunca disse que era o melhor jogador do mundo, nunca disse que era o melhor gestor do mundo, então porque é que eu tenho de o fazer? Entendo que não seja necessário fazê-lo. Não acredito que todos tenham agora a necessidade de fazer o mesmo [mostrar declarações de rendimentos]. É uma decisão própria. Não entendo que seja necessário fazê-lo. Estou no Benfica há cinco anos, continuarei sem salário. Não estou no Benfica por isso. Acho que não faz o mínimo sentido. Não sinto essa necessidade”, explicou o antigo internacional português.

As 6 grandes ideias dos 6 candidatos à presidência: o que saiu das 6 entrevistas de meia hora na BTV

Sobre a centralização dos direitos televisivos, um tema que tem estado no centro da campanha eleitoral do Benfica, o presidente encarnado explicou a posição atual do clube. “É verdade que temos propostas no dia de hoje que já superam o que temos no presente, mas que não aceitámos essas propostas por dois motivos muito simples: 1) porque acreditamos que podemos chegar mais longe e 2) porque estamos num momento eleitoral e seria incorreto da minha parte eu aceitar uma proposta… Por questões negociais, não vou divulgar o valor da proposta. Acima de 40 milhões. Queremos mais do que temos hoje em cima da mesa. O facto de estarmos num período eleitoral… Seria incorreto da minha parte dizer que tinha fechado um contrato apenas para dizer que tinha fechado um contrato quando eu próprio estou convencido de que o Benfica pode receber mais. O Benfica quer andar na ordem dos 70 milhões de euros”, sublinhou.

Num autêntico apelo ao voto, Rui Costa garantiu ainda que é melhor presidente do que foi jogador. “Não creio que tenha posto a fasquia demasiado alta. Se não tiver essa ambição é sinal de que estou num lugar onde que não mereço estar. Joguei futebol 20 anos e só tenho quatro anos de presidente. Quero ter mais pela frente, para poder dizer que fui melhor presidente do que jogador.. Votar em mim é votar no futuro do Benfica, numa equipa completamente nova. Fiz as modificações que tive de fazer, entendi que deveria fazer algumas alterações e construir uma equipa com outras nuances. Venho do passado, mas a olhar para o futuro, com gente nova, capaz e muito séria”, acrescentando ainda que o contrato de José Mourinho é um vínculo “natural”.

[Apesar da euforia em torno de Freitas, Soares recupera. O debate com Zenha será decisivo. Quando acabar, nunca mais serão amigos. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador sobre as Presidenciais de 1986. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir o primeiro episódio aqui e o segundo aqui]