Novos estatutos, novas regras, novos formatos. A troca de palavras entre os seis candidatos à liderança do Benfica já teve momentos mais quentes, os projetos também são diferentes mas todos os representantes das listas estiveram sentados à mesa com o clube para planificar toda a forma de fazer a cobertura das eleições do clube. Ainda houve propostas alternativas, nomeadamente a existência de debates a dois, tudo ficou fechado de forma salomónica: uma entrevista de meia hora a cada candidato na BTV, neste caso transmitidas numa emissão especial de três horas, um debate entre todos na antecâmara do sufrágio, no dia 23. E foi aí, num formato com temas pré-definidos que tocassem em vários pontos, que cada um apresentou as suas ideias.
Martim Mayer: “Auditoria às contas? Aquilo que pretendo é olhar para presente e futuro”
“Apresento um modelo desportivo com um fio condutor e que tenha uma visão de médio prazo. Há uma semana apresentei o senhor Andries Jonker. Conto com o nosso treinador José Mourinho e com o nosso diretor Mário Branco. Estão muito focados no dia a dia. Queremos ser mais incisivos no nosso scouting, para acrescentar valor ao que temos dentro. 50% da equipa principal terá de vir da formação e os restantes 50% de compras acertadas. Temos muitas ameaças a surgir de várias zonas geográficas do país. Abandonámos o scouting nacional, temos de reverter essa situação. Temos de estar em cima de tudo o que é talento e quanto mais cedo fomos atrás do talento que está a surgir, melhor. Tem muito a ver com a visão de Jonker. É importante que no Seixal haja um Colégio, alojar as famílias dos miúdos, para ficarem mais confortáveis. Com a nossa proposta, queremos trazer um projeto de 306 graus para os jogadores.”
“Um treinador do Benfica tem em média, desde 1904, um ano e quatro meses de duração. Não se pode pensar no médio prazo. Tem de pensar em fazer os quatro anos de mandato comigo, essa pessoa é Andries Jonker. Temos de preparar o talento desde os Sub-13 de modo a preparar um modelo de jogo e tudo isto tem de se concretizar na equipa A. Se antes atingiam o seu expoente máximo aos 18 anos, queremos que este expoente máximo chegue antes, aos 16. É isto que os clubes alemães e espanhóis estão a fazer. Podemos ver o exemplo de Lamine Yamal. O Benfica tem todas as condições para o mesmo. Há complementaridade entre Mourinho, Mário Branco e Andries Jonker. A soma destas parcelas trará muito sucesso.”
“Não pretendo fazer uma auditoria às contas, quero olhar para o presente e o futuro. Se for preciso fazer-se, faremos. Se houver algum motivo olhar para trás, cá estaremos para fazer. As auditorias não se anunciam, fazem-se. Contas? Sou industrial há dez anos e ganhei muito na análise aos custos através da filosofia Kaizen. Estamos a gastar demasiado, é possível reduzir até 20% dos custos atuais do Benfica. Vamos atacar esse tema desde o primeiro dia, para que a sustentabilidade do Benfica seja um tema. Vamos reduzir até 20% de 200 milhões de euros que é, número redondo, dos custos médios da SAD do Benfica.”
Os empréstimos obrigacionistas são uma boa solução, mas, apesar disso, temos outras hipóteses. O Benfica não pode valer em bolsa 150 milhões de euros, temos de pôr mais um zero nisso. Temos de multiplicar por cinco os capitais próprios do Benfica.”
“Sou a única proposta que explica como a nível das receitas. Vamos aumentar o estádio e desde que tenhamos isso terminado, vamos trazer 20 milhões de euros para cash flow. Vamos precisar de 24 a 36 meses para fazê-lo. Vamos abrir escritórios em Newark, em Genebra. Temos cidades com mais de 100 mil adeptos. Temos de abrir escritórios de representação, temos de trabalhar com as Casas do Benfica locais, temos de abrir academias. Vamos abrir o Cartão Benfica Moçambique e o Cartão Benfica Angola e em Maputo abrir o Estádio Eusébio. A partir do terceiro ano vamos conseguir trazer 15 milhões de dólares de Moçambique e de Angola. Com o aumento do Estádio, temos o défice resolvido sem vender o João Neves.”
“Os empréstimos obrigacionistas são uma boa solução, mas, apesar disso, temos outras hipóteses. O Benfica não pode valer em bolsa 150 milhões de euros, temos de pôr mais um zero nisso. Temos de multiplicar por cinco os capitais próprios do Benfica. A Adidas devia ter 10% do Benfica. Passamos a ser o primeiro clube global do mundo e espero que, quando virem todo o projeto global que temos, possam avançar para isto. Os audiovisuais são cada vez mais importantes para o mundo do futebol atual e também gostava que outro dos acionistas estratégicos do Benfica fosse do mundo dos audiovisuais. Deverão ser para pelo menos 25 anos, obviamente, garantindo sempre que o clube terá sempre 67% da SAD do Benfica.”
“O valor de mercado dos direitos do Benfica anda à volta dos 65 milhões de euros por época. O Benfica é efetivamente o maior clube português e o maior movimento social. A economia Benfica expressa-se pela quantidade de pessoas que querem ver o Benfica e o método que irá atribuir o concurso a alguém há que saber proteger. Temos de convidar os parceiros certos para apresentar propostas para esse concurso. O Benfica não pode perder nem um tostão, tem de liderar o processo e apresentar a solução. Temos a oposição de muitos outros clubes e representamos 80% dos outros clubes. Temos que organizar tudo em prol do futebol português mas não podemos ignorar que o primeiro passo para que possamos vender o futebol português para fora é que temos de melhorar as infraestruturas. Esse é o elefante na sala…”.
João Diogo Manteigas: “Futuro tem de dar mais importância ao mercado nacional”
“Se vamos ser remunerados caso cheguemos aos órgãos sociais? Sim porque os estatutos foram alterados e assim quiseram. A primeira coisa que faremos é entregar a nossa declaração de rendimentos para que os sócios acompanhem tudo desde o momento que entrámos até ao momento em que saímos.”
“O modelo desportivo já foi aplicado nas cinco principais ligas europeias: maior eficiência nos plantéis. O Benfica tem um plantel com muitos jogadores que deve ser mais otimizado. Devemos reduzir o plantel, fazer uma aposta na formação e, sobretudo, reter esses jogadores. Temos de fazer tudo pelo nosso coração, que é o Seixal, e mostrar que é possível apostar no Seixal. Depois, continuar a vender bem, porque o Benfica faz isso e até acaba por ser uma referência para o mercado, mas contratar melhor. O Benfica contrata mal em termos de valores. Hoje só temos o António Silva que há quatro anos cimentou-se mas não por aposta direta. Foi uma mais-valia das conquistas no passado mais recente do Benfica. Temos o Tomás Araújo, que rodou noutros clubes, e temos quatro casos que nem jogam, um João Rego titubeante em minutos, por exemplo.”
“O futuro vai ter de dar uma importância muito maior do que aquela que tem ao mercado nacional. Hoje, quando se olhou, chegou tarde. Os clubes exigem coisas que não exigem a outros clubes mas temos de saber jogar em antecipação. O maior talento ter de ser retido. É voltar um bocadinho atrás naquilo que o Benfica fazia tão bem há tanto tempo, apostar nos jogadores em Portugal. Vai implicar um aumento do scouting. O Benfica pode antecipar-se no scouting, em vez de comprar aos clubes que já vendem caro ao Benfica. Quem vai trabalhar no futebol? Para a semana vão ser revelados mais nomes, quer para as modalidades, quer para o futebol. José Mourinho? Vai ser respaldado pela nossa Direção. É uma pessoa com muita experiência, que vai dar-se muito bem com os nomes que vamos apresentar. Posso dizer inclusivamente que vai ficar muito agradado com o nome que vamos apresentar para a semana para diretor de futebol.”
Mourinho? Vai ser respaldado pela nossa Direção. É uma pessoa com muita experiência, que vai dar-se muito bem com os nomes que vamos apresentar. Posso dizer inclusivamente que vai ficar muito agradado com o nome que vamos apresentar para a semana para diretor de futebol.”
“Há custos que podem ser reduzidos. Há dois grandes monstros que o Benfica não precisa de mão externa: um é o passivo, outro é a dívida financeira. O naming do Estádio da Luz é outro assunto importante. Já me sentei com dois parceiros, um já não me interessa, o outro mantém-se ativo. O naming devia estar resolvido há muitos anos: ou se fecha o naming pelos valores atuais entre sete a dez milhões e é o que é ou então cria-se uma infraestrutura nova. Não me parece que o Benfica vá construir um estádio novo nos próximos cinco anos. Aproveitando o Mundial-2030, é preciso falar com Governo, a FIFA e a UEFA.”
“Direitos televisivos? Benfica não pode perder dinheiros nos próximos dois anos. O Benfica quando chegou à final da Taça de Portugal emite um comunicado em que concordo em 95% com ele, excetuando a parte em que diz que ficará de fora do processo da centralização dos direitos televisivos. O produto português não vale aquilo que a Liga Portugal diz que vale. Basta olhar para o caso alemão, Itália, França nem se fala e Portugal tem um produto pior. A segunda liga é amadora, a primeira e a segunda ligas têm clubes a mais. Não há competitividade entre os clubes intermédios, depois de Benfica, FC Porto e Sporting. Precisamos de ter mais equipas nas ligas europeias. E como se consegue isso? Reduzir o número de clubes. Cenário? O Benfica tem de receber mais porque é quem mete mais pessoas no Estádio, quem paga mais…”.
Manteigas quer Benfica a “recomeçar do zero” e a impor respeito “nos outros”
“No caso do futsal e do hóquei, o Benfica tem o dever de vencer em Portugal e também a nível internacional. Nas modalidades olímpicas de pavilhão, o problema é que o Benfica não tem conseguindo estar nos momentos chave. Conseguindo esse objetivo, é natural que o Benfica consiga ter uma equipa competitiva para ganhar mais do que os outros. A nossa proposta foca-se mais no andebol. Queremos um main sponsor para dar um grande arranque. Ao Benfica faz falta uma Cidade Benfica das Modalidades ou mais um pavilhão. O que quero deixar? Mais união, associativismo, vitórias e um clube muito mais sustentável. Mas, acima de tudo, sair com o sentimento que estamos muito mais unidos do que estamos hoje.”
Cristóvão Carvalho: “Tenho uma linha de crédito de 400 milhões para não ter de vender”
“O Benfica precisa de uma mudança. Não está bem quer a nível financeiro, quer a nível desportivo. Os novos estatutos vieram trazer alguma frescura. Queremos um Benfica totalmente profissional, a nível da SAD e do clube, o Benfica continua a ter uma estrutura associativa e amadora. Remunerado? Não só o presidente como todos os órgãos sociais têm de ser remunerados. Os novos estatutos resolveram esse problema. Com isto, vamos ter pessoas profissionais a trabalhar no clube e no fim podemos imputar resultados porque efetivamente foram remunerados. Agora abriu-se esse leque e acho que o Benfica ficou a ganhar com isso. Veio trazer uma mais-valia para o Benfica. Faz bem ao Benfica e estou plenamente de acordo.”
“O nosso projeto foi pensado para um Benfica europeu. É o único projeto que assenta no Benfica europeu, um projeto em que podemos facilmente disputar quartos, meias-finais e almejar uma Liga dos Campeões. O Benfica não pode crescer sem ambicionar ter títulos europeus. Na parte desportiva, é fundamental subirem à equipa principal dois ou três jogadores da nossa formação. Se singrarem, têm de ser pagos de acordo com a qualidade que têm. Depois, um treinador de projeto, que esteja disposto a estar quatro ou cinco anos no Benfica. A nível interno é simples: tendo uma equipa que lá fora disputa títulos, internamente não teremos problemas em vencer troféus. A partir do terceiro ou quarto ano teremos hegemonia em Portugal.”
“Há uma grande desmotivação dos nossos jovens atletas porque o modelo que está implementado no futebol não permite subir. Quero acabar com isso. A solução que eu tenho é financeira. Quero dar-lhes essa esperança. Depois é o sistema multi-clubes. Temos de ir atrás de clubes de uma terceira linha para implementarmos o modelo e escola Benfica. Assim poderemos chegar aos melhores dos melhores e quando vierem para o Benfica não precisarão de tempo para se adaptar porque num clube como o Benfica o tempo é dinheiro. O Benfica precisa de jogadores de excelência e abrirmos para esse mercado. Temos de exportar jogadores mas também treinadores, através do método Benfica. O Brasil e a Argentina são mercados vastos.”
Tendo uma equipa que lá fora disputa títulos, internamente não teremos problemas em vencer troféus. A partir do terceiro ou quarto ano teremos hegemonia em Portugal.”
“O futebol feminino tem muito para crescer e isso vê-se. Terá de haver algum investimento porque é um futebol diferente. O espetáculo terá de ser diferente mas é um futebol de futuro e diferente. Há cada vez mais pessoas a ver os jogos quando é na Luz. Temos uma equipa muito boa agora, embora tenha de sofrer alguns toques. Temos de ter um Benfica europeu. Também aqui, é importante haver isso.”
“Gosto muito de ganhar mas se o Benfica não estiver bem estruturado financeiramente não conseguiremos ganhar. O Benfica tem uma dívida muito grande e tem outro problema que nos está a matar: precisamos sempre de 100 milhões de euros ano após ano. Como se tem resolvido este problema? Com a venda de jogadores. Sou o único candidato que tem uma solução. Os custos estão a subir de forma muito elevada, temos de perceber porquê. Acreditamos que podemos reduzir em cerca de 15%. O Benfica vende-se pouco. O Benfica tem tantas pessoas que querem fazer negócio que passa a vida a fazer negócio. Tenho uma linha de crédito de 400 milhões para que esse valor me permita ter tranquilidade e não a necessidade de vender. Esse dinheiro dar-me-á tempo para lidar com outras pastas importantes, como o naming do Estádio.”
“Direitos televisivos? Não estou a gostar da forma como a negociação está a decorrer. O Benfica saiu e fez mal, saindo não defendemos os nossos interesses. Não defendo a narrativa de que o Benfica quer mais que os outros. Porque é que o Benfica tem de ir para uma negociação dessas a vender os seus direitos? O parceiro que vamos escolher é fundamental. Ele está identificado e nesta mesa só encontramos um ou dois com essa capacidade financeira e não será em Portugal. Acho que o Benfica ganharia três ou quatro vezes mais do que se vendesse os seus direitos. Depois dessa janela, espero que o Benfica tenha feito uma excelente negociação. Se vamos ter clubes mais pequenos ou jogar duas ou três vezes, não sei.”
[Apesar da euforia em torno de Freitas, Soares recupera. O debate com Zenha será decisivo. Quando acabar, nunca mais serão amigos. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador sobre as Presidenciais de 1986. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir o primeiro episódio aqui e o segundo aqui]
Luís Filipe Vieira: “O sonho é voltar à hegemonia. Eu não prometo, eu faço”
“O motivo para avançar foi saber a situação que o Benfica estava a atravessar. Entendi que o caminho não era o mais certo para o Benfica. Candidatei-me muito tarde, só pensei nisso há três meses e tal. Já passei por esta casa, tive muito sucesso e alguns desaires. O sonho que tenho e que todos os benfiquistas têm é voltar à hegemonia. Neste momento, facilmente irei identificar tudo com Mourinho. Temos de pensar em ganhar e em títulos, para além de conquistar a hegemonia. Temos talentos que devem estar na equipa principal. O Benfica terá de reter o máximo de talento. Houve um período em que não pudemos fazer, precisávamos de dinheiro, mas há caminho para no futuro retermos o máximo de talento. No último ano em que fui campeão no Benfica, em 2018/19, tínhamos sete jogadores portugueses no plantel e quatro da formação.”
“Remunerado? Não. Nunca fui, porque razão iria ser agora? Nomes? Acho que não devo fazer isso porque eu não prometo, eu faço. As pessoas já se habituaram. Eu não gosto de delegar. O diretor do Centro de Estágios do Benfica é um advogado, qual é a razão para isso? Tem de haver pessoas ligadas ao futebol. Não faz sentido falar do diretor de futebol até porque agora está a trabalhar. O regresso do Domingos Soares de Oliveira será muito importante para tudo o que temos de fazer nesta casa.”
“Dívida? Para quem chegou cá e não tinha nada… Vai ser muito mais fácil fazer essa recuperação agora do que no passado e doeu mesmo na altura. Neste momento não temos contas certas sobre tudo o que se passa no Benfica. O nosso presidente disse há dias algo que não pode dizer, dizer que foi tudo pela Covid-19. Pagámos a todas as pessoas que trabalhavam no Benfica. Nos últimos quatro anos, o Benfica teve muitas mais receitas. Temos de assumir quando erramos, quando não fazemos bem. Se alguém sofreu com a Covid-19 fui eu e os meus colegas. Lembro-me do dia, quando recebi aquela carta da Adidas e da Emirates… Tínhamos muito dinheiro em caixa, mesmo. Quem faz esse tipo de declaração, não faz sequer ideia.”
Já detetei dois terrenos possíveis com 200 hectares [para a construção de um novo estádio]. Os sócios poderão ser abordados. Temos de voltar a ter os 120 mil lugares. Temos espaço. Se já tínhamos no passado, por que não temos agora? Temos de ter o projeto da Cidade Desportiva do Benfica. Será um referendo que feito a todos os sócios do Benfica.”
“Direitos televisivos? Já ouvi dizer que o Benfica teve duas propostas. Dando primazia aos que sempre estiveram com o Benfica, penso que conseguirei entre 130 a 140 milhões de euros. Sei o que estou a pensar e os objetivos que quero atingir. A partir de 2028… Já disse ao presidente da Liga que isto não vai lá com falinhas mansas. Os principais operadores pediram aos grandes para ajudar no combate à pirataria. O Benfica será forte e liderará o processo da centralização, as pessoas têm de respeitar a marca Benfica. Seja onde for. Eu sou do tempo de negociar camisolas, antes de negociar com a Sagres, estávamos a negociar com a Galp, juntamente com o FC Porto e Sporting. Ficou acordado entre todos que o Benfica receberia mais 25%. Depois, conseguimos negociar com a Sagres um contrato anual de quatro milhões de euros com objetivos anuais indexados e depois tivemos de falar com os responsáveis dos outros clubes.”
“Estádio? O que tenho de criticar mesmo é a manutenção. Ainda agora, entrar no estacionamento do estádio arrefeci um bocado… Temos um problema grave: 23 mil Red Pass em espera mas estamos sempre lotados. Iremos ter uma conversa com o arquiteto que fez este estádio, queremos perceber qual o máximo possível, em termos de números e segurança. Temos outro problema grave, que é o estacionamento, mas também em termos de serviços. Temos de pensar sempre à frente. Já detetei dois terrenos possíveis com 200 hectares. Os sócios poderão ser abordados. Temos de voltar a ter os 120 mil lugares. Temos espaço. Se já tínhamos no passado, por que não temos agora? Temos de ter o projeto da Cidade Desportiva do Benfica. Será um referendo que será feito a todos os sócios do Benfica. Teremos de perder muita receita para fazermos obras destas no Estádio mas será sempre decidido pelos sócios. Lugares? O Mário Dias disse-me que mais apertado dava para 75 mil mas, mais ou menos apertado, a malta quer é que o Benfica ganhe.”
“Fizeram uns estatutos que por não haver votos eletrónicos há uma boa parte dos sócios benfiquistas que não votam. São estatutos que vão deixar o Benfica ingovernável, aprovados por 90% de oito mil sócios. E os outros? Há um plano, não é bem um projeto mas algo que nos propuseram em termos de caminho para lá chegar e que já estamos a mexer para que possamos chegar aos 700 ou 800 mil sócios. Onde tiver que defender o Benfica, eu vou defender. Pontapés na cabeça não vou permitir mais ao Benfica. Se eu não tivesse falado, se calhar aquele penálti do Braga não tinha sido assinalado e tinha perdido o jogo…”
Noronha Lopes: “Quero formação para vencer, não para vender, e sem esquecer identidade”
“Renumeração? Sim, por duas razões: princípio e transparência. O cargo pode ser exercido por todas as pessoas. Essa alteração nos estatutos veio democratizar, até para permitir mais possibilidades. Alguém que se dedique a tempo inteiro deve ser remunerado. Não é o facto de ser remunerado que me faz querer presidente do Benfica. Em 2020 não havia essa possibilidade. É por princípio e e por transparência.”
“No futebol teremos uma pessoa que dispensa apresentações, que é o Nuno Gomes. A reportar ao Nuno Gomes estará o Pedro Ferreira, fez parte da equipa que levou o Nottingham Forest aos lugares europeus. Temos também o Tomás Amaral, que será a ligação com a equipa de scouting, e o Vítor Paneira, que fará a ligação entre os jogadores emprestados e à prospeção. Não podemos ter vitórias quando temos quatro treinadores em quatro ou cinco anos. Garanto estabilidade porque há uma equipa que trabalha em conjunto. Essa equipa vai identificar os jogadores que podem vir da formação e as posições que não poderão teremos de ir lá fora. Quero uma formação para vencer, não para vender. Não basta dizer que se quer reter o João Neves, é preciso explicar como. A questão da identidade é algo que não se pode esquecer.”
“O perfil de jogador do Benfica tem que ter talento mas também integração cultural, saber o que representa o Benfica. Quando vejo jogadores dizerem que querem dar o salto, fico preocupado. Na área do futebol tem que haver coordenação entre formação e scouting. Não pode haver contratações do treinador, diretor desportivo… Têm que ser definidas em conjunto em face de uma filosofia. Tem a ver com o tipo de futebol que queremos, com os jogadores que contratamos, com os da formação que podem evoluir. Se há um treinador que pede um avançado que descia para as alas, não vamos contratar um finalizador.”
O Benfica tem que liderar o processo da centralização dos direitos. Tem que liderar e não saltar fora depois da vergonha da Taça. Podemos mudar os quadros, reduzir o número de equipas, mas tem que ser uma aproximação global. Se tiver de ficar sozinho a defender o Benfica, fico.”
“A dívida aumentou em quase 100 milhões de euros e a situação financeira tem que ser corrigida. A principal prioridade é equilibrar as receitas e despesas correntes. Temos um défice anual de 15 milhões. Com uma política de controlo e aumento de receitas, podemos transformar esse défice numa situação positiva de 30 milhões. Os FSE também aumentaram muito. É uma área para o qual vamos olhar e há naturalmente espaço para cortar, à volta de 10%. Vamos agir em conformidade depois de vermos a situação real. Posso vir aqui com o melhor plano de gestão, mas se não nos apurarmos para a Liga dos Campeões e se não tivermos um bom contrato de direitos televisivos tudo isso é muito mais difícil.”
“O Benfica tem que liderar o processo da centralização dos direitos. Durante três ou quatro anos, o Benfica apoiou um presidente da Liga, que eu nunca apoiei, que não acelerou este processo e que apresentou números que fariam com que o Benfica perdesse 20 milhões de euros por ano. O Benfica tem que ser valorizado pelo impacto que tem no futebol português. O Benfica tem que liderar e não saltar fora depois da vergonha da Taça de Portugal. Não há centralização sem o Benfica. Podemos mudar os quadros, reduzir as equipas, mas tem que ser uma aproximação global. Se tiver de ficar sozinho a defender o Benfica, fico.”
“Aponto para o aumento da capacidade do Estádio da Luz e para a sua modernização. Tenho um estudo que prevê o aumento da capacidade para 83 mil lugares e a sua modernização. Este estudo carece de informação que só vamos ter quando tivermos tudo em nossa posse sobre, não vamos fazer como no Benfica District. Quero apresentar primeiro aos sócios. O Benfica para ser respeitado tem que se dar ao respeito, estar na liderança de processos fundamentais e não abdicar de ter um papel importante das eleições para órgãos federativos. O Benfica não pode ser defendido em comunicados quando tudo está perdido.”
Rui Costa: “Colocámos o clube muito mais preparado e mais perto para ganhar”
“Recandidato-me porque no Benfica não se desiste. Estou muito mais confortável agora. O clube andou para a frente e não para trás nestes últimos quatro anos. Estou convencido que posso fazer mais e melhor, depois de quatro anos que não foram fáceis. Remuneração? Os novos estatutos assim o permitem, os sócios assim o votaram e acredito que seja algo positivo para o Benfica. Nunca fui por isso. Estou há cinco anos sem remuneração, vou continuar assim mas acredito que podemos criar uma equipa mais capaz para ajudar o Benfica se os outros órgãos sociais possam ser remunerados, como agora passou a estar previsto.”
“Ao longo destes quatro anos já fizemos uma reestruturação, obviamente que queríamos estar aqui com mais títulos do que os quatro que conquistámos. Colocámos o clube muito mais preparado e mais perto de poder ganhar. Poderia embelezar mais mas não creio que nenhum clube esteja em crise quando um clube que na última semana teve a possibilidade de disputar dois títulos, que esteve no Mundial de Clubes por mérito próprio, que conquista a Supertaça no arranque da nova época. Quando entrei, o Benfica vinha de três anos com uma Supertaça. Nem sempre acertámos nos jogadores porque quando se faz uma reformulação ampla é normal. O Benfica sempre teve no mínimo oito jogadores da formação, este ano tem 11. As pessoas esquecem-se do plantel que tínhamos há quatro anos e que este plantel é muito mais valioso e mesmo em termos de futuro. Os jogadores que estão emprestados neste momento são jogadores da formação.”
“O futebol da equipa profissional é comandado por um treinador que pode mudar esse sistema. O modelo ideal, mas que demora muito tempo a estipular, é começar desde as escolinhas até à equipa principal. Mas depois teríamos que ter um treinador que se adaptasse sempre a esse mesmo sistema. Preparamos os nossos jovens para que tenham uma adaptação mais fácil dentro dos sistemas. Mário Branco, o nosso diretor geral, terá à sua volta uma estrutura muito competente. Teremos um diretor do scouting dentro daquilo que temos, com toda uma equipa que nos apoia. Se há uma estrutura que está muito profissionalizada é a estrutura que está à volta não só da equipa principal, mas também da formação e do próprio futebol feminino.”
O clube está hoje muito mais pronto para encarar o futuro. Da mesma forma que falamos no passivo, é preciso relembrar que batemos todos os recordes da linha de receita. Reduzir custos e aumentar receitas? Claro mas isso foi muito do que fizemos neste mandato.”
“Passivo aumentou como o ativo aumentou… Nunca me escondi em nenhuma responsabilidade do clube ou quando algo não corria bem. Essa dívida está controlada, os últimos resultados mostram que já estamos na linha que queremos no futuro. Acontece sobretudo no ano em que entro e pelo impacto da Covid-19, da reestruturação do futebol e das obras no estádio. Ao mesmo tempo que aumentámos a dívida, também aumentámos o ativo. Nunca tivemos um problema com o fair play financeiro, nunca deixámos de cumprir os nossos compromissos com fornecedores, funcionários ou atletas. O clube está hoje muito mais pronto para encarar o futuro. Queremos reduzir esse valor para o que tínhamos quando entrámos no clube mas da mesma forma que falamos no passivo, é preciso relembrar que batemos todos os recordes da linha de receita. Reduzir custos e aumentar receitas? Claro mas isso foi muito do que fizemos neste mandato.”
“Sou a favor do naming do Estádio da Luz mas de um valor que corresponda ao valor do Benfica. O Benfica District traz-nos vantagens a todos os níveis. Temos tido abordagens e contactos mas não satisfatórios. Não entendemos que os valores sejam satisfatórios mas acredito que podemos fazer um contrato à medida do nosso clube. No Seixal haverá uma tentativa de aumentar campos porque precisamos de cada vez mais campos. O nosso estádio por dentro está muito mais bonito, agradável e apelativo para todos os adeptos. O Benfica District dará melhores condições aos adeptos, com pavilhões novos, piscina nova, expansão do estádio para os 80 mil lugares. É um projeto com receita de 40 milhões por ano. Será à parte do futebol, que se pagará por ele próprio. Nunca entraríamos num projeto como este se assim não fosse.”
“Enquanto Benfica, a maior instituição portuguesa e desportiva, temos a responsabilidade de zelar pelos interesses do futebol português e de estar à disposição do crescimento do mesmo. Tudo o que podermos fazer, vamos fazer com toda a gente, desde que nos respeitem. Estamos à disposição do futebol português mas nunca para sermos pisados ou desrespeitados, isso nunca vou permitir.”