A oposição política em Lisboa — PS, Chega e PCP — exige responsabilidades políticas após a divulgação do relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários sobre o acidente do Elevador da Glória, que fez 16 mortos e 23 feridos.
A ex-candidata do PS à Câmara de Lisboa, Alexandra Leitão, considera que as conclusões do relatório (que revelou que os cabos do elevador tinham várias desconformidades e não estavam certificados para o transporte de passageiros) são “graves” e pede consequências políticas pelo “conjunto de negligências e descuidos” que levaram à tragédia.
“O descuido e a negligência patentes neste relatório exigem que, ao mais alto nível, sejam tiradas consequências”, afirmou Alexandra Leitão em declarações à TSF. A socialista não pede, no entanto, a demissão de Carlos Moedas. Defende, por outro lado, que o presidente da Carris “não tem condições para continuar no cargo”.
Também os vereadores do PS na Câmara de Lisboa exigiram esta terça-feira a demissão da administração da Carris, na sequência das conclusões do relatório. “Os vereadores socialistas consideram que a liderança da Carris perdeu as condições para continuar em funções, face às contradições e à gravidade das conclusões conhecidas. Se o presidente do conselho de administração não apresentar a sua demissão, cabe ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa tomar essa decisão”, defendem os vereadores socialistas, acrescentando que “não é admissível que um acidente com vítimas mortais e feridos ocorra num equipamento público e que as consequências se limitem a sanções intermédias ou a um mero passa-culpas”.
Chega diz que relatório é “arrasador”
Também o vereador eleito do Chega Bruno Mascarenhas pede responsabilidades políticas. “Naturalmente que um relatório destes nunca poderia apontar falhas políticas. Agora, é preciso perceber que tem de se deduzir um conjunto de responsabilidades políticas, porque o relatório é arrasador”, disse o candidato do Chega a Lisboa nas últimas autárquicas, também citado pela TSF.
Bruno Mascarenhas realça também que “é preciso perceber que a Carris soube antecipadamente que este cabo que se rompeu não estava ajustado àquilo que era a função para a qual foi adquirido”.
Já o vereador do PCP João Ferreira diz que o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, que foi reeleito, tem agora a responsabilidade de “garantir que estas recomendações [que constam no relatório] são efetivamente implementadas”.
“Há uma responsabilidade também perante o que está para trás, que é explicar porque é que elas não tinham sido até agora implementadas”, afirmou o candidato às últimas autárquicas, em declarações à TSF.
O relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF), divulgado esta segunda-feira, aponta várias desconformidades no tipo de cabo que foi instalado em 2022 no elevador da Glória e em 2023 no do Lavra, cuja responsabilidade é imputada à Carris.
O relatório diz que o cabo instalado no elevador da Glória não correspondia à especificação da Carris para aquele veículo, não estava certificado para ser usado em instalações de transporte de pessoas e não era o indicado para ser usado com destorcedores nas extremidades, como está previsto na sistema deste ascensor.