O Teatro Nacional 21 realiza no sábado, no espaço Laboratório, em Lisboa, o “espetáculo performance” No horses, apresentação única que inclui a venda do espólio da companhia, disse esta quinta-feira à agência Lusa o ator Albano Jerónimo.

Baseado no álbum de estreia de Patti Smith Horses (1975), “que fala da libertação feminina e dos direitos das mulheres”, No horses é um projeto que a companhia fundada por Albano Jerónimo e Cláudia Lucas Chéu “já tinha em mente há algum tempo”, mas que “só agora”, após reunidas as “condições necessárias”, foi possível concretizar”, acrescentou.

Paralelamente ao “espetáculo performance”, que inclui “muita música”, o Teatro Nacional 21, “que existe há mais de 15 anos” vai ainda vender todo o espólio da companhia, numa “lógica de renovação ou de morte a partir de um renascimento, se quisermos”, enfatizou Albano Jerónimo.

A venda de garagem vai incluir “tudo o que é o espólio da companhia”, a “nível cenográfico, técnico e de tudo” o que tem acompanhado o seu trabalho, numa “lógica quase ecológica”, característica desta estrutura artística, “de dar uma segunda, terceira vida a material técnico e cénico” que se “possa transformar vendendo, e chegar a outras pessoas (…) que possam usá-lo exatamente” como aconteceu com o Teatro Nacional 21, acrescentou o ator à Lusa.

“No fundo” o que é feito “aqui é um ponto da situação de todo o trabalho desenvolvido até agora, para partir para outra lógica de trabalho”, acrescentou Albano Jerónimo, ressalvando que não está em causa o fim da companhia.

“As coisas às vezes precisam de ter um fim para renascerem de outras formas e nós, enquanto artistas, temos essa premissa de não ficarmos fósseis de nós mesmos ou presos àquilo que já conhecemos”, observou, adiantando que a construção desta venda de garagem equivale a “resistir”. “Resistir dentro desta reinvenção e, obviamente, dentro destas pequenas mortes que vamos tendo ao longo da vida”, precisou.

Sobre a reinvenção da companhia, Albano Jerónimo não adiantou mais pormenores, acrescentando que nem os próprios fundadores ainda sabem.

Equiparou, todavia, este momento à música de Miles Davis, por defender que “é nas pausas” que a música do trompetista e compositor norte-americano “existe”.

A interpretar No horses vão estar Albano Jerónimo, André Tecedeiro, Bruno Rosa, Cláudia Lucas Chéu, Eduardo Madeira, Íris Cayatte, Jessica Athayde, Madalena Massano, Maria Ladeira, Miguel Tira Picos , Mónica Alves, Pedro Lacerda, Rita Loureiro e Romeu Bairros, artista de formação musical, com quem todos estão a trabalhar “numa nova roupagem para partir do álbum de Patti Smith que será também uma nova vida”, indicou Albano Jerónimo.

O “espetáculo performance”, que tem uma apresentação única, às 21h30, conta ainda com um convidado surpresa, acrescentou Albano Jerónimo.

Cláudia Lucas Chéu disse à Lusa que a venda de garagem não significa acabar com a companhia Teatro Nacional 21.

“Não, não vamos acabar com a companhia e fundar outra. Mas queremos recomeçar com a casa limpa”, concluiu.