Pelo menos 164 pessoas foram detidas durante as manifestações de estudantes e bloqueios nesta segunda-feira em liceus da região de Paris, na véspera da greve do setor público convocada para esta terça-feira em toda a França.
Uma dezena de liceus da região da Ilha de França têm estado bloqueados pelos estudantes há uma semana, que protestam contra salas de aula superlotadas, falta de docentes e horários que consideram excessivamente sobrecarregados.
Os protestos escalaram para uma situação de “violência urbana”, nas palavras do ministro do Interior francês, Laurent Núñez.
Várias pessoas ficaram feridas nos distúrbios, incluindo “doze membros das forças de segurança”, “oito docentes, incluindo três diretores” e “uma dezena de estudantes do ensino secundário”, segundo o balanço do Ministério do Interior.
Isto não foi “uma manifestação típica”, mas sim “violência urbana”. “Os indivíduos estavam encapuçados, armados com projéteis e, claramente, queriam confrontar as forças de segurança”, explicou o ministro.
“Não podemos tolerar os excessos”, acrescentou. “Não podemos contornar as instituições democráticas através da violência”, respondeu, por seu lado, o ministro da Educação, Édouard Geffray, na France Inter, numa entrevista em que atribuiu a violência a “pessoas alheias” às instituições.
Entretanto, o principal sindicato estudantil, a União Sindical de Liceus (USL), apelou ao bloqueio de liceus em toda a França nesta terça-feira, por ocasião do dia de mobilização no setor público.
Já esta segunda-feira, os protestos espalharam-se para outras regiões como os Alpes Marítimos, Marselha, Lille, Grenoble, Lyon ou Sedan (Ardenas).
Em Lille, os estudantes denunciam a “falta de recursos e pessoal”, que “o refeitório é demasiado caro”, que as salas de aula são “demasiado quentes no verão e muito frias no inverno” e que há “percevejos e chuveiros partidos” no internato.
Em Créteil, há “um número significativo de centros envolvidos, particularmente em Val-de-Marne e Seine-Saint-Denis”, mas também em Seine-et-Marne, segundo fontes oficiais, que, no entanto, não especificaram números.
Nos Alpes Marítimos, dez liceus deixaram de funcionar, principalmente em Nice, Grasse, Cagnes-sur-Mer e Menton, segundo a autarquia, que destaca que a situação se desenvolve “em geral de forma tranquila”.
O movimento de protesto estudantil é motivo de confronto entre o Governo conservador e o partido de esquerda França Insubmissa (LFI) a sete meses das eleições presidenciais.
O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, criticou a “escalada irresponsável” por parte da LFI, que “pede a extensão” do movimento de bloqueio dos liceus, enquanto o líder do partido de esquerda, Jean-Luc Mélenchon, acusa o Governo de ter “ordenado a repressão”.
“Contrariamente à ideia que o Governo tenta promover, as suas reivindicações não são partidárias, mas estão relacionadas com as suas condições de vida e de estudo”, respondeu por sua vez a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT).
“Os estudantes do secundário não são arruaceiros: são jovens (…) que querem ser ouvidos”, acrescentou o sindicato.
O presidente da Câmara de Saint-Denis, do LFI, Bally Bagayoko, instou as autoridades a “vir falar com os estudantes do secundário e verificar por si próprias se esta juventude está a ser ‘instrumentalizada’ ou se simplesmente é capaz de pensar, organizar-se e defender as suas próprias condições de estudo e o seu futuro”. Bagayoko apoiou ainda as reivindicações “legítimas” dos estudantes.