O Grupo Volkswagen surpreendeu o mercado ao anunciar o encerramentos de quatro fábricas e o despedimento de pelo menos uma centena de milhar de trabalhadores, com o objectivo de aumentar os lucros, que entretanto caíram de forma preocupante. Mas tudo indica que este não é o único construtor germânico com problemas, uma vez que também a Mercedes se prepara para tomar medidas drásticas, que passam igualmente por despedimentos e fecho de unidades fabris.
Os construtores alemães estão a atravessar um período delicado, em que os problemas parecem surgir um pouco de todo o lado e as soluções que encontram para solucionar o problema original, muitas vezes só causam mais problemas. Como exemplo surge a aposta excessiva no mercado chinês, que efectivamente é o maior do mundo, mas que é governado com mão de ferro pelo Governo comunista liderado por Xi Jinping e onde até os carros que a população compra são os escolhidos pelo poder, se isso favorecer a estratégia de quem manda.
Vem isto a propósito dos problemas sentidos pela Volkswagen no mercado chinês, que liderou entre 1993 e 2023, ano em que foi ultrapassada pela BYD, que apostou mais forte nos veículos eléctricos e híbridos plug-in. Por não produzir os veículos que os chineses passaram a querer comprar, a VW viu as vendas cair dos 3,23 milhões de unidades em 2023 para 2,93 milhões em 2024 e para 2,69 milhões em 2025, o que significa uma quebra de cerca de 540 mil unidades em 3 anos. Mas o pior aconteceu em 2026, onde nos primeiros seis meses a VW vendeu apenas 971.000 veículos, sendo a primeira vez que a marca comercializou menos de um milhão de carros desde 2010.
Se a este mau desempenho na China somarmos a crescente concorrência chinesa na Europa e as reforçadas taxas nos EUA, é fácil perceber que a capacidade de produção possível entender as quatro fábricas que deseja encerrar na Alemanha, bem como o corte de 100.000 empregados até 2030. É claro que para os actuais problemas das marcas do grupo VW muito contribuíram os esforços dos fabricantes germânicos para forçar o Governo alemão a impedir a União Europeia (como o maior contribuidor para o seu orçamento) a aplicar as taxas de 100% que chegaram a ser ponderadas (e foram aplicadas nos EUA), em vez das actuais reduzidas em média a cerca de ⅓, para a exportações de modelos eléctricos chineses para o Velho Continente, para compensar as ajudas consideradas ilegais pelo WTO e pela Comissão Europeia.
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De acordo com declarações à Reuters, a Mercedes prepara-se para seguir as pisadas do Grupo VW, o maior grupo europeu (e segundo mundial), que comercializou 8,98 milhões de veículos em 2025 (dos quais 4,73 milhões só da VW), largamente acima dos 2,16 milhões da Mercedes. Michael Schiebe, o director de produção da marca da estrela prateada, começou por declarar que “o objectivo é manter em funcionamento todas as fábricas alemãs”, avançando depois que se forem incapazes de o conseguir, “vamos ter de encerrar uma fábrica de automóveis e outra de motores”.
O poderoso IG Metal, o sindicato alemão dos metalúrgicos, não ficou fã do que considerou ser uma ameaça da Mercedes, aconselhando desde logo a marca a esperar alguma resistência por parte do sindicato, apesar da dimensão dos cortes da Mercedes ser menos de ¼ dos previstos para a VW. Também a situação aflitiva que este construtor atravessa tem muito a ver com a China, onde as vendas da Mercedes caíram 30%, enquanto as tarifas norte-americanas implicaram prejuízos de 1,1 milhões de dólares só em 2025.