Bebem (e embebedam-se) menos, fumam menos, consomem menos substâncias ilícitas e têm mais tendência a usar medicamentos exclusivamente para fins médicos. Este é o retratos dos jovens portugueses entre os 15 e 16 anos quando comparado com os jovens dos restantes países europeus. No entanto, os adolescentes portugueses destacam-se negativamente num aspeto: nas apostas desportivas.

“A prevalência do consumo de álcool ao longo da vida [entre os jovens] diminuiu em 27 países em 2024. A maior descida desde 2019 foi observada nas Ilhas Faroé, seguidas pelo Mónaco, Portugal, Chipre e França. A Islândia foi o único país onde o consumo de álcool aumentou, em 4 pontos percentuais”, lê-se no relatório do European School Survey Project on Alcohol and Other Drugs (ESPAD). Os resultados agora divulgados remontam a 2024 e têm por base as respostas de 114 mil alunos de 37 países europeus. Em maio foram divulgadas as conclusões gerais, mas na edição de outubro surgem agora dados mais pormenorizados de cada país.

No que toca ao álcool, em Portugal a média de consumo ao longo da vida é de 64%, abaixo da média europeia (que é de 73%). Se olharmos apenas para os últimos 30 dias, o consumo dos jovens fica também abaixo da média (37% em Portugal versus 42% na média europeia).

E há mais: no que toca ao momento de ingerir pela primeira vez uma bebida alcoólica, em média na Europa, 33% dos alunos dizem tê-lo feito com 13 anos ou menos. E 8% dizem ter ficado embriagados com esta idade. No entanto, em Portugal, apenas 3,6% dos alunos se terá embebedado com esta idade. De acordo com o estudo, os países em que os alunos têm mais hábito de ingerir álcool são a Geórgia e a Moldávia, sendo que a as bebedeiras acontecem mais cedo na Bulgária e uma vez mais na Geórgia. Do outro lado da balança encontram-se o Kosovo, França, Portugal e Ilhas Faroé.

Apenas 5,4% experimentaram cigarros eletrónicos com 13 anos ou menos

Em termos tabágicos, no geral, 60% dos alunos consideram fácil ter acesso a cigarros eletrónicos. Segundo a média europeia, 16% dos estudantes fumaram cigarros eletrónicos com 13 anos ou menos (e a maior proporção de alunos que o fizeram estão na Estónia e Lituânia). Portugal uma vez mais, fica abaixo da média: apenas 5,4% dos estudantes inquiridos dizem ter experimentado estes cigarros com 13 anos ou menos.

Segundo o estudo, “em 13 de 37 países” inquiridos, pelo menos 50% dos estudantes experimentaram cigarros eletrónicos uma vez na vida. E só em 6 países (entre os quais Portugal) esta percentagem cai para um terço. Em Portugal regista-se também uma outra alteração ao padrão: ao contrário dos restantes países europeus, estudantes do sexo feminino têm maior tendência a usar estes cigarros ao longo da vida (46% no caso das raparigas, versus 41% no caso dos rapazes).

No que toca ao uso de medicamentos para fins exclusivamente médicos, os estudantes portugueses destacam-se por serem uns dos que mais o fazem. Entre os inquiridos, 7,7% dizem automedicar-se para a hiperatividade ou dificuldade de concentração, usar tranquilizantes ou sedativos sem prescrição, analgésicos com o objetivo de se drogarem ou esteroides. A média europeia está nos 14%.

Relativamente ao consumo de drogas ilegais, em média, 13% dos alunos europeus dizem tê-lo feito pelo menos uma vez na vida. Os alunos do Liechstenstein, República Checa, Eslováquia e Itália são aqueles que mais o fazem, por oposição aos alunos da Moldávia, Geórgia, Ilhas Fároe, Roménia, Macedónia, Moscovo, Suécia, França, Finlândia e Portugal. No caso português, esta percentagem é de 9,6%.

Quando falamos especificamente do consumo de opioides e canabinóides sintéticos ao longo da vida, na Europa são os rapazes quem, em média, tem mais tendência de consumo. Mas em Portugal  esta tendência inverte-se no que toca aos canabinóides: as raparigas são as principais consumidoras (2,1% face a 1,7% no caso dos rapazes). No entanto, a adesão dos estudantes portugueses a estas substâncias é baixa (1,9%) quando comparado com a média europeia (3,5%).

Pior desempenho é nas apostas desportivas online

É nas apostas desportivas que os alunos portugueses registam um pior desempenho. No último ano, 64% dos estudantes portugueses inquiridos dizem ter apostado a dinheiro em jogos desportivos na internet — assim, Portugal fica pela primeira vez acima da média europeia neste estudo, que neste caso é de 55%.

É neste hábito de consumo que mais se vinca a diferença entre estudantes do sexo masculino e feminino. Dos alunos portugueses inquiridos, 80% aposta a dinheiro online, face a 43% de alunas portuguesas.

Ainda neste tema, quando falamos de slot machines online ou de lotarias em espaço físico, no entanto, os estudantes portugueses estão em linha com a média europeia: 38% dos estudantes portugueses investiram na primeira opção nos últimos 12 meses e 56% investiram em lotaria num espaço físico (como raspadinhas).