Numa aparente inflexão do seu próprio discurso, e depois de ter gastado parte da fortuna a alertar para o perigo das alterações climática, o magnata norte-americano Bill Gates divulgou um comunicado no qual critica o alarmismo em torno do aumento global da temperatura do planeta e defende que as alterações climáticas não conduzirão à extinção da humanidade.
“Embora as mudanças climáticas tenham consequências graves — especialmente para as pessoas nos países mais pobres — não levarão à extinção da humanidade”, escreveu Bill Gates, citado pelo New York Times, acrescentando “as pessoas poderão viver e prosperar na maioria dos lugares da Terra num futuro próximo”. No comunicado, o dono da Microsoft pede um redirecionamento dos esforço para ajudar os países em desenvolvimento a liderem com as consequências das alterações no clima.
A atual posição de Bill Gates mostra uma mudança no pensamento do milionário, que, há apenas quatro anos, publicou o livro “Como evitar um desastre climático”, no qual elenca formas de eliminar as emissões de gases com efeito de estufa, a fim de evitar um “desastre climático”.
Ao longo da última década, Bill Gates investiu parte da sua fortuna (avaliada em 105 mil milhões de euros) na promoção de políticas para redução da emissão de gases com efeito de estufa e de combate às alterações climáticas. Os investimentos de Gates incluíram a compra de empresas de produção de energias limpas e iniciativas para ajudar comunidades pobres a se adaptarem aos efeitos das alterações climáticas (como a subida do nível do mar, calor mais extremo, incêndios, secas, além da intensificação de tempestades e inundações).
Fundação Gates doa 1,3 mil milhões de euros para ajudar pequenos agricultores em África e na Ásia
Em maio, Bill Gates já tinha anunciado o encerramento da Fundação Gates, que gastou milhares de milhões de dólares em questões relacionadas com clima, incluindo com ajuda a agricultores em países pobres para se adaptarem ao aumento da temperatura global.
Agora, e numa clara inflexão da posição quanto a este tema, o multimilionário norte-americano considera a que “a perspectiva apocalíptica” sobre as alterações climáticas “está a fazer com que grande parte da comunidade climática se concentre demasiado em metas de emissões de curto prazo”, desviando recursos de estratégias mais eficazes para melhorar a vida das populações num planeta que enfrenta um processo de aquecimento.
A posição de Bill Gates quanto às alterações climáticas é conhecida a poucos dias do início de mais uma cimeira anual das Nações Unidos para o clima — a COP30 —, que vai decorrer em Belém, no estado brasileiro do Pará, nos dias 6 e 7 de novembro. O encontro, no qual vão participar mais de 130 países, não vai contar com a presença de Bill Gates, que já marcara presença em anos anteriores.