Um primeiro insucesso nas meias-finais da Elite Cup, prova que abre a temporada no Pavilhão Municipal de Odivelas com as oito melhores equipas da época anterior. Um segundo insucesso na decisão da Supertaça de Portugal também contra o Sporting, naquele que poderia ser o seu primeiro troféu de 2025/26. Um terceiro insucesso no arranque do Campeonato, numa deslocação a Alcobaça para defrontar o Turquel. Um quarto insucesso na Final Four da Taça Continental, com mais uma derrota na decisão frente ao Óquei de Barcelos. Apesar de ter acabado de chegar ao FC Porto, substituindo o agora treinador do Barcelona Ricardo Ares, Paulo Freitas estava a ter um início complicado pelos campeões e seguia-se uma deslocação à Luz.

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“Assim como o que se passa de bom não podemos levar para os jogos seguintes, até porque é outra competição, quando perdemos, ainda mais. Temos de voltar a ganhar boas sensações e sabemos que temos um jogo bastante complicado mas vamos fazer tudo para estarmos bem e para ganhar. Queremos ultrapassar o mais rápido possível este mau momento. Tudo iremos fazer para virar isto. Estamos à espera de um Benfica muito parecido com o da época passada. Teve poucas mudanças, teve uma mudança na baliza e ainda lhes falta um jogador influente que se lesionou no final da época passada. São as mesmas ideias, uma equipa muito intensa e bem organizada, que ainda não sofreu golos no Campeonato. Sabemos que muito provavelmente iremos passar por momentos difíceis no jogo mas cabe-nos manter a calma e o foco naquilo que realmente importa e que temos de fazer”, apontara Rafa, avançado internacional dos dragões.

“É um jogo especial, sempre. Contra o FC Porto, contra o Sporting, são jogos especiais. Sabemos da importância que tem para os adeptos. Vamos dar o melhor de nós mesmos. Queremos uma equipa concentrada, intensa e paciente em todas as fases do jogo, para aproveitar os pontos fracos do FC Porto, que são poucos, mas que temos identificados. Queremos fazer um bom jogo, com a consciência de que temos de ser competitivos e aprender com os erros do passado. Saber que começar bem uma época é sinónimo de um bom início mas que não garante um bom final. Temos dois jogos bem jogados, nos quais fizemos bem as coisas e em que não sofremos golos. Estamos muito focados no próximo jogo, frente ao FC Porto, e jogamos em casa, que é especial. Temos de aproveitar”, destaca Edu Castro, técnico do Benfica.

Os encarnados chegavam ao primeiro clássico da temporada só com vitórias, a conquista da Elite Cup e dois triunfos com Turquel e Valongo no Campeonato sem consentir qualquer golo. Agora chegava o primeiro grande duelo da época depois do dérbi com o Sporting em Odivelas, num contexto de vitórias repartidas entre rivais mas com as águias a tentarem “vingar” a derrota nas meias-finais da Liga dos Campeões na última época que terminou com vitória dos dragões antes do desaire na decisão com o Óquei de Barcelos. Agora, voltou a dar Benfica, com um triunfo que colocar a equipa na liderança isolada do Campeonato e adensou a crise do FC Porto, que soma apenas três pontos noutros tantos encontros da prova.

O encontro começou marcado pelo equilíbrio, com algumas fases de jogo mais partido e uma preocupação comum às duas equipas em defender bem primeiro para depois tentar fazer a diferença no ataque. Foi nessa toada que se jogaram os minutos iniciais até que, na primeira oportunidade, surgiu o primeiro golo: João Rodrigues foi tocado no braço na área e Zé Miranda não falhou a grande penalidade para o 1-0 (9′). Se já não era um momento fácil para o FC Porto, pior ficou. Paulo Freitas ainda tentou parar o encontro com pausas técnicas mas era o Benfica que estava melhor, aumentando para 2-0 num golo a meias entre Zé Miranda e Gonçalo Pinto, num desvio junto à baliza (15′). Conti Acevedo, reforço dos encarnados para esta época na baliza, teve duas grandes intervenções que mantiveram a equipa sem golos sofridos no Campeonato e ainda houve tempo para o 3-0 pelo jovem prodígio Viti, numa incursão com remate cruzado pela direita (20′).

Os dragões teriam de fazer algo para mudar o rumo da partida, sob pena não só de averbarem nova derrota mas verem também o resultado avolumar-se com o passar dos minutos. Foi por isso que a reentrada na pista mostrou uma outra cara dos dragões, bem mais esclarecidos em todos os momentos de jogo e a reduzirem cedo a desvantagem num remate de Hélder Nunes (30′). Carlo Di Benedetto viu depois um cartão azul (31′) que deixou os azuis e brancos em under play durante dois minutos mas não só a equipa conseguiu segurar essa desvantagem numérica como teve uma oportunidade flagrante para entrar ainda mais no jogo, num livre direto pela décima falta dos encarnados que Hélder Nunes falhou perante Conti Acevedo (33′).

Apesar de algumas contrariedades, o FC Porto resistia. Zé Miranda desperdiçou uma grande penalidade por falta de Xavi Malián sobre Roberto Di Benedetto na área (35′), Rafa viu também um cartão azul sem que o Benfica tenha conseguido aproveitar a situação de superioridade (36′) e foi na parte final que chegaram mais bolas paradas que podiam fazer a diferença, com Gonçalo Alves a não converter um livre direto (41′) mas a não perdoar depois de um penálti sobre Carlo Di Benedetto (44′). Ficava tudo em aberto até Paulo Freitas arriscar o 5×4 e ver Nil Roca, de baliza aberta, marcar um golo ainda da sua pista para o 4-2 final (50′).