Em Guimarães, assistiu-se a um jogo de partes distintas. A primeira parte do V. Guimarães-Benfica dificilmente ficará na retina dos adeptos, que assistiram a um jogo rico taticamente, mas com pouca espectacularidade, com as duas equipas a privilegiarem o momento defensivo. Contudo, ao intervalo, José Mourinho inverteu o paradigma, lançou Andreas Schjelderup e Leandro Barreiro e, em poucos minutos, a sua equipa criou três oportunidades, chegando ao golo de bola parada, com Dodi Lukebakio a cruzar para a estreia de Tomás Araújo a marcar em 2025/26. Pouco depois, Samuel Dahl fez o primeiro golo na sua carreira e, no fim, João Rego saiu do banco para se estrear a marcar no Campeonato Nacional (0-3).

Foi em Guimarães que Dodi fez nascer um Benfica cada vez mais perto de ser o Benfica (a crónica do V. Guimarães-Benfica)

Na presente temporada, esta foi a segunda que os encarnados marcaram três golos fora de casa, ambos com Mourinho, que alcançou o mesmo resultado na estreia, frente ao AVS. Para além disso, o Benfica chegou à terceira vitória consecutiva, registo que não alcançava desde o final de agosto, ainda nos primeiros jogos da época. Em termos defensivos, as águias levam agora 529 minutos sem sofrer golos nas provas nacionais, tendo sofrido apenas dois golos nos oito jogos que fez entre Primeira Liga, Taça de Portugal e Taça da Liga. Na segunda parte do jogo deste sábado, o Benfica mostrou um grande fulgor ofensivo, com 17 remates, nove tiros à baliza, quatro cantos e 1,97 de golos esperados, para lá dos três golos.

“Os primeiros 15 minutos da segunda parte foram demolidores. Quando fizemos o golo, já podíamos ter feito três ou quatro. A equipa entrou muito, muito bem na segunda parte. Fui feliz na minha mensagem, fui feliz também nas alterações e a equipa, na segunda parte, atropelou. Depois, obviamente que com um jogador a menos, poder-se-à dizer que contra 10 foi mais fácil. Mas acho que 11 contra 11, no início da segunda parte, mostrámos que o jogo era nosso. Mão do treinador? Foram eles. Conversámos ao intervalo, vimos algumas coisas do ponto de vista tático e eles entenderam e conseguiram [colocar em prática]. Barreiro e Schjelderup entraram bem. Criámos muito, situações consecutivas, não sofremos emocionalmente quando falhámos a primeira, a segunda e a terceira vez”, começou por dizer José Mourinho na flash-interview da sport tv.

“Ao intervalo disse ‘quando se é agressivo e intenso, o golo vai chegar’. Mas da maneira como estávamos a jogar, o golo não ia chegar. Mérito aos jogadores. Ganhar em Guimarães não é fácil e da maneira como ganhámos é ainda mais difícil. Não é fácil. Não estou a utilizar muitos jogadores, estou a utilizar os que jogam consecutivamente, inclusive os que estiveram em campo há dois dias. A frescura física, para jogar como gosto de jogar, é necessária, bem como um determinado perfil de jogador, um ADN. Mas também é preciso frescura. E frescura numa equipa que joga sempre com os mesmos, para pedalar da mesma maneira durante 90 minutos… Mas aqueles 15 minutos foram demolidores. Tomás Araújo? Não está a ganhar nada, temos três grandes jogadores [centrais]. O capitão é o que é e os portugueses são fantásticos, de seleção. Depois há miúdos de qualidade. Não estou nada preocupado com essa posição, mas os três são três grandes jogadores”, completou o treinador setubalense.

Mais tarde, já na sala de imprensa do Estádio D. Afonso Henriques, Mourinho respondeu às críticas à arbitragem dirigidas por Luís Pinto, dizendo que já teve “a idade do Luís”. “Quando tinha a idade dele dizia mais parvoíce do que aquelas que digo agora. Agora digo menos. Ele é um jovem talentoso, tem um percurso muito bonito e se tudo correr vai chegar lá”. Para além disso, o treinador das águias antecipou o jogo com o Bayer Leverkusen: “É uma competição de um nível diferente. Se num jogo a meio da semana, para a Taça da Liga, o Estádio da Luz foi o Estádio da Luz, acho que nem sequer preciso de pedir fogo para quarta-feira. Temos que ir com tudo, ainda está em aberto. Hoje [sábado] foi um apoio lindíssimo. Na Luz, com 60 mil, tem que dar fogo. Quarta-feira tem que dar fogo”.