Uma equipa de investigadores alemães documentou, pela primeira vez, ratos-noruegueses — Rattus norvegicus, uma espécie invasora comum em zonas urbanas — a caçar morcegos em pleno voo, um comportamento até agora desconhecido. Publicado na revista Global Ecology and Conservation, o estudo mostra as imagens destes ratos a capturarem, matarem e alimentarem-se de morcegos no norte da Alemanha, levantando preocupações tanto de conservação das espécies como de saúde pública.
Talk about an in-flight meal.
For the first time, researchers have captured rats hunting bats by grabbing them from the sky. Learn more: https://t.co/diTO1zqjUf @NewsfromScience pic.twitter.com/UsayvLBXYZ
— Science Magazine (@ScienceMagazine) October 27, 2025
A investigação foi conduzida por biólogos do Museu de História Natural de Berlim, que instalaram câmaras de visão noturna e dispositivos de imagem térmica em dois importantes locais de hibernação de morcegos: uma gruta próxima de um teatro ao ar livre em Bad Segeberg e uma formação rochosa num parque público em Lüneburg. As gravações foram recolhidas ao longo de vários períodos de elevada atividade dos morcegos entre 2020 e 2024.
Em Bad Segeberg foram observadas 30 tentativas de caça, das quais 13 resultaram na morte do morcego. As câmaras registaram ratos a posicionarem-se na entrada da gruta e quando os morcegos passavam, eram agarrados e mortos com uma grande dentada. Embora em Lüneburg não tenham sido observadas capturas diretas, foram encontradas carcaças que indicam um padrão semelhante de captura.
Rats have been hunting bats in Germany. pic.twitter.com/mfDEYqTpi7
— furrymlarchy (@leninspiss) October 30, 2025
O comportamento surpreendeu os investigadores, já que os ratos tendem a alimentar-se de animais já mortos ou demasiado debilitados para fugir. “Até onde sabemos, este tipo de comportamento de caça ativa nunca tinha sido documentado cientificamente“, afirmou o biólogo Florian Gloza-Rausch, autor principal do estudo, sublinhando a elevada capacidade de adaptação dos ratos em ambientes urbanos.
Os investigadores salientaram, ainda, que tanto os ratos como os morcegos são conhecidos por terem “numerosos agentes patogénicos“, incluindo vírus associados a doenças que afetam humanos e animais domésticos, como o coronavírus na origem da Covid-19, a raiva e o Ébola. Embora o estudo não tenha analisado diretamente a transmissão de doenças, os autores alertam para o facto de este comportamento poder facilitar a passagem de vírus para os humanos.
Para além de questões de saúde pública, a ação destes ratos representa uma ameaça à conservação dos morcegos, que enfrentam a perda de habitat e a poluição luminosa. Os investigadores defendem, por isso, o controlo dos ratos em zonas consideradas sensíveis, melhorando a gestão do lixo e a manutenção dos esgotos.