António Santos estava a estacionar o carro quando “de repente ficou tudo escuro”. Ouviu “um estrondo, pensava que era trovoada”, conta ao Observador. Mas não. Era parte do telhado da estação ferroviária de Santa Apolónia, em Lisboa, a voar devido ao mau tempo. António, que mora perto, conseguiu sair ileso de dentro do automóvel, um dos sete que ficaram debaixo das chapas de metal, o telhado de cais de apoio aos comboios, que foi arrancado pelo vento na manhã desta quarta-feira. Não houve feridos, confirmou o comandante do Regimento de Sapadores dos Bombeiros de Lisboa.
O incidente ocorreu por volta das 10h59, na rua da Bica do Sapato, devido a uma “rajada de vento convectiva localizada na zona”, explicou Alexandre Rodrigues, em conferência de imprensa.
Ricardo Romeno, encarregado operacional da Junta de Freguesia de São Vicente, também estava no local no momento em que a cobertura caiu. Com outros trabalhadores, removia o material utilizado na véspera, terça-feira, dia 11 de novembro, na inauguração do novo jardim na rua, quando ouviu um “barulho ensurdecedor inesperado”, relata ao Observador. Nenhum deles foi atingido, mas a carrinha da junta ficou debaixo da cobertura.
Foi feita uma “avaliação visual” da restante cobertura e face aos alertas meteorológicos para esta noite de quarta-feira e manhã de quinta-feira verificaram-se as condições de segurança da infraestrutura, confirmou o comandante Alexandre Rodrigues. O mesmo responsável descartou ainda que tivesse sido qualquer falha de manutenção do telhado a causar o incidente.
A meio da tarde ainda decorriam os trabalhos de remoção dos telhados, que obrigaram ao corte parcial da rua da Bica do Sapato, na lateral da estação. Os Bombeiros Sapadores sublinham que esta operação poderá demorar, já que “estão a ser separadas, manualmente, as chapas da estrutura em madeira” por uma empresa contratada pelas Infraestruturas de Portugal (IP). “É expectável que estejam concluídos até ao final do dia”, dizem.
Esta é uma das consequências mais visíveis, para já, da depressão Cláudia, que se está esta quarta-feira a instalar em todo o país, sobretudo a partir do norte de Portugal, e que deverá trazer chuva e ventos acima dos 100 quilómetros por hora até ao próximo fim de semana.
O país encontra-se atualmente sob alerta amarelo, sendo que vários distritos (Aveiro, Beja, Castelo Branco, Coimbra, Faro, Guarda, Leiria, Lisboa, Santarém, Setúbal e Viseu) passarão a alerta laranja a partir das 21h.