Era Carlos Alcaraz vs Jannik Sinner pela 16.ª vez. E era também Carlos Alcaraz vs Jannik Sinner pela conquista de um troféu — outra vez. Espanhol e italiano voltavam a defrontar-se numa grande final pela terceira vez este ano e o resultado final iria equilibrar as contas ou colocar a matemática de um definitivamente à frente da do outro. Pelo meio, alguém tinha de ganhar o ATP Finals.

Em Turim, na coberta Inalpi Arena, os dois tenistas encerravam o ano a título individual depois de terem dividido 2025 ao meio: Carlos Alcaraz conquistou Roland Garros e US Open, Jannik Sinner venceu Open da Austrália e Wimbledon. A diferença? O espanhol ganhou os dois Grand Slams precisamente contra o italiano, enquanto que este perdeu duas vezes para o principal rival e só o bateu na relva e em Inglaterra, vencendo em Melbourne contra Alexander Zverev.

A final mais esperada para acabar um ano esperado: Sinner e Alcaraz carimbam favoritismo e vão defrontar-se na final das ATP Finals

Ora, este domingo e apesar de Jannik Sinner entrar no court com o apoio do público da casa, a verdade é que Carlos Alcaraz partia para a final com a certeza de que, independentemente do resultado, irá terminar o ano na liderança do ranking ATP. “Significa o mundo para mim, honestamente. Chegar ao final do ano no número 1 é sempre um objetivo. No início do ano cheguei a ver o número 1 muito longe, com o Jannik a ganhar praticamente todos os torneios em que entrava. Depois nos últimos três, quatro torneios do ano, lutei taco a taco com ele pelo lugar e consegui, finalmente. Significa tudo para mim”, defendeu o espanhol, que venceu Taylor Fritz, Alex de Minaur, Lorenzo Musetti e Félix Auger-Aliassime para chegar à final.

Jannik Sinner, por outro lado, chegava com o feito de se ter tornado apenas o terceiro tenista de sempre a chegar às quatro finais de Grand Slam e à final da ATP Finals num único ano, depois de Roger Federer (2005 e 2007) e Novak Djokovic (2015 e 2023). “Significa muito para mim terminar a época com uma final. Jogar mais uma diante do meu público torna tudo ainda mais especial. Independentemente do que acontecer amanhã, foi uma grande semana. Nem sei bem como descrever a temporada fantástica que tive”, disse o italiano, que derrotou Alexander Zverev, Ben Shelton, Félix Auger-Aliassime e Alex de Minaur para atingir o derradeiro jogo.

Sinner era o detentor do ATP Finals, tendo derrotado Taylor Fritz há um ano, enquanto que Carlos Alcaraz procurava um troféu inédito — numa final onde nunca sequer tinha estado. Depois de ambos terem aquecido com a ajuda de João Sousa, que apoiou a preparação dos dois finalistas em Turim, o primeiro set foi muito disputado e teve de ser resolvido com recurso ao tiebreak. Alcaraz começou melhor, Sinner beneficiou de uma interrupção para assistência médica a um espectador que se sentiu mal nas bancadas para recentrar a concentração e ninguém permitiu quebras de serviço, ainda que um espanhol tenha desperdiçado um decisivo ponto de break.

Num tiebreak muito contido para o habitual, Alcaraz cometeu erros não forçados que ofereceram o primeiro set a Sinner (6-6, 4-7) — numa altura em que o espanhol ia revelando algumas dificuldades físicas, sendo que até já tinha pedido um time out médico para receber assistência e surgia com a coxa direita ligada. Ainda assim, o italiano entrou de forma desastrada no segundo set, cometendo duas duplas faltas que deram de mão beijada a primeira quebra de serviço da final ao espanhol.

A desconcentração do italiano prolongou-se, acumulando um total de cinco duplas faltas, mas o espanhol não soube aproveitar e também permitiu uma quebra de serviço e nova igualdade no set. Num dos momentos mais importantes da final e também na troca de pancadas mais longa até então, num total de 24, Sinner alcançou uma vantagem que acabou por levá-lo à conquista do próprio jogo de serviço, depois de já ter contrariado um ponto de break, e pediu o apoio das bancadas numa reação bem mais emotiva do que o habitual.

O espanhol nunca conseguiu soltar a inspiração e o talento, mostrando-se algo frustrado e muito irritado com os próprios erros, quase capitulando na reta final. Em sentido contrário, o italiano ativou o modo “gelo nas veias”, carimbou um 40-0 no penúltimo jogo próprio e não deixou fugir o segundo set e a final, quebrando o serviço contrário no derradeiro jogo (5-7). No fim, Jannik Sinner venceu Carlos Alcaraz e conquistou o ATP Finals pelo segundo ano consecutivo e sem perder qualquer set, empatando também o registo de finais entre os dois em 2025 com duas para cada um — para além disso, encurtou para 550 pontos a distância para a liderança do ranking ATP.