Depois da despedida de Portimão, a despedida do MotoGP. Em Valencia, no último Grande Prémio de MotoGP da temporada, Miguel Oliveira cumpria também o último Grande Prémio de MotoGP antes de deixar o Campeonato do Mundo para se juntar ao de Superbikes. E se era certo que este é que era mesmo o último, o piloto português também tinha a noção de que as verdadeiras homenagens aconteceram na semana passada.
“Depois de todas as emoções que vivi durante o fim de semana do Grande Prémio de Portugal… Em Valencia será um passeio. Vai ser um fim de semana mais fácil em termos de emoções e de pressão, apesar de ser a minha última corrida em MotoGP. Sinto-me tranquilo com isso e espero poder ter um bom desempenho e lutar por pontos”, explicou no início do fim de semana.
Em termos práticos, porém, Miguel Oliveira terá ficado desiludido. O piloto português não foi além do 18.º tempo na qualificação e este sábado, na corrida sprint, cruzou a meta em 17.º — mantendo as críticas à mota da Prima Pramac Yamaha independentemente de estar prestes a deixá-la. “Foi um dia mau, tenho de admitir. Não esperava ter tão pouca aderência na traseira. Venho a queixar-me disso desde Portimão: não tenho aderência suficiente nas laterais para fazer a moto curvar e sinto que estou a correr muitos riscos com a dianteira. Não consigo usar todo o potencial da moto para sair das curvas. Estou a derrapar demasiado e não consigo levantar a moto e acelerar para sair da curva. Por isso, sim, foi um dia muito frustrante, porque sinto-me confortável a pilotar, mas a moto simplesmente não funciona”, vincou.
Assim, este domingo e já depois de Álex Márquez ter vencido a corrida sprint de sábado ao contrariar a pole-position de Marco Bezzecchi, o italiano da Aprilia conseguiu segurar a liderança da corrida principal no arranque — apesar de perseguido por muito perto por Álex Márquez. Antes de os semáforos se apagarem, porém, aconteceu algo raro: Franco Morbidelli e Aleix Espargaró bateram no momento em que se encaixavam na formação, com o primeiro a acabar mesmo por abandonar.
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Ora, Miguel Oliveira arrancou muito melhor do que no sábado e depressa chegou ao 13.º lugar, enquanto que Pecco Bagnaia ilustrou toda uma temporada muito azarada ao desistir após chocar com Johann Zarco. Mais à frente, Raúl Fernández surpreendeu Álex Márquez e subiu à segunda posição, enquanto que Marco Bezzecchi mantinha a tranquilidade no topo do pelotão.
O irmão de Marc Márquez sentiu claramente a perda do segundo lugar não resistiu à pressão de Pedro Acosta, primeiro, e de Fabio Di Giannantonio, depois, caindo para 5.º. Com o Mundial de MotoGP decidido desde setembro, com Marc Márquez a sagrar-se campeão do mundo pela nona vez e a falhar as últimas três etapas por lesão, Marco Bezzecchi já não deixou fugir a vitória e conquistou mesmo o derradeiro GP de Valencia. Raúl Fernández e Fabio Di Giannantonio encerraram o pódio, sendo que Álex Márquez foi mesmo 6.º permitindo ainda a ultrapassagem de Fermín Aldeguer.
Aos 30 anos, Miguel Oliveira despede-se do MotoGP com um 11.º lugar depois de sete temporadas e 116 corridas, tendo alcançado cinco vitórias e sete pódios, para além de uma pole-position e duas voltas mais rápidas. Começou na KTM, equipa que o ajudou a chegar ao vice-campeonato em Moto3 e Moto2, passou pela Aprilia e mudou-se então para a Yamaha, a última marca que representou antes da despedida.
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