A Microsoft arranca esta terça-feira com o evento anual Ignite e, sem surpresas, a maior parte dos anúncios e novidades estão ligados ao Copilot. É este o nome dado pela empresa a uma ferramenta de inteligência artificial (IA) que já foi integrada em várias áreas, desde o Teams ao Excel.

No mês passado, a Microsoft revelou que quer que os clientes usem o Copilot através de pedidos de voz. Primeiro, centrou-se nas empresas, mas agora anuncia a disponibilidade desta função para todos os clientes. E já não é preciso ter um computador para usar esta função. No evento, a Microsoft anunciou que “será possível falar com o Copilot como um colega de trabalho, através de voz na aplicação Microsoft 365 Copilot”.

“A partir do telefone, basta perguntar ao Copilot ‘quais são as minhas prioridades para o dia’ ou ‘atualiza-me sobre a reunião que perdi”. Esta novidade estará disponível para todos os utilizadores “em dezembro”. A ideia é que o Copilot se assemelhe cada vez mais a ter um assistente pessoal: por exemplo, no Outlook, a função de voz permitirá fazer triagens ao correio ou criar automaticamente eventos no calendário.

Outra das novidades deste evento é o Work IQ, descrito como uma plataforma que quer “amplificar o QI [quociente de inteligência]” do utilizador. Aplicável às empresas, a ideia é que a plataforma possa usar os dados disponíveis para “estabelecer ligações” — seja a partir de “emails, ficheiros, reuniões e conversas, preferências, hábitos, padrões de trabalho e relações” dentro da empresa. Em teoria, passa a haver “memória e inferência” nestas tarefas, a partir de experiências e contactos anteriores.

Por exemplo, através do Work IQ, o Copilot pode fazer sugestões sobre o tipo de agente (uma ferramenta de IA) que seja mais adequado para uma tarefa. Para ter acesso à informação que lhe permitirá ter contexto empresarial, a Microsoft explica que o Work IQ estará presente “nas aplicações que se usa todos os dias, como o Word, Outlook e Teams”.

Um novo painel para analisar o trabalho dos agentes de IA

Uma das principais tendências da IA aplicável às empresas são os agentes, ferramentas que podem estar a funcionar para assegurar tarefas complexas. O exemplo mais simples inclui um agente para marcar reuniões ou gerir o calendário. E, em alguns casos, os agentes de IA até já podem ser vistos como “colegas de trabalho” virtuais.

Os novos “colegas” de trabalho que “um dia vão queixar-se aos recursos humanos”. O que são os agentes de IA que estão a chegar às empresas?

Segundo as estimativas da IDC, é expectável que esta tendência dos agentes continue a crescer: até 2028, perspetiva-se que as empresas possam vir a ter 1,3 mil milhões de agentes para automatizar processos.

A própria Microsoft já entrou nesta onda dos agentes, aplicando estes ‘ajudantes’ ao Word, Excel e PowerPoint. Só que, de acordo com a Microsoft, a “maioria das organizações não tem ainda uma forma de observar, proteger e governar os agentes”. Assim, surge o lançamento de uma ferramenta chamada Microsoft Agent 365, com o intuito de concentrar num único ponto os trabalhos de todos os agentes. Segundo o anúncio, funcionará “quer os agentes sejam criados através de plataformas da Microsoft, frameworks [estrutura] de código aberto ou plataformas de terceiros”.

Num único sítio, será possível ter uma “visão completa de todos os agentes” implementados numa empresa, gerir acessos e perceber a interoperabilidade entre funções. Outro dos objetivos desta plataforma passa pela cibersegurança. A ideia é que, ao ter uma visão mais abrangente, seja possível “proteger os agentes de ameaças e vulnerabilidades, detetar, investigar e remediar ataques que tenham os agentes como alvo”.

O Microsoft Ignite começa esta terça-feira e decorrerá até 21 de novembro, em São Francisco, nos EUA.