A Microsoft confirmou esta segunda-feira que se retirou de um acordo com a startup britânica Nscale relativo a um centro de dados dedicado à inteligência artificial (IA) no Reino Unido, atrasando as ambições britânicas no setor.

A tecnológica norte-americana tinha acordado, no ano passado, alugar capacidade de computação à Nscale, um fornecedor de infraestruturas de IA apoiado por chips Nvidia, num centro de dados previsto para Loughton, a nordeste de Londres.

Um porta-voz da Microsoft indicou, numa declaração enviada à AFP, que a “decisão dizia respeito a um único local” e que a empresa “continuava empenhada na sua parceria com a Nscale”.

O acordo tinha sido anunciado em simultâneo com um investimento de vários milhares de milhões de dólares por parte de gigantes tecnológicos norte-americanos, durante a visita de Estado do Presidente Donald Trump no ano passado, que deveria contribuir para tornar o Reino Unido uma superpotência no domínio da inteligência artificial.

O antigo primeiro-ministro Keir Starmer tinha descrito o local de Loughton como “o maior centro de dados de IA soberano do Reino Unido”.

No entanto, alguns projetos de centros de dados têm dificuldade em avançar devido a preocupações relacionadas com o elevado custo da eletricidade e aos longos prazos de espera para a ligação à rede elétrica britânica.

“Continuamos empenhados tanto no projeto de Loughton como no Reino Unido, e estamos a explorar fontes alternativas de energia elétrica para o local, bem como outros locais de expansão no Reino Unido”, afirmou esta segunda-feira um porta-voz da Nscale.

“A nossa relação com a Microsoft continua sólida e de longo prazo, e este infeliz problema na rede londrina não tem qualquer impacto nos nossos outros contratos”, acrescentou a mesma fonte.

Os meios de comunicação britânicos noticiaram que a distribuidora de eletricidade britânica responsável pela região, a UK Power Networks, tinha informado a Nscale de que o local de Loughton não teria acesso à eletricidade antes da década de 2030.

Esta evolução surge num momento em que a Nscale se prepara para uma Oferta Pública Inicial em Nova Iorque, com uma valorização que poderá atingir os 35 mil milhões de dólares, segundo vários meios de comunicação.

No seu dossiê para a Oferta Pública, a Nscale sublinhou que “uma parte substancial das [suas] receitas contratuais provinha de um número limitado de clientes com grandes contratos”, nomeadamente a Microsoft e a Anthropic.

O acordo de Loughton representava apenas uma pequena parte dos contratos celebrados entre a Microsoft e a Nscale, precisou à AFP uma fonte próxima do processo.

No início deste ano, a OpenAI, criadora do ChatGPT, retirou-se de uma parceria com a Nscale e a Nvidia que visava estabelecer uma versão britânica da iniciativa norte-americana Stargate, prevendo investimentos de grande envergadura em infraestruturas de IA.