O primeiro-ministro afirmou nesta quinta-feira que o Governo tem na sua ação a mesma atitude de coragem e inconformismo de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, não se distraindo com “direitas, esquerdas e extremismo” e focando-se nas pessoas.

Em declarações aos jornalistas, na Basílica da Estrela, em Lisboa, após a missa em memória de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, que morreram há 45 anos, Luís Montenegro assegurou que o Governo, apesar das diferenças de contexto, trabalha com “o mesmo espírito” dos dois históricos do então PPD e do CDS.

“Uma atitude de coragem, uma atitude de transformação, de inconformismo, de grande convicção, de querer chamar todos para virem connosco, de não estarmos a olhar para aquilo que é lateral, secundário, olharmos para o que é essencial, para aquilo que nos dá força, para aquilo que alimenta a ambição e a capacidade do povo português, de respeitarmos a condição de cada um, de não deixarmos ninguém para trás”, detalhou.

O líder do PSD referiu-se a Portugal como “um grande país” com um “grande povo“, acrescentando que os governos “têm que aproveitar a capacidade do país para exponenciar o seu potencial” .

Questionado sobre se este é um PSD mais à direita do que o de Sá Carneiro, considerando, por exemplo, as políticas para a imigração, Montenegro respondeu que as forças que sustentam o Governo não se “distraem com direitas, com esquerdas, com extremismo” e “focam a sua ação política dando respostas às pessoas”.

Antes, o primeiro-ministro recordou a “onda de choque assolou o país” no dia do acidente aéreo de Camarate, em 4 de dezembro de 1980, e evocou ainda o nome de Francisco Pinto Balsemão, um outro fundador do PSD, que morreu em 21 de outubro.

Balsemão e Sá Carneiro foram lembrados por Montenegro como “duas referências da matriz identitárias do PSD“, associadas a valores de “coragem, espírito de missão, solidariedade, respeito e tolerância democrática”, bem como à necessidade de “seguir em frente” e “ultrapassar algumas resistências e dificuldades”, mesmo perante divergências.

“Seguir com a certeza de que o futuro depende de nós e depende do que somos capazes de fazer hoje e que, muitas vezes, o reconhecimento da certeza e do acerto das decisões precisa de algum tempo de amadurecimento”, acrescentou.

O líder do executivo disse ainda assumir um papel de responsabilidade, considerando que o Governo não é “revolucionário“, mas sim reformista, e não é “passivo perante a realidade“, nem pretende “deixar tudo na mesma”.

Montenegro defendeu que o projeto político iniciado em 1974 permanece central na atual ação governativa: “Este projeto, que começou em 1974 e que, de alguma maneira, teve um impacto muito forte com a morte precoce de Francisco Sá Carneiro, é um projeto que está vivo, que está muito bem vivo”.

Na missa marcaram presença diversas figuras do PSD e do CDS, bem como do atual elenco governativo. Ausente esteve o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que habitualmente comparece nesta cerimónia, mas cancelou a sua agenda dos últimos dias para repousar após ter sido operado a uma hérnia encarcerada.