Não foi o dérbi esperado, acabou por ser o dérbi aceitável. No dérbi deste sábado, José Mourinho optou por manter quase intacta a equipa que virou o resultado na Madeira, lançando apenas o regressado Richard Ríos por troca com Rodrigo Rêgo. Leandro Barreiro continuou na equipa que teve em Giorgi Sudakov o único extremo e o início não podia ter sido mais penoso, com as águias a colecionarem várias perdas de bola na construção e a “oferecerem” o golo inaugural a Pedro Gonçalves. A reação demorou 27 minutos a aparecer, com o ucraniano a empatar o jogo e a lançar o Benfica para uma exibição dominante, mas com poucas ocasiões de perigo e o empate a teimar em persistir (1-1).

Um dérbi que foi a cara de Maxi em todos os momentos (a crónica do Benfica-Sporting)

Frente ao Sporting, Sudakov tornou-se no sétimo jogador a estrear-se a marcar em dérbis nos últimos dois anos e juntou-se a Sergi Kandaurov como únicos jogadores da Ucrânia a marcarem em dérbis. Desta forma, terminou o interregno de 26 anos sem golos oriundos do país de leste em partidas entre águias e leões. Em termos coletivos, este foi o quarto empate nos últimos sete jogos no Campeonato Nacional entre os rivais, com uma vitória para o Benfica e duas para o Sporting. Foi também a primeira vez que se chegou aos três empates consecutivos na nova Luz, algo que não acontecia desde o período entre 1997 e 2000. Para além disso, voltou a registar-se uma expulsão seis jogos depois de Fredrik Aursnes ter visto o vermelho, em 2023/24.

Apesar de viver um momento mais positivo, o Benfica voltou a igualar a série negativa na Luz, levando agora três jogos sem ganhar. Se olharmos apenas à Primeira Liga, os encarnados têm mais empates em casa (quatro) do que vitórias (três), sendo que seis dos oito pontos foram perdidos no Estádio da Luz com José Mourinho, juntando-se mais dois no Dragão — Bruno Lage esteve no empate caseiro com o Santa Clara. Desde 2008/09, com Quique Flores, que o Benfica não tinha cinco empates à 13.ª jornada, sendo que, na presente edição do Campeonato, só o Rio Ave tem mais empates (sete).

O dérbi de Lisboa voltou a ser vivido de forma especial pelo Benfica que, desta feita, preparou novos contornos que elevarem este jogo a outro nível. Cerca de duas horas antes do pontapé de saída, os adeptos voltaram a “furar” o cordão policial e “invadiram” a Avenida Lusíada para receberem o autocarro, num receção calorosa que, ainda assim, esteve longe dos números do que aconteceu em maio. Já dentro do estádio, os responsáveis encarnados voltaram a contar com pirotecnia para receber os jogadores e exibiram uma longa tarja na bancada central do lado oposto aos bancos. Nesse desenho surgiu um adepto em grande plano a exibir um cachecol com a inscrição “nunca encontrou rival”, com os cachecóis alusivos às vitórias na Taça da Liga e na Supertaça, frente ao Sporting, nas laterais. Do relvado saíram efeitos vermelhos e brancos e uma enorme nuvem de fumo que até retardou o pontapé de saída.

A pirotecnia não se ficou pelo relvado e estendeu-se às bancadas, com os No Name Boys a detonarem engenhos pirotécnicos antes e durante do jogo, brindando os jogadores com uma tarja com a inscrição: “Só todos juntos vira o 39”. No outro lado, os Diabos Vermelhos aproveitaram o regresso à Luz para homenagearem Sérgio Caetano, líder da claque que morreu nas últimas semanas. “Nunca caminharás sozinho. Descansa em paz, Caetano”, apresentaram os adeptos, sendo que os jogadores associaram-se ao fatídico incidente e, através do capitão Otamendi, colocaram uma coroa de flores junto ao topo norte.