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Um dérbi que foi a cara de Maxi em todos os momentos (a crónica do Benfica-Sporting)

Este artigo tem mais de 6 meses

Sporting entrou melhor e podia ter feito mais, Benfica reagiu e ficou por cima. No final, ganhou o FC Porto. Porquê? Porque os leões ainda se encolhem e porque as águias não esticam como querem (1-1).

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▲Maxi Araújo esteve no melhor e no pior de um dérbi que terminou empatado e pode isolar mais o FC Porto na liderança da Liga

Getty Images

▲Maxi Araújo esteve no melhor e no pior de um dérbi que terminou empatado e pode isolar mais o FC Porto na liderança da Liga

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Já se tinham encontrado em agosto, voltavam a encontrar-se mais de quatro meses depois na mesma época. Agora não valia título, nem por isso deixava de ter impacto com tanto ou mais peso. Curiosidade: quem ganhou a Supertaça mudou de técnico, trouxe outras armas à equipa, atravessou um processo eleitoral sem precedentes na história do clube com duas voltas e estava mais pressionado pelos pontos que perdera a jogar em casa, ao passo que quem perdeu a Supertaça manteve a mesma identidade tática que ia construindo nesse momento e aproveitou a estabilidade que trazia da última temporada para fazer uma campanha que não esteve isenta de erros mas que tinha como grande força de bloqueio os “grandes” encontros nacionais.

José Mourinho não teve um início fácil pelos encarnados no regresso à Luz, conseguira agora uma série de três vitórias seguidas entre Taça, Liga dos Campeões e Campeonato mas continuava a ter dificuldades entre o nível exibicional e a capacidade de adequar os jogadores à disposição à ideia quer trazia – cenário que ficou mais adensado com a lesão de Lukebakio, que tirou ainda mais soluções para as alas e levou a que Leandro Barreiro ganhasse outra preponderância num jogo mais central a explorar a subida dos laterais. Contudo, e entre essas dificuldades, houve algo que também emergiu: nos jogos grandes, a equipa crescia e conseguia uma melhor adaptação ao contexto. Foi isso que aconteceu em Londres, apesar da derrota com o Chelsea. Foi isso que aconteceu no Dragão com o FC Porto. Foi isso que aconteceu frente ao Ajax.

“Agora guio um BMW que o Benfica me deu… Devo fazer publicidade à BMW e não à Ferrari… Fazendo jus à minha fama e proveito de ser forreta, o Ferrari ofereceram-me, nunca o compraria. Ganhámos os últimos três jogos, sim. Fizemos um jogo bem conseguido com o Ajax de acordo com os objetivos para esse jogo, com as nossas caraterísticas e limitações. No último, contra o Nacional, tenho a certeza que se em vez de sermos nós tivesse sido outra equipa portuguesa a fazer o jogo que fizemos, a amassar como amassámos, a criar como criámos, que teriam tido direito a comentários absolutamente fantásticos, falando de um nível avassalador, da qualidade de jogo, de super recordes, de remates… Acho que fizemos um jogo muito bem conseguido. Dívida com os adeptos nos jogos em casa? Há sempre dívida, principalmente quando, às vezes, possa parecer que a atitude da equipa não é condizente. No sentido de perder, de não jogar o jogo que os adeptos possam estar à espera, não é questão de dívida, é de responsabilidade”, frisara Mourinho.

Do lado do Sporting, e mais do que os resultados (nove vitórias e um empate depois da derrota em Nápoles e da igualdade em Alvalade com o Sp. Braga), Rui Borges encontrara uma estabilidade como há muito vinha a procurar esta temporada. Mais: mostrava que conseguia ganhar jogos a partir da estratégia preparada para o encontro, havendo esse exemplo paradigmático da forma como os leões deixaram sem argumentos o Club Brugge em Alvalade para evidenciar essa nova realidade dentro de uma identidade bem definida. O que faltava? Uma afirmação num jogo grande, depois da derrota na Supertaça com o Benfica, do desaire em Alvalade frente ao FC Porto na quarta jornada e da igualdade consentida nos descontos com o Sp. Braga.

“Olho para este jogo como para outro qualquer. Se é a melhor altura ou não, é o que é, não me foco muito nessas nuances. Olho para o que tem sido o caminho, que tem sido muito positivo e gradual na confiança, energia e qualidade de jogo. Isso é que me preza ver. Favorito? Vou responder como respondi no nosso jogo com o FC Porto: era 50/50 e caía para nós uma percentagem por jogarmos em casa. Até acabámos por perder. O Benfica tem pequeno favoritismo nesse sentido mas é muito repartido. Não vamos fugir à nossa ideia de jogo mas do outro lado está um grande equipa que nos vai obrigar a ser mais equilibrados em momentos. No processo ofensivo e defensivo, temos de perceber como podemos anular os pontos fortes do adversário. Vejo a equipa confiante, ligada. Percebem que estão a crescer e querem dividir o jogo, voltar a ter prazer a jogar. E isso, enquanto treinador, deixa-me mais tranquilo”, destaca Rui Borges na antevisão.

No final, sobrou um empate que favorece sobretudo o FC Porto sem que nenhuma das equipas chegasse aos objetivos que trazia. Com uma entrada muito melhor, o Sporting acabou por recuar, encolheu-se e arriscou sofrer um segundo golo da reviravolta quando deixara a ideia de que podia fazer muito mais. Já o Benfica, que cresceu após a igualdade, tentou esticar-se ao máximo em busca da vitória mas voltou a tropeçar num plantel que não tem as soluções necessárias para encontrar o que falta. Assim, o dérbi acabou por ser a cara de Maxi: quando arriscou na frente, desequilibrou e o Sporting foi melhor; quando ficou mais recuado sem tanta ajuda de Pedro Gonçalves com Dedic e Aursnes pela direita, mostrou que também tem algumas vulnerabilidades no posicionamento defensivo e o Benfica teve a melhor fase; quando as forças começaram a faltar de vez, foi entrando em picardias que pararam o jogo, quebraram o ritmo que as águias procuravam e foram sentenciando o 1-1 com destino inevitável de um encontro com uma segunda parte abaixo do esperado.

O encontro começou com ânimos quentes entre os sul-americanos Maxi Araújo e Richard Ríos, com muitas paragens quase à espera que o fumo da pirotecnia deflagrada na antecâmara do apito inicial passasse (a parte negra em homenagem ao falecido Sérgio Caetano, antigo líder dos Diabos Vermelhos) e com uma defesa de Trubin com o pé direito que evitou o primeiro golo logo a abrir, na sequência de uma perda de bola de Aursnes à direita com Luis Suárez a fazer a diagonal para dentro na área antes do remate cruzado (3′). As equipas iam tentando bloquear as primeiras fases de construção dos adversários, forçando o erro ou o passe mais longo à procura da profundidade, num encaixe onde era o Sporting que estava mais confortável em posse a partir do meio antes de explorar as alas enquanto o Benfica queria defender bem para explorar saídas em transição. Problema? Passar as zonas de pressão. E foi assim que chegou o 1-0, com Hjulmand a roubar a bola a Enzo Barrenechea à entrada da área e a isolar Pedro Gonçalves à frente para o golo (12′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Benfica-Sporting em vídeo]

Se os leões já estavam confiantes, a segunda oportunidade no segundo erro forçado que deu o primeiro golo veio reforçar esse estado de espírito: a linha defensiva trocava a bola sem problemas, o meio-campo estava a dominar as situações, o jogo pelas alas continuava a fazer a diferença, neste caso com Maxi Araújo a ganhar a frente a Dedic pela esquerda numa diagonal que acabou com um remate cruzado ao lado da baliza de Trubin (18′). Até mesmo quando o Benfica parecia recuperar algum ânimo, fruto de duas recuperações em zonas mais adiantadas e de um livre que podia trazer perigo mas que Sudakov atirou para a bancada, foi o Sporting que voltou a ameaçar, de novo com Maxi Araújo a vir ao meio, a correr mais de 30 metros com a bola sem oposição e a rematar rasteiro com perigo (26′). No entanto, e entre esse ascendente, bastou Richard Ríos ver um “buraco” na defesa leonina para chegar o empate: passe no espaço entre lateral e central à esquerda para Dedic, cruzamento rasteiro ao segundo poste e desvio de Sudakov à segunda para o 1-1 (28′).

A partir daí, e até ao intervalo, houve outro jogo. O Sporting foi tentando sair a partir de trás como fizera até ao empate mas não só perdia mais bolas também pela pressão do Benfica como não conseguia ligar tantas vezes na frente. Não houve oportunidades flagrantes até ao descanso mas Leandro Barreiro ainda teve um desvio ao primeiro poste após cruzamento da esquerda que foi desviado por Gonçalo Inácio para canto e Luis Suárez conseguiu tirar António Silva do caminho para rematar depois contra o pé de Otamendi, que foi mais rápido a fazer a “dobra”. O dérbi estava intenso, continuava em aberto e prometia muito para o segundo tempo, com os números a ficarem bem mais próximos entre os dois conjuntos pelos últimos 20 minutos dos encarnados com outra personalidade em campo à exceção da posse de bola que era 58% verde e branca.

O segundo tempo começou de forma bem mais fria, com as equipas com mais vontade de defenderem bem e não darem espaço do que confiança em forçar o erro e passar para a frente do marcador. Mais: com a saída dos dois conjuntos muito dependente da orientação de jogo dada pelos centrais, os únicos movimentos que fugiam à previsibilidade vinham dos laterais, com Dedic e Maxi Araújo a darem prolongamento a um dos melhores duelos do dérbi e com o lateral encarnado a arriscar a meia distância muito por cima (54′). Do lado contrário, na primeira vez em que o Sporting conseguiu fazer um ataque organizado em posse, Geny Catamo trabalhou bem na direita, cruzou ao segundo poste e Luis Suárez chegou ligeiramente atrasado (60′). Era altura das primeiras mexidas, com João Simões e Quenda nos lugares de Morita e Pedro Gonçalves.

O Sporting perdera o controlo do meio-campo e o Benfica aproveitava essa circunstância, com três remates em poucos minutos de Pavlidis, Aursnes e Sudakov todos enquadrados, todos para defesas seguras de Rui Silva e todos a aumentar a sensação de “perigo”. No entanto, e quando se pensava que haveria um assalto em definitivo à reviravolta, o jogo foi caindo de qualidade, os ânimos foram ficando mais exaltados quase sempre com Maxi Aráujo ao barulho e a oportunidade seguinte para mexer com o resultado só chegou nos últimos dez minutos em que Prestianni foi lançado, quando Richard Ríos rematou de pé esquerdo de longe muito perto da baliza leonina (81′). O jovem argentino acabaria por não jogar mais do que dez minutos, sendo expulso com vermelho direto no primeiro minuto de descontos por uma entrada a fazer uma tesoura a Geny Catamo quando tentava cortar uma saída rápida dos leões. A história do dérbi estava de vez fechada.

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