Não tem sido o passeio do costume na Ligue 1, continua a ser quase um passeio em termos internacionais. As várias lesões de habituais titulares têm causado mossa ao PSG, que chegou a meio de dezembro em segundo do Campeonato com um ponto de atraso em relação ao surpreendente Lens, mas, quando chegam os jogos grandes, a resposta está quase sempre presente – a exceção foi o encontro em casa com o Bayern, que acabou com uma derrota por 2-1. A vitória no Parque dos Príncipes diante do Tottenham foi mais um exemplo disso mesmo, com um hat-trick de Vitinha e mais uma grande exibição de João Neves. Fabián Ruíz, que por norma é o terceiro médio que se junta aos internacionais no meio-campo, diz que não são os únicos em boa forma na formação de Luis Enrique mas muito do que faz a equipa continua a passar pelos portugueses.

Na hora do Vitinha, nem a lei do atual evita que o galo caia no embalo: PSG bate Tottenham com hat-trick do português e assistência de Neves

“Nunca pensei que era mais do que alguém por ter dois, cinco ou dez troféus. Quero continuar a ganhar. Sabemos que a nossa qualificação para a fase seguinte está praticamente garantida mas o nosso objetivo é terminar no top 8. Vamos encarar um jogo de cada vez, como fizemos na temporada passada. Somos os detentores da Champions mas temos qualidade para voltar a ganhar. Final de Munique? Senti o maior alívio que alguma vez senti na vida…”, confidenciou João Neves, numa entrevista à UEFA onde falou também de todo o trajeto desde que saiu do Benfica e dos objetivos que pretende ainda atingir ao longo da carreira.

“Quero ser capaz de fazer um pouco de tudo. Talvez as pessoas me subestimem por causa do meu tamanho e pelo facto de não ter grande força física mas o futebol está cada vez mais tático e a inteligência tem talvez o papel mais importante. Se não és fisicamente forte, precisas de ser inteligente. Eu sempre vivi com a frase do meu pai ‘O mais difícil não é chegar, é manter’. O meu pai, sendo polícia, tinha uma maneira de educar mais rígida. Tinha de estar tudo em ordem e levei isso para a minha vida adulta. Não estaria onde estou se não fosse isso, não teria a perseverança e a resiliência que tenho”, destacou o médio.

Também esta semana, mas numa entrevista à Gazzetta dello Sport, Vitinha falou sobre o momento que está a atravessar depois de ter sido terceiro classificado na Bola de Ouro. “Estou numa boa fase mas não me esqueço que há maus momentos e críticas. O importante é manter-me o melhor possível para ajudar a equipa. Organização de jogo? Estou a trabalhar nisso desde que comecei a jogar futebol, aos seis anos. É uma das minhas forças. Posso não ter muitas skills mas tenho capacidade de passe. Trabalhei no duro, tive alguma sorte e pude contar com pessoas importantes, tanto do ponto de vista pessoal como desportivo. Luis Enrique? É talvez a pessoa com mais influência na minha carreira. É um bocadinho chato mas gosto disso porque só podes melhorar. É um grande treinador, não apenas no ponto de vista técnico ou tático, mas também humano. Faz a diferença neste nível”, salientou o médio formado nas escolas do FC Porto.

“Bola de Ouro? Os prémios individuais são bons mas ganhar os troféus coletivos é sempre melhor”, disse ainda a propósito dos elogios de Thomas Frank, treinador do Tottenham. “João Neves? Temos uma grande relação e demonstramos isso em campo. O João é uma grande pessoa, com muita personalidade. Ser português também ajuda porque entendemo-nos muito bem. Os jovens que têm aparecido no PSG têm uma alta qualidade, personalidade e foco para colmatarem as ausências. Neste clube, todos os encontros são importantes. Não distinguimos entre partidas da Liga, da Champions e da Taça. Perdes, estás fora”, frisou antes de mais um complicado teste, neste caso em Bilbau frente a um Athetic a precisar de fazer pontos.

No final, os bascos conseguiram manter um nulo que deixa um ponto importante ao San Mamés frente a um PSG que foi melhor, teve várias oportunidades mas não conseguiu somar mais um triunfo que podia colar a equipa ao Bayern na segunda posição da Liga dos Campeões. Grande destaque? De forma inevitável, Vitinha: 113 passes com 93% de eficácia, uma oportunidade criada, cinco contribuições defensivas, 138 toques na bola, dois dribles, 75% de eficácia no passe longo, seis recuperações e seis duelos ganhos onde ficou apenas a faltar… um golo. “O problema nestes jogos da Liga dos Campeões é que, quando não se marca, torna-se difícil. Tivemos muitas oportunidades que desperdiçámos. Pode acontecer, acontece, mas faz a diferença neste tipo de jogos. Se marcas, tudo muda”, comentou o internacional português no final.