A Polícia Metropolitana de Londres não vai “realizar nenhuma ação adicional” face à investigação sobre o pedido feito por André Mountbatten-Windsor, ex-príncipe André, em 2011 de informações confidenciais sobre Virginia Giuffre. As autoridades britânicas informaram que iam abrir uma investigação interna quando em outubro tornou-se pública uma troca de emails que revelava que o filho de Isabel II tinha solicitado dados, como o registo criminal de Giuffre, a mulher que acusou André de abuso sexual. O pedido terá sido feito a um elemento da polícia, que na altura era responsável pela proteção do então príncipe.
Num comunicado publicado este sábado, a comandante Ella Marriot, da Polícia Metropolitana, explica que “depois de notícias que sugeriam que André Mountbatten-Windsor pediu ao seu agente pessoal de proteção da Polícia Metropolitana que seguisse com uma investigação sobre a senhora Giuffre em 2011, a MPS não encontrou nenhuma prova adicional de ator criminosos ou má conduta.”
As autoridades destacam que estão “comprometidas em avaliar todas as novas informações sobre o tema”, entretanto, dizem que “até à data, não recebemos nenhuma evidência adicional que justifique reabrir a investigação. Na ausência de mais informações, não vamos desenvolver mais nenhuma ação”. Marriot diz ainda que se surgir qualquer novidade, incluindo “informações resultantes da publicação de materiais nos EUA, voltaremos a avaliar”.
▲ André e Giuffre estiveram juntos pela primeira vez em 2001 no apartamento de Ghislaine Maxwell em Londres
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Foi em 2015 que a Polícia Metropolitana recebeu as primeiras denúncias de atividades de tráfico sexual conduzidas por Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell em Londres — nomeadamente em 2001, quando Virginia Giuffre esteve na capital britânica para o primeiro encontro com André.
“Uma decisão foi tomada em novembro de 2016 de não avançar com uma investigação criminal. Esta decisão foi reavaliada em agosto de 2019 e novamente em 2021 e em 2022, em cada instância a posição de não investigar manteve-se inalterada, e a sra. Giuffre e a sua representação legal foram informadas”, diz o comunicado divulgado este sábado. Um dos motivos para a investigação não seguir em frente no Reino Unido estará relacionado com a idade de consentimento no país, que é de 16 anos, enquanto a alegada vítima tinha na altura 17.
Num livro de memórias lançado meses depois da sua morte, Giuffre relata em detalhes o encontro com André no apartamento de Maxwell em Londres, onde terá posado para uma fotografia que se tornou pública em 2011. Foi a divulgação da fotografia que motivou o então príncipe a pedir a investigação ao agente que era o seu segurança privado.
No email divulgado em outubro pelo Mail on Sunday, o irmão do Rei Carlos III diz a Ed Perkins, então vice-secretário de imprensa da Rainha Isabel II, que pediu ao seu segurança privado, membro da Polícia Metropolitana, que investigasse Giuffre fornecendo-lhe dados sobre a mulher. “Parece também que ela tem um registo criminal nos Estados Unidos”, escreveu o príncipe ao assessor de imprensa da monarca. “Dei a sua data de nascimento e número de segurança social para investigação ao oficial de segurança pessoal em serviço”. O jornal, entretanto, não confirmpu se o agente de segurança cumpriu o pedido de investigação. A família de Giuffre disse ao Mail on Sunday que Virginia não tem registo criminal.