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Polícia investiga pedido feito por André a agente de segurança por informações confidenciais sobre Virginia Giuffre

Este artigo tem mais de 6 meses

Após renúncia aos títulos reais, há pedido para André sair do Royal Lodge, o que implicaria indemnização de mais de 500 mil euros. Polícia investiga pedido do príncipe de informações sobre Giuffre.

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▲A última aparição pública de André foi no funeral da duquesa de Kent, em meados de setembro, quando foi fotografado ao lado de Carlos III e William

Getty Images

▲A última aparição pública de André foi no funeral da duquesa de Kent, em meados de setembro, quando foi fotografado ao lado de Carlos III e William

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Quatro dias depois de renunciar aos títulos reais, o príncipe André continua a ser o protagonista de uma grande crise dentro da realeza. Ao longo do fim de semana, a imprensa britânica divulgou novos emails comprometedores do filho de Isabel II que levaram à abertura de um inquérito policial, enquanto novas alegações publicadas no livro recém-lançado de Virginia Giuffre inflamam a opinião pública, que pede mais sanções — entre elas a expulsão do Royal Lodge. Entretanto, se for o caso, o contrato de arrendamento prevê que o irmão de Carlos III seja indemnizado em mais de meio milhão de euros.

“Acreditava que fazer sexo comigo era um direito de nascença”. Virginia Giuffre relata encontros com príncipe André em livro de memórias

Polícia investiga uso de segurança privada em caso Giuffre

A Polícia Metropolitana de Londres está a investigar as alegações de que o príncipe André pediu à sua segurança privada, paga com o dinheiro dos contribuintes, informações sobre Virginia Giuffre, horas antes da fotografia em que ambos aparecem juntos ter sido publicada, em 2011. A mensagem que o irmão do Rei Carlos III enviou a Ed Perkins, então vice-secretário de imprensa da Rainha Isabel II, foi divulgada no fim de semana pelo Mail on Sunday.

No email, André diz a Ed Perkins que pediu ao seu segurança privado, membro da Polícia Metropolitana, que investigasse Giuffre fornecendo-lhe dados sobre a mulher. “Parece também que ela tem um registo criminal nos Estados Unidos”, escreve o príncipe ao assessor de imprensa da monarca. “Dei a sua data de nascimento e número de segurança social para investigação ao oficial de segurança pessoal em serviço”. O jornal, entretanto, não confirma se o agente de segurança cumpriu o pedido de investigação. A família de Giuffre disse ao Mail on Sunday que Virginia não tem registo criminal.

Dias antes, o mesmo jornal divulgou emails de André a Jeffrey Epstein, nos quais reagia à publicação da fotografia comprometedora. “Estamos nisto juntos”, disse o príncipe, sobre a crise que se instalava diante da opinião pública. André ainda afirmou ao milionário acusado de exploração sexual que os dois “voltariam a brincar em breve”. Num outro email também divulgado, e enviado por Jeffrey Epstein ao advogado britânico Paul Tweed, o milionário revela que Sarah Ferguson “foi a primeira a celebrar” a sua libertação da prisão, com as duas filhas. “Visitaram-me com um polícia sentado à minha porta. Pediu-me por ajuda para as suas atividades de solidariedade social”, escreveu. As princesas Beatrice e Eugenie tinham 20 e 19 anos na altura. De acordo com o Daily Mail, as mensagens fazem parte dos ficheiros Epstein, que ainda estão a ser analisados pela justiça norte-americana para serem ocultados nomes e detalhes das vítimas antes da divulgação ao público.

▲ A fotografia em que André aparece a abraçar Giuffre foi tirada em 2001 -- quando a jovem tinha 17 anos

Photo by Shutterstock

Virginia Giuffre acusa André de contratar trolls online

Esta terça-feira, 21 de outubro, foi lançado Nobody’s Girl: A Memoir of Surviving Abuse and Fighting for Justice, o livro póstumo de memórias de Virginia Giuffre (que se suicidou, segundo a família, em abril deste ano), escrito há cerca de quatro anos, e no qual revela pormenores sobre a relação com André. Nele, Giuffre ainda acusa o filho de Isabel II de contratar “trolls online” para a assediarem.

Giuffre dá detalhes sobre o acordo confidencial firmado com o príncipe em 2022, no caso civil de abuso sexual que moveu contra o membro da realeza britânica na justiça norte-americana. “Íamos pedir pela lua”, escreve, sobre o valor que a equipa de advogados terá pedido para aceitar o acordo. “Tinha de ser mais do que mero dinheiro”, diz Giuffre. O valor acordado nunca foi confirmado, mas a imprensa britânica diz que terá sido de 9 milhões de libras, o equivalente a 14,3 milhões de euros na altura.

“Depois de colocar em causa a minha credibilidade por tanto tempo, a equipa do príncipe André teve de ir tão longe ao ponto de tentar contratar trolls online para me assediarem. O duque de Iorque deve-me um pedido de desculpas”, escreveu Virginia Giuffre. “Nunca conseguiríamos uma confissão, é claro. É para isto que os acordos são feitos. Mas estávamos a tentar a segunda melhor opção: um reconhecimento geral do que eu passei”. A mulher conta ainda que aceitou manter-se calada por um ano para não “manchar” as comemorações do jubileu de platina da Rainha em 2022.

[A 14 de janeiro de 1986 um acontecimento muda o rumo da campanha das presidenciais: a inesperada agressão a Soares na Marinha Grande. Nas urnas, o socialista e Zenha lutam por um lugar na segunda volta frente a Freitas. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador sobre as Presidenciais de 1986. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir o primeiro episódio aqui, o segundo aqui e o terceiro aqui.]

Saída do Royal Lodge pode render mais de 500 mil euros

As novas revelações do livro de Giuffre aumentam a pressão dentro da realeza por mais sanções ao príncipe, que abdicou dos títulos reais, como o de duque de Iorque, na passada sexta-feira. E há quem apele para que o Rei Carlos III expulse André do Royal Lodge, propriedade onde vive há décadas, incluindo um político britânico, o conservador Robert Jenrick. Ativistas anti-monarquia do grupo Republic protestaram esta tarde a pedirem a abertura de uma investigação às relações da família real com Epstein, com cartazes à porta da propriedade em Windsor. Uma casa pela qual o príncipe não pagará renda desde 2003 devido a um acordo recentemente revelado pela imprensa britânica.

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▲ Ativistas anti-realeza protestam em frente ao Royal Lodge

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De acordo com o contrato firmado em 2003 com a Crown Estate, a empresa que administra as propriedades da coroa em nome dos contribuintes, e publicado pelo The Times, o príncipe fica obrigado a pagar uma renda anual no valor de “um grão de pimenta” — o que na lei britânica significa um valor simbólico tão baixo quanto uma libra, que pode ser pago anualmente em contratos de longa duração. Entretanto, no caso de André, o pagamento não terá sido feito, porque o príncipe optou por pagar o valor adiantado e porque assumiu os custos de manutenção do palácio de 30 quartos em Windsor — incluindo a manutenção das pedras exteriores a cada cinco anos e a pintura interior a cada sete. Como inquilino, o príncipe também deve permitir que o senhorio inspecione o estado do Royal Lodge para assegurar que o contrato está a ser cumprido. O documento também especifica que não é permitido a aterragem de helicópteros e nem o desenvolvimento de atividades de jogo ou apostas dentro da propriedade. A família de André pode viver na mansão até 2078.

De acordo com a BBC, informações publicadas pelo National Audit Office revelam que André pagou adiantado pelo arrendamento um valor um milhão de libras, o equivalente a 1,1 milhão de euros, além de pelo menos 7,5 milhões de libras em remodelações, cerca de 8,6 milhões de euros. O valor terá sido acordado levando em conta uma renda especulativa de 260 mil libras por ano, com o reconhecimento de que seria difícil colocar a propriedade no mercado comum devido às restrições de segurança.

No contrato há ainda uma cláusula a dizer que se André saísse do Royal Lodge antes do prazo do contrato, poderia recuperar parte do dinheiro que havia adiantado, com esse valor diminuindo gradualmente ao longo do tempo, até que a garantia terminasse completamente após 25 anos. Como já se passaram mais de 22 anos desde a assinatura do contrato, se o príncipe deixasse a propriedade da coroa atualmente, teria de receber cerca de 213 mil euros para cada ano restante até 2028, ou seja, mais de 500 mil euros.

Contudo, o facto de o contrato exigir que o príncipe pague pela manutenção do Royal Lodge poderá ser um motivo para exigir que André volte a pagar a renda  ou seja alvo de um “despejo” avança o Telegraph. De acordo com o jornal, o príncipe perdeu recentemente um contrato com a Startupbootcamp (SBC), empresa dos Países Baixos que financia startups através de contactos com investidores e programas de aceleração, no âmbito do seu antigo projeto Pitch@Palace.

O acordo havia sido firmado no verão de 2024, quando a SBC terá tido discussões com altos funcionários do Palácio de Buckingham para “procurar aprovação para continuar as negociações dos termos comerciais e iniciar o planeamento de atividades” da rede Pitch@Palace no Médio Oriente e na Ásia. Na altura, terá ficado acordado que a SBC não incluiria em materiais promocionais nem o nome do Palácio de Buckingham nem as conexões oferecidas pelo príncipe André.

Aliás, Carlos III cortou a ajuda financeira a André no ano passado, já numa tentativa de retirar o irmão da propriedade em Windsor. Neste momento a única fonte de rendimento do príncipe é a pensão paga pela marinha no valor de 23 mil euros anuais.

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