A sociedade de advocacia Ana Bruno & Associados irá realizar uma investigação interna “o mais exaustiva possível” após a detenção do advogado Paulo Abreu dos Santos, adjunto da antiga ministra da Justiça que foi colocado sob prisão preventiva por suspeita de abuso sexual e pornografia de menores e que trabalhou como consultor durante dois anos na firma.

Filipe Eusébio, sócio da firma, explica ao Observador que Paulo Abreu dos Santos acumulou o exercício da advocacia “com a sua atividade docente na Faculdade de Direito”. “No total esteve connosco, com interrupções devido a obrigações que teve enquanto assistente convidado na referida Faculdade, cerca de dois anos”, detalha.

Adjunto de antiga ministra da Justiça detido por suspeitas de abuso sexual e pornografia de menores. Ficou em prisão preventiva

A Polícia Judiciária (PJ) realizou buscas ao escritório e analisou a secretária de Paulo Abreu dos Santos. Não terão sido encontrados materiais de interesse para a investigação neste local, ao contrário do ocorrido nas buscas domiciliárias: segundo a CNN Portugal, foram descobertas na casa do advogado provas incriminatórias como vídeos de crimes sexuais contra crianças a serem cometidos pelo próprio.

Filipe Eusébio relata que, na altura das buscas, não sabia a natureza dos crimes em causa, que deixou os membros do escritório “em choque” e “muito consternados”. “O escritório colaborará sempre em tudo o que lhe seja solicitado”, assegura o sócio da Ana Bruno & Associados.

Nunca foram feitas queixas contra Paulo Abreu dos Santos na firma. O advogado “já não colaborava com o escritório no dia em que as buscas foram feitas” e por isso, tinha sido retirado o nome do site do escritório, afirma ao Observador.

Paulo Abreu dos Santos foi adjunto da anterior ministra da Justiça Catarina Sarmento e Castro, do PS. Tem 38 anos e foi investigado pela PJ em parceria com o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.

De acordo com a CNN, as autoridades nacionais foram avisadas sobre o suspeito pelos Estados Unidos da América, na sequência de uma monitorização de crimes sexuais contra menores nas plataformas Telegram e Signal.