Era jogar de cadeirinha à procura do único resultado que interessava. Depois das goleadas de Sporting e Benfica, o FC Porto encerrava a 14.ª jornada da Primeira Liga contra o Estrela da Amadora à segunda-feira, já perto das 21h e com a certeza de que só podia ganhar se quisesse manter a distância numa liderança que já dura desde o início da temporada.

E a verdade é que, olhando para os últimos dias dos dragões, o regresso às sensações desse início de temporada parece ser cada vez mais uma realidade. Depois de um período menos fulgurante que incluiu derrotas na Liga Europa e até a eliminação da Taça da Liga às mãos do V. Guimarães, a equipa de Francesco Farioli voltou a acelerar contra Tondela e Malmö e aproximou-se dos índices exibicionais há meses — oferecendo razão ao treinador italiano, que sempre disse que não era justo questionar uma eventual quebra de rendimento da equipa.

Ficha de jogo

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FC Porto-Estrela da Amadora, 3-1

14.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: Miguel Fonseca (AF Porto)

FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa (Martim Fernandes, 75′), Bednarek, Kiwior, Francisco Moura, Alan Varela (Pablo Rosario, 64′), Victor Froholdt, Rodrigo Mora (Gabri Veiga, 75′), Pepê (William Gomes, 64′), Borja Sainz, Samu (Deniz Gül, 82′)

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, Stephen Eustáquio, Dominik Prpic, Angel Alarcón

Treinador: Francesco Farioli

Estrela da Amadora: Renan Ribeiro, Luan Patrick, Bernardo Schappo, Otávio, Sidny Cabral (Jorge Meireles, 84′), Paulo Moreira (João Gastão, 76′), Oumar Ngom, Ianis Stoica (Jefferson Encada, 61′), Abraham Marcus (Rodrigo Pinho, 76′), Kikas (Jovane Cabral, 61′), Alexandre Sola

Suplentes não utilizados: David Grilo, Robinho, Luís Caica, Atanas Chernev

Treinador: João Nuno

Golos: Samu (gp, 17′), Abraham Marcus (60′), Francisco Moura (63′), Sidny Cabral (ag, 73′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Bernardo Schappo (48′), a Bednarek (54′), a Jovane Cabral (86′), a Otávio (90+1′)

“Temos de estar muito conectados com o nosso caminho. Já mencionei aqui as dificuldades que esperamos ter amanhã. É um adversário que mudou recentemente de treinador, que gastou dinheiro na contratação de alguns jogadores. Sabemos o quão importante é vencer jogos, principalmente numa Liga que é muito exigente e não nos permite diminuir o estado de alerta nem por um segundo. Ainda no último jogo aconteceu isso, num período de segundos. Tudo bem que foi um jogo de Liga Europa, mas pode acontecer em qualquer cenário. Ainda não conquistámos nada e, se queremos fazer algo de relevante no futuro, o jogo de amanhã será super importante”, disse Farioli, que também aproveitou para pedir a presença dos adeptos no Estádio do Dragão apesar de se tratar de uma segunda-feira à noite.

Assim e já com Gabri Veiga e Rodrigo Mora à disposição depois de terem recuperado dos respetivos problemas físicos, o treinador dos dragões apostava na titularidade do jovem português e ainda deixava o espanhol no banco. Alberto Costa voltava à direita da defesa, em detrimento de Martim Fernandes, e Alan Varela também aparecia no meio-campo ao invés de Pablo Rosario. Do outro lado, num Estrela da Amadora que vinha de uma vitória e que derrotou o FC Porto na temporada passada na Reboleira, João Nuno apostava em Kikas e Abraham Marcus no setor mais adiantado.

O FC Porto começou a toda a velocidade e poderia ter marcado em diversas ocasiões logo nos instantes iniciais: Samu cabeceou ao lado (1′), Pepê obrigou Renan Ribeiro a uma defesa atenta com um remate de primeira na área (3′) e Rodrigo Mora, logo a seguir, também atirou para mais uma intervenção do guarda-redes brasileiro (4′). O Estrela da Amadora até respondeu com um pontapé de Ianis Stoica de muito longe que passou ao lado (5′), mas demonstrava-se completamente subjugado à superioridade do adversário.

Samu acertou na baliza ainda dentro dos dez minutos iniciais, num lance em que Renan Ribeiro ficou muito mal na fotografia, mas a jogada foi anulada por fora de jogo do espanhol (8′). Pouco depois, porém, contou mesmo. Alberto Costa foi travado em falta por Bernardo Schappo na área tricolor e Samu, na conversão da grande penalidade, abriu o marcador e marcou pelo terceiro jogo consecutivo (17′).

O golo trouxe também um travão de mão para o jogo. Pouco se jogou depois do penálti de Samu e até à meia-hora, entre paragens longas para assistência a jogadores do Estrela da Amadora e diversas interrupções, e a equipa de João Nuno acabou por conseguir sobreviver ao ímpeto do FC Porto através da simples incapacidade de sair a jogar. Os dragões só voltaram a ficar perto de marcar já perto do intervalo, com Samu a rematar por cima (39′) e Borja Sainz a falhar também o alvo (40′), e o resultado não voltou a mudar.

Ao intervalo, o FC Porto estava a vencer o Estrela da Amadora no Dragão e mostrava-se muito superior aos tricolores, que pareciam ter feito os cerca de 300 quilómetros de viagem para nada mais demonstrar que não o momento de organização defensiva. Ainda assim, o resultado dos dragões era magro e curto e não era possível passar ao lado da ideia de que a equipa de Francesco Farioli estava a contar com uma noite de absolutos serviços mínimos para conquistar os três pontos.

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e a partida mantinha a mesma toada: lento, com pouca intensidade e ritmo, sem que o FC Porto quisesse procurar o segundo e com o Estrela da Amadora a não buscar mais do que manter-se vivo. À passagem da hora de jogo, porém, o Dragão abanou sem que ninguém estivesse à espera: Sidny Cabral cruzou na direita e Abraham Marcus saltou mais alto do que Alan Varela na grande área para cabecear, bater Diogo Costa e empatar (60′).

João Nuno mexeu logo a seguir, lançando Jovane e Jefferson Encada, mas a igualdade pouco ou nada durou. Já depois de Samu ter obrigado Renan Ribeiro a uma defesa apertada (62′), uma enorme confusão na sequência de um canto na direita deixou a bola nos pés de Francisco Moura, que atirou para recuperar a vantagem (63′). Francesco Farioli aproveitou para fazer duas substituições, colocando Pablo Rosario e William Gomes, e o jogo não demorou a regressar à dimensão congelada que os dragões pareciam preferir.

O xeque-mate, contudo, acabou por aparecer já dentro dos últimos 20 minutos. Rodrigo Mora soltou-se na direita e cruzou atrasado, com Sidny Cabral a aparecer a antecipar-se a Alberto Costa e a intercetar para trair Renan Ribeiro (73′), num autogolo que ainda fez Samu festejar o bis mas que foi mesmo atribuído ao cabo-verdiano. Farioli respondeu com as entradas de Gabri Veiga e Martim Fernandes, lançando também Deniz Gül pouco depois, e já nada mudou até ao fim.

O FC Porto venceu o Estrela da Amadora no Dragão, somou o sexto triunfo consecutivo no Campeonato e manteve a vantagem para Sporting e Benfica na liderança. Numa noite em que muitas vezes faltou a vontade, principalmente depois de Samu ter inaugurado o marcador na primeira parte, Francisco Moura foi o dono da obrigação logo após o empate e deu um pontapé para acabar com a confusão.