Uma menina de 10 anos, um polícia reformado, dois rabinos e um engenheiro francês estão entre as nove vítimas mortais cujas identidades foram entretanto confirmadas do ataque a um evento judaico na Bondi Beach, em Sydney, na Austrália. No domingo, dois atiradores — pai e filho, este último investigado por ligações ao Estado Islâmico — abriram fogo contra uma multidão que celebrava o primeiro dia do Hanucá. O último balanço dá conta de 16 mortos, incluindo um dos atiradores, e 38 feridos, sendo que 27 continuam internados.
Matilda tinha 10 anos e é a vítima mais nova do ataque. O seu primeiro nome foi confirmado pela família, que cedeu à imprensa australiana uma fotografia da menina. “Uma grande tragédia atingiu a minha família”, escreveu a tia da criança nas redes sociais, citada pelo The Guardian. “A minha amada sobrinha Matilda foi morta durante o ataque terrorista em Bondi Beach. Não sei como vamos sobreviver ao luto”, disse ainda. A menina ainda chegou a ser levada para o hospital infantil de Sydney, mas não sobreviveu aos ferimentos.
▲ Matilda, de 10 anos, é a vítima mortal mais jovem do ataque
fotografia cedida à imprensa pela família
O britânico Eli Schlanger, de 41 anos, foi o primeiro a ser identificado como um dos mortos. É pai de cinco filhos, sendo que um deles nasceu em outubro deste ano. Rabino em Bondi Beach, é um dos organizadores do festival de Hanucá. Era também defensor da ofensiva israelita em Gaza, tendo visitado os soldados na linha de frente cerca de duas semanas depois do ataque de 7 de outubro de 2023. O rabino também tinha partilhado nas redes sociais em setembro uma mensagem dirigida ao primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, a pedir-lhe que apoiasse Israel e não assinasse o reconhecimento do Estado palestiniano. “Como rabino em Sydney, imploro que não traia o povo judaico, e muito menos o próprio Deus”, escreveu. “Judeus foram arrancados das suas terras repetidas vezes por líderes que agora são lembrados com desprezo nas páginas da história. Tem a oportunidade de ficar do lado da verdade e da justiça”, pediu o rabino ao chefe de Governo australiano, que reconheceu o Estado da Palestina em setembro, decisão tomada juntamente com outros países.
▲ O rabino britânico visitou os solados israelitas em Gaza em outubro de 2023, quando posou com equipamento militar
Reprodução Instagram
A morte de outro rabino envolvido na promoção do Hanucá, Yaakov Levitan, foi confirmada esta segunda-feira pelo movimento ortodoxo Chabad, que organizou o evento na Bondi Beach. Levitan foi descrito como um “coordenador popular” das atividades em Sydney.
▲ O rabino Yaakov Levitan, um dos promotores do Hanucá em Bondi Beach que morreu no ataque deste domingo
anash.org
Outra vítima que foi identificada pela família durante a noite do passado domingo é Alex Kleytman, um homem ucraniano que sobreviveu ao Holocausto e a uma passagem pela Sibéria. Em declarações ao Daily Mail, a sua mulher, Larisa Kleytman, diz que o casal veio de Mattraville, a 11 quilómetros de Bondi Beach, para participar nas celebrações de Hanucá. “Acho que foi baleado porque se levantou para me proteger”, afirmou a mulher. Os dois são casados há 57 anos, têm dois filhos e 11 netos.
▲ Alex Kleytman, sobrevivente do Holocausto e imigrante ucraniano, morreu ao tentar proteger a mulher dos atiradores
Jewish Care annual report
O australiano Peter Meagher, conhecido como Marzo, também foi identificado como uma das vítimas mortais pelo clube de râguebi no qual é voluntário. O polícia reformado serviu durante 40 anos nas forças de segurança australianas e estava a trabalhar como fotógrafo freelancer no evento. “Foi uma catástrofe, estar no lugar errado à hora errada”, diz o comunicado do Randwick rugby club.
▲ O polícia reformado Peter Meagher estava a trabalhar como fotógrafo no evento
O cidadão francês Dan Elkayam foi outra das vítimas mortais, confirmou o Presidente francês Emmanuel Macron, numa partilha no X. “Os meus pensamentos estão com a família e os seus entes queridos e expresso a total solidariedade da nação”, escreveu. O engenheiro de 27 anos era fã de futebol e jogou uma temporada nos Rockdale Ilinden, que o descreveu como “extremamente talentoso e popular entre os colegas”. Passou os últimos três anos a viajar, tendo passado pelo México, Indonésia e Tailândia. Morava desde dezembro de 2024 em Sydney, onde trabalhava como analista informático.
▲ O francês Dan Elkayam vivia na Austrália desde dezembro de 2024
Redes Sociais
Outro imigrante judeu a morrer no ataque foi Reuven Morrison, de 62 anos, que imigrou para a Austrália, oriundo da antiga União Soviética nos anos 1970, era um empresário que dividia o seu tempo entre Sydney e Melbourne. Em 2024 o homem, também conhecido por Rueben, contou à ABC Australia o seu depoimento sobre a perseguição que sofreu por ser judeu na antiga União Soviética. “Viemos com a visão de que a Austrália é o país mais seguro do mundo e que os judeus não enfrentariam antissemitismo no futuro, onde poderíamos trazer os nossos filhos para um ambiente seguro”.
▲ O empresário judeu Reuven Morrison, de 62 anos, vivia entre Sydney e Melbourne
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel também confirmou que pelo menos uma vítima mortal e um ferido são nacionais israelitas, avança o Times of Israel. O cônsul israelita deve visitar no hospital o cidadão ferido e está em contacto com a família da vítima mortal, sem revelar detalhes sobre as identidades dos dois afetados pelo ataque. Entretanto, o movimento Chabad revelou que um dos mortos é Tibor Weitzen, de 78 anos, que imigrou de Israel em 1988 e estava no festival de Hanucá com a mulher e os netos.
Outra vítima confirmada é Marika Pogany, de 82 anos, que será de nacionalidade eslovaca. O Presidente da Eslováquia, Peter Pellegrini, partilhou no X uma mensagem a confirmar que uma das vítimas é uma cidadã do país.
Das 42 pessoas inicialmente transportadas para hospitais próximos 27 continuam internadas, sendo seis em estado grave, seis em estado crítico mas estáveis e outros 15 em condição estável. Um dos feridos é Ahmed el Ahmed, de 43 anos, o homem que foi capaz de desarmar um dos atiradores, que agora se sabe ter sido Sajid Akram, de 50 anos, que morreu no ataque. Ahmed foi baleado no braço e na mão, passou por uma cirurgia e permanece internado.