Era um regresso anunciado. Em 2027 e 2028, a Fórmula 1 vai voltar a acelerar em Portugal. O anúncio oficial foi feito esta terça-feira pelo ministro da Economia, que confirmou o que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, já tinha antecipado em agosto, na festa do Pontal. E é precisamente no Algarve, no autódromo de Portimão, que as corridas vão ter lugar.

“Uma grande notícia para Portugal e para o turismo”, começou por dizer Manuel Castro Almeida. O acordo foi fechado na semana passada em Londres, depois de ter sido negociado ao longo dos últimos meses. O regresso ao calendário oficial da Fórmula 1, depois de ter acolhido grandes prémios em 2020 e 2021, por altura da pandemia de Covid-19, “projeta um Portugal moderno, com ambição, dinamismo e capacidade para integrar um clube muito restrito de países que podem acolher esta prova tão relevante”, destacou o ministro da Economia.

Os custos de organizar um evento desta dimensão ainda não foram divulgados, porque o Governo está “vinculado a compromissos de alguma reserva”, justificou Castro Almeida, uma vez que a FIA, “ainda está a negociar com outros países”. Mas “os números virão a ser todos públicos”, assegurou o ministro. Para já, Castro Almeida avança apenas que o “custo estimado para o Estado será inferior ao valor da receita estimada de impostos da atividade económica associada a estas corridas”. O investimento não será “expressivo” e “vai ser compensado pelos valores cobrados em impostos”.

Já o impacto económico dos grandes prémios em Portugal será de 140 milhões de euros por cada edição. Um valor bastante diferente dos cerca de 30 milhões estimados pelo então Governo para 2020, quando a corrida decorreu com grandes restrições devido à pandemia.

São esperados 200 mil visitantes a cada ano. Destes, 150 mil serão espetadores, “mais de metade internacionais”, e cerca de 50 mil serão profissionais. O Executivo e a organização estimam ainda que cada prova terá mais de 920 milhões de seguidores e vai resultar em mais de 4 mil horas de transmissões televisivas.

“É uma grande oportunidade para a valorização do Algarve” e “uma excecional promoção da imagem de Portugal junto de quase mil milhões de pessoas”, ressalvou Castro Almeida, sublinhando ainda a “capacidade do país para atrair os eventos mais exigentes à escala mundial”.

Em agosto, o primeiro-ministro anunciou, na festa do Pontal, que o Governo tinha “tudo pronto para formalizar o regresso da Fórmula 1 ao Algarve em 2027.” Montenegro admitiu, na altura, que este tipo de eventos “implicam algum esforço financeiro”, mas que têm um “impacto financeiro direto e indireto de promoção, que valem sinceramente a pena”.

As negociações começaram meses antes do anúncio do primeiro-ministro, pelo que Portimão foi sempre a única opção para receber o evento. A hipótese de a corrida se realizar no autódromo do Estoril, como é vontade da câmara de Cascais, “não era uma possibilidade” para 2028. Esta segunda-feira, em entrevista ao Jornal de Negócios, Nuno Piteira Santos, líder da autarquia, revelou que a Câmara de Cascais quer passar a gerir o autódromo do Estoril, que é detido pela Parpública, e receber também um grande prémio de Fórmula 1, que apontava já para 2028. Isso não vai acontecer, mas Castro Almeida não fecha a porta ao Estoril no futuro. “Podemos ter conversas posteriormente com a Câmara de Cascais sobre a melhor forma de rentabilizar o autódromo do Estoril, que tanta história tem na Fórmula 1 em Portugal”, assume.

Questionado também durante o anúncio sobre a capacidade aeroportuária do país para receber um número tão elevado de visitantes, Castro Almeida mostra-se confiante. “Se na altura das provas tudo estivesse como está hoje seria um grave problema. Mas temos a convicção que a situação das entradas nos aeroportos em 2027 estará francamente melhor e não será um problema”.

O regresso ao “idílico Algarve” e o esforço da “task force nacional”

No anúncio oficial feito pela organização da prova, Stefano Domenicali, presidente e CEO da Fórmula 1, afirma que o interesse por parte de vários países para organizar um grande prémio “é o maior de sempre”. Por isso, agradece o “apoio” do Governo português e de entidades como o Turismo de Portugal. “Estou ansioso para trabalharmos juntos outra vez e assegurar que Portimão regressa ao calendário em grande estilo”.

A organização destaca ainda o “idílico Algarve”, conhecido pelas suas “praias espetaculares e charme histórico”, complementado por um circuito de 4,6 km que “oferece aos pilotos um desafio técnico, com mudanças dramáticas de elevação”. Não adianta qual o grande prémio que será substituído por Portimão nem a posição da corrida no calendário do campeonato, que deverá ser conhecida em 2026.

Também em reação ao regresso, o Turismo de Portugal e o Turismo do Algarve dizem que a decisão era aguardada com “expetativa” e que “concretiza o esforço conjunto de uma task force nacional que, ao longo dos últimos meses, integrou o Governo de Portugal, o promotor Parkalgar, o Turismo de Portugal e o Turismo do Algarve”.

As duas entidades lembram o “contexto pandémico sem precedentes” em que se realizaram os últimos grandes prémios no Algarve, e citam “diversos estudos” realizados na sequência dessas edições que “demonstraram o elevado retorno económico e promocional associado ao evento, estimando-se que o impacto combinado tenha atingido cerca de 100 milhões de euros por cada Grande Prémio”.

Para 2027 e 2028, “o Turismo de Portugal e o Turismo do Algarve antecipam que o impacto económico e o retorno mediático venham a superar largamente os valores registados em 2020 e 2021, beneficiando da normalização das viagens internacionais e do crescimento exponencial das audiências globais da Formula 1 nos últimos anos, reforçando assim a projeção internacional do destino Portugal e da região do Algarve”.

Para a hotelaria, o regresso da Fórmula 1 ao Algarve é uma boa notícia porque “traz ocupação, normalmente em épocas baixas do turismo”, segundo Hélder Martins, presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) à Lusa.