As sociedades andinas antigas dependiam de linhagens de camelídeos, atualmente extintas, para obter recursos como alimento e transporte, de acordo com testes de ADN antigo realizados em animais dos sítios arqueológicos do desfiladeiro de Tulán, no Chile.
Os resultados de um estudo publicado na revista Nature Communications sugerem que as primeiras comunidades do período Formativo ou Pré-Clássico geriam os camelídeos “de uma maneira compatível com práticas mistas emergentes de caça e/ou pastoreio, em vez de um sistema pastoril claramente estabelecido”.
A predominância de linhagens selvagens ou domésticas, atualmente extintas, indica que as comunidades da região dependiam de populações distintas dos antepassados diretos das lamas e das alpacas modernas, “oferecendo informações sobre os complexos e variáveis caminhos regionais de utilização e domesticação dos camelídeos no centro-sul dos Andes”, destacou o artigo citado na terça-feira pela agência Efe.
Os camelídeos sul-americanos (uma família de mamíferos ruminantes que inclui os lamas e as alpacas) eram os únicos grandes animais domesticados nas Américas e constituíam uma importante fonte de alimento, fibra e transporte para as antigas sociedades andinas.
Investigações anteriores indicaram que foram domesticados por volta de 3000 a.C.
No entanto, como as espécies selvagens e domesticadas possuem esqueletos semelhantes, tem sido difícil determinar os detalhes exatos deste processo a partir de evidências físicas.
A equipa, liderada pela Universidade de Copenhaga, concentrou-se em análises genéticas detalhadas de 26 restos mortais escavados na ravina de Tulán, datados de há aproximadamente 3.300 a 2.300 anos.
Destes, apenas um lama macho era provavelmente antepassado dos lamas domesticados atuais, enquanto as restantes pertenciam a linhagens extintas de camelídeos.
Os restantes podem ter pertencido a duas populações extintas, uma mais relacionada com Lama guanicoe e a outra com Vicugna vicugna, no entanto distintas destas, que se julga serem ancestrais do lama e da alpaca, respetivamente.
Além disso, identificaram proporções semelhantes de machos e fêmeas, sugerindo que os indivíduos eram selvagens e caçados por humanos ou domesticados e criados em manadas, e que os machos foram eliminados seletivamente.
A equipa observou a incerteza em torno da ancestralidade selvagem devido ao cruzamento entre camelídeos domésticos e selvagens modernos e sugere que são necessárias mais investigações para identificar os antepassados dos lamas e das alpacas atuais.