O Observador viajou para Kourou a convite da Agência Espacial Europeia 

Pela quinta vez desde o seu voo inaugural em 2024, o Ariane 6 da Agência Espacial Europeia (ESA) voltou a ser lançado para o espaço a partir do Porto Espacial Europeu em Kourou, na Guiana Francesa. A bordo da mais recente introdução ao arsenal de foguetes da ESA seguem dois satélites do programa Galileo — o sistema europeu de navegação por satélite. O lançamento decorreu esta madrugada às 2h01 locais (5h01 em Lisboa) e, exatamente três horas e 55 minutos depois, os satélites separaram-se do módulo para seguir a órbita inicialmente desenhada.

Momentos após a confirmação de sucesso no lançamento, Javier Benedicto, o Diretor de Navegação da ESA reforçou que este sistema é “uma peça de infraestrutura essencial para a Europa”, referindo que como este tem de estar “sempre a trabalhar”, a adição de dois satélites serve para “melhorar a performance a robustez” de todas as operações. “É isto que os satélites vão fornecer: uma redundância adicional e a resiliência necessária”, acrescenta o responsável.

Este foi o 14.º lançamento operacional do programa Galileo, pelo que os satélites SAT 33 e 34 juntam-se aos 27 de primeira geração que estão atualmente ativos na órbita terrestre. Foram construídos pela empresa alemã OHB Systems, para passarem a integrar o sistema global de navegação por satélite da União Europeia. Cada uma das duas unidades que seguem a bordo do Ariane 6 tem cerca de 700kg e devem entrar em órbita a quase 23 mil km de altitude, a uma inclinação de 54º.

O foguetão, perto de oito minutos após a contagem decrescente ter chegado ao fim, foi detetado, conforme previsto, por uma estação de observação instalada num navio no Oceano Atlântico. Poucos segundos depois da primeira ignição do motor criogénico Vinci, o sinal do VA266 foi registado pelas antenas da ESA na ilha de Santa Maria, nos Açores.

Exatamente três horas e 38 minutos após o lançamento, tal como previsto, decorreu a segunda e última ignição do motor para passar de uma órbita elíptica para uma mais circular a 22.931 km de altitude. Pelas 5h56 locais (8h56 em Portugal Continental), ouviu-se a confirmação do diretor de operações, Jean-Frédéric Alasa. Os satélites separaram-se do módulo, com “os parâmetros normais”, e agora colocam-se na rota desejada. Os SAT 33 e 34 vão demorar ainda cerca de três meses até ficarem operacionais, confirmam responsáveis da agência ao Observador.

Para além da relevância prática deste sistema, estes satélites Galileo tornam-se nos primeiros do programa a serem lançados num foguetão europeu desde 2018. Em 2021, outro par de satélites foi a bordo de um foguetão russo Soyuz, partindo também de Kourou, e os outros lançamentos desde então seguiram a partir dos Estados Unidos da América, com a SpaceX.