Dias depois da polémica sobre as suas declarações a propósito das residências universitárias, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, vem criticar a RTP e sugere mesmo que a estação pública de televisão deve “investigar” a decisão da jornalista que fez a peça que mostrava, inicialmente, o seu discurso.
Em entrevista ao jornal Eco, publicada esta segunda-feira, o ministro da Educação garante que quem tem de retirar uma lição após esta polémica são os media, e em particular a RTP.
“Acho inacreditável que a direção da RTP não explique isto”, diz o governante, sentenciando que a escolha dos trechos do seu discurso não terá sido “por acaso” e defendendo que a direção “tem de investigar por que razão a jornalista escolheu aquele trecho”.
Na mesma entrevista o ministro nega que tenha alguma lição a retirar sobre a forma como intervém publicamente, classificando a situação como “um ataque cobarde” e “vil” que mostra como é preciso ter “pensamento crítico” sobre o que se vê também nos meios de comunicação social — “infelizmente tivemos uma televisão pública que esteve ao nível das redes sociais, no seu pior”, remata.
Na semana passada, no âmbito da apresentação do novo modelo de ação social para o Ensino Superior, o ministro discursava quando disse que as residências universitárias devem incluir estudantes de vários estratos sociais e que atualmente são preenchidas apenas por “estudantes dos meios socioeconómicos mais desfavorecidos e por isso é que elas se degradam” — uma declaração que levou a críticas e pedidos de demissão na oposição.
O ministro acrescentava então que “quando metemos pessoas que são basicamente todas de rendimentos mais baixos a beneficiar de um serviço público, sabemos que esse serviço público se deteriora.”
O responsável pela pasta da Educação veio garantir depois que a interpretação que foi feita sobre estar a culpar os estudantes e “cidadãos de baixos rendimentos” é “totalmente falsa”, defendendo que “a qualidade dos serviços públicos e da sua gestão é beneficiada pela diversidade social dos seus utilizadores” e que a origem do problema está na “gestão”: “A degradação resulta da gestão [que é feita], que fica naturalmente negligenciada quando temos apenas utilizadores de baixo rendimento. Porque — e há estudos que mostram isso — estas pessoas não têm voz. Quando temos um serviço público que apenas recebe os que não têm outra alternativa, a gestão fica descuidada e isso leva à degradação”.