Por outras latitudes, o dia 26 de dezembro é tradicionalmente marcado pelo Boxing Day. Na capital portuguesa, no lado norte da Segunda Circular, o dia seguinte ao Natal também se tornou marcante e ganhou relevância. Foi precisamente nesse dia que, em 2024, Rui Borges foi apresentado oficialmente como treinador do Sporting, sucedendo a João Pereira, que se demitira dois dias antes. Apresentou-se com “muita ansiedade” e uma “confiança enorme” e acabou por ser o último de três timoneiros que levou o leão a uma histórica dobradinha que não se via há mais de sete décadas. Esse trajeto de sucesso levou o presidente Frederico Varandas a prolongar o vínculo do treinador até junho de 2027, sendo que o contrato pode voltar a ser renovado nos próximos meses, nos quais a conquista do tricampeonato é o principal objetivo.
Voltando ao presente, o Sporting partiu para a 16.ª jornada do Campeonato Nacional e o seu último jogo em 2025 no segundo lugar, a cinco pontos do líder FC Porto e com três pontos de avanço para o rival Benfica — que, minutos antes do pontapé de saída em Alvalade, empatou em Braga (2-2). A equipa comandada por Borges chegou à última semana do ano a viver um bom momento, que ganhou maiores contornos depois da goleada alcançada em casa do V. Guimarães (4-1). Nesse sentido, o Sporting vinha de 11 jornadas consecutivas sem perder na Primeira Liga, numa altura em que contava com várias baixas de peso no seio do seu plantel: os lesionados Geovany Quenda, Pedro Gonçalves, Nuno Santos e Zeno Debast, bem como Geny Catamo (bisou na primeira vitória de sempre de Moçambique na CAN este domingo) e Ousmane Diomande, que estão na principal competição de seleções do continente africano. Por outro lado, Rui Borges revelou na antevisão ao jogo que Maxi Araújo estava em dúvida por conta de uma doença.
“É uma equipa que nos vai criar dificuldades, que fora de portas só perdeu em Moreira de Cónegos. Empatou na Luz, em Vila Nova de Famalicão, e isso dita bem a sua competitividade fora de portas. É uma equipa muito forte nos duelos, competitiva, que joga no contra-ataque e em ataque rápido. Temos de estar preparados para as boas transições defensivas. Temos melhorado ao longo dos jogos. Dentro dessa perspetiva, esperamos estar no nosso normal para ultrapassar uma equipa que tem sido difícil de bater fora da sua casa. Presidente? Vocês já têm muita gasolina e os meus jogadores têm gasolina que chegue. A maior ambição deles — e esta semana foi notório em algumas entrevistas — é conquistar o tricampeonato, que marcará a história do Sporting. É isso que nos motiva. Queremos chegar ao jogo e fazer o que acreditamos. Eles têm de sentir que dá resultado e que são felizes a jogar. Essa é a nossa maior motivação: voltar a ganhar e ficar na história do Sporting. Mourinho? Não vejo Fórmula 1. Vejo andebol e voleibol, onde o Sporting também ganha muito. Vejo esses desportos, não vejo Fórmula 1. Não sou fã”, acrescentou.
Ficha de jogo
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Sporting-Rio Ave, 4-0
16.ª jornada da Primeira Liga 2025/26
Estádio José Alvalade, em Lisboa
Árbitro: Carlos Macedo (AF Braga)
Sporting: Rui Silva; Georgios Vagiannidis, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio (Matheus Reis, 68’), Ricardo Mangas; Morten Hjulmand (Giorgi Kochorashvili, 64’), João Simões (Hidemasa Morita, 64’), Francisco Trincão, Maxi Araújo (Alisson Santos, 64’); Fotis Ioannidis (Flávio Gonçalves, 77’) e Luis Suárez
Suplentes não utilizados: João Virgínia; Rodrigo Ribeiro, Salvador Blopa e Mauro Couto
Treinador: Rui Borges
Rio Ave: Cezary Miszta; Pancho Petrasso (Julien Lomboto, 76’), Jakub Brabec, Nelson Abey; João Tomé (Marious Vrousai, 46’), Andreas Ntoi, Georgios Liavas (João Graça, 76’), Nikos Athanasiou; Olinho Pohlmann, Dario Spikic (Brandon Aguilera, 62’) e Karem Zoabi (André Luiz, 46’)
Suplentes não utilizados: Kevin Chamorro; Eric Moreira, Rafael Lobato e Marc Gual
Treinador: Sotiris Sylaidopoulos
Golos: Suárez (34’, 60’ e 61’) e Araújo (53’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Inácio (36’) e João Tomé (38’)
Pela frente, o bicampeão nacional tinha uma formação vilacondense que ocupava o 11.º lugar da Primeira Liga, com três vitórias e oito empates, o maior registo da competição. Na visita à capital, Sotiris Sylaidopoulos não podia contar com Clayton Silva, terceiro melhor marcador do Campeonato que, no empate frente ao Gil Vicente (fora, 2-2), viu o quinto amarelo por retardar a sua substituição. “É um jogo muito exigente contra um Sporting num momento muito bom. Há uma grande motivação interna em todos nós. Temos de mostrar as nossas qualidades e ser a melhor versão de nós próprios para conseguirmos tirar algo deste jogo. Temos de executar muito bem os nossos princípios básicos. Sabemos que vamos ter de defender durante longos períodos, ser muito compactos, equilibrados e com boas distâncias entrelinhas e entre jogadores, porque o Sporting tem muita qualidade individual”, explicou o grego.
De volta a nossa ???????????????? ???? #SCPRAFC pic.twitter.com/rZNOgpv0cE
— Sporting CP (@SportingCP) December 28, 2025
Feitas as contas, Rui Borges ficou-se apenas pela alteração que estava obrigado a fazer no seu onze, por conta da suspensão de Iván Fresneda. O escolhido foi, naturalmente, Georgios Vagiannidis, com Maxi Araújo a recuperar da doença que o tinha fustigado e a manter-se no apoio a Luis Suárez, juntamente com Fotis Ioannidis e Francisco Trincão. No Rio Ave, Sotiris Sylaidopoulos apresentou quatro alterações, com Nelson Abbey a render Jonathan Panzo no centro da defesa e Georgios Liavas a entrar para o meio-campo, com Brandon Aguilera a sair para o banco. No ataque só se manteve Olinho Pohlmann, já que André Luiz, que está, segundo a imprensa desportiva, a caminho do Benfica, a sentar-se no banco. Assim, Dario Spikic e Karem Zoabi foram os escolhidos para a titularidade.
Como seria de esperar, o Sporting a dominar e instalou-se de imediato num 4x4x2 mais clássico, com Ioannidis e Suárez no centro, Maxi na esquerda e Trincão na direita. Por outro lado, os vilacondenses apostaram num 3x4x3 mais móvel, na tentativa de surpreender o leão com ataques rápidos e diretos, com a nuance de baterem os pontapés de baliza de forma curta. A primeira ocasião pertenceu, precisamente, à formação da casa que, logo no segundo minuto, ficou perto do golo numa jogada da direita para o meio, mas o remate do avançado cafetero, junto à pequena área, saiu ao lado (2′). Com dificuldades em penetrar o bloco adversário, uma nova arrancada de Trincão originou a primeira parada de Cezary Miszta, que foi ao relvado para travar o remate forte de Araújo, com João Tomé a travar a recarga de Ricardo Mangas (11′). Pouco depois, o ala português voltou a tentar dentro da área, mas o seu remate de primeira saiu fraco à figura do capitão rioavista (16′).
Com o passar do tempo, a turma de Alvalade continuou a ter dificuldades em chegar à baliza de Miszta e começou a revelar-se mais lenta nos processos, o que levou o Rio Ave a soltar-se, paulatinamente, das amarras defensivas e a tentar chegar mais perto da baliza de Rui Silva. Depois de nova combinação entre Maxi e Mangas, a bola sobrevoou a área e caiu na zona do primeiro poste, onde Luis Suárez apareceu rapidamente a desviar, mas a bola acabou nas mãos do polaco (26′). No lance seguinte, o uruguaio baixou para receber o passe de Gonçalo Inácio e cruzou para a mesma zona, onde o colombiano apareceu a cabecear por cima (28′). Seguiu-se novo cruzamento, agora de Trincão, com Mangas a falhar a cabeçada e a rematar para defesa apertada de Miszta, que fez rapidamente a mancha (31′). Pouco depois, Maxi Araújo cobrou um canto na esquerda, João Simões desviou de cabeça para o segundo poste, onde Luis Suárez, vindo de trás, encostou com o peito para o golo inaugural (34′).
Para a etapa complementar, Sotiris Sylaidopoulos lançou de pronto Marious Vrousai e André Luiz, apostando na velocidade do brasileiro para criar perigo. Nos intantes iniciais, Luis Suárez voltou a desbloquear o jogo com um grande passe vertical a isolar Maxi Araújo que, depois de contornar Cezary Miszta, atirou para a baliza deserta, duplicando a vantagem do leão (53′). O conjunto verde e branco continuou por cima e, pouco depois, Maxi isolou Fotis Ioannidis, que tentou picar sobre o polaco, mas este fez uma grande mancha (58′). A receita da primeira repetiu-se de pronto e, depois de Francisco Trincão cobrar um canto na direita, Suárez deixou Nikos Athanasiou pregado ao relvado e cabeceou para o 3-0 (60′). No minuto seguinte, o Rio Ave continuou a meter água, Morten Hjulmand recuperou a bola em zona subida, Ioannidis recebeu, rodou e tocou para Trincão, que atirou colocado para defesa para a frente de Miszta e, na recarga, o cafetero só teve de encostar para a baliza deserta, chegando ao hat-trick (61′).
Com o resultado consumado, Sylaidopoulos colocou de imediato Brandon Aguilera no lugar de Dario Spikic, ao passo que Rui Borges entrou em ritmo de gestão, com Alisson Santos, Giorgi Kochorashvili, Hidemasa Morita e Matheus Reis a renderem Araújo, Hjulmand, João Simões e Gonçalo Inácio. O Sporting continuou ligado à corrente e, depois de um cruzamento de Georgios Vagiannidis, Suárez cabeceou para as mãos de Miszta (74′). Já com João Graça e Julien Lomboto em campo, o colombiano voltou a isolar-se, mas perdeu espaço e a bola sobrou para o remate ao lado de Ricardo Mangas (77′). Para o fim ficou reservada a entrada de Flávio Gonçalves, que foi testado por Borges nas costas de Suárez.