A sala Lisa, espaço de concertos na Rua das Gaivotas, em Lisboa, vai deixar de existir como a conhecemos. A programação regular da sala de espetáculos terminou a 27 de dezembro, confirmou o Observador junto de um dos responsáveis.
“Não vai fechar oficialmente, mas também não terá programação corrida”, adianta Joaquim Quadros, um dos sócios-fundadores, a par dos colombianos Felipe e Alejandro Steiner e o brasileiro Luiz Gabriel Vieira – há mais sócios, mas preferem não aparecer. “A Lisa vai continuar mas com eventos muito esporádicos”, explica a este jornal.
O motivo para o fecho de portas diário é o “modelo de negócio insustentável”. “Não compensa, financeiramente estamos muito debilitados neste momento”, justifica Joaquim Quadros. “Depender de venda de álcool e bilhetes está cada vez mais incomportável”.
A sala Lisa abriu portas a 25 de maio de 2023 pela mão dos mesmos responsáveis do Vago, um bar localizado uns metros acima na mesma rua, inspirado nos conceitos internacionais de listening bar e que rapidamente se impôs na cena noturna lisboeta desde que abriu em 2019. “O Vago está de pedra e cal para se manter como funciona originalmente”, garante o porta-voz.
Mas a Lisa nasceria no número cinco da Rua das Gaivotas com um propósito distinto. “Decidimos formar a Lisa acreditando que era um espaço para promover concertos e DJ sets, de todo o tipo de música. Depois viria a ter performance, cinema e coisas do género, uma extensão, mas era para focar em concertos e noites de clubbing. E assim fizemos, já passaram dois anos e experimentámos muita coisa”, dizia Joaquim Quadros ao site Rimas e Batidas em maio, confessando já como era “um desafio enorme, como toda a gente sabe, [ter] uma sala independente não financiada pelo Estado, à data sem patrocínios e totalmente independente da empresa do Vago…”
“É um sem-fim de fatores que dificultam a que uma sala de concertos e clube consiga sustentar-se. Garantidamente, há uma crise de identidade de Lisboa”, admitia. “A Lisa tem passado por muitos desafios”.
Com este novo encerramento, ainda que não total, Lisboa soma mais um espaço noturno ao crescente rol de casas que têm fechado portas nos últimos anos, como o Lounge, o Musicbox, o Sabotage, entre outras.