O Musicbox, sala de concertos e clubbing no Cais do Sodré, em Lisboa, vai encerrar portas após 19 anos de música, espetáculos e festas. A notícia foi avançada pelo site NIT esta segunda-feira e confirmada pelo Observador junto de fontes próximas da casa de espetáculos.

Localizado no número 24 da Rua Nova do Carvalho (popularmente designada Rua Cor de Rosa), o clube independente dedicado à música ao vivo foi, ao longo dos anos, casa para concertos de artistas do underground nacional e internacional. Por ali passaram, entre muitos outros, figuras históricas como José Mário Branco ou estrelas antes de o serem, como C Tangana e Bad Gyal.

É mais uma baixa nos espaços da noite da capital depois do fecho do Lounge, em setembro de 2024, e do Sabotage, em 2020. Mas a situação será diferente da vivida por estes dois clubes, que foram despejados pelos donos dos respetivos espaços. Aliás, uma reportagem do jornal Público no último ano dava conta precisamente como, sendo proprietário do espaço que ocupa (é detido pela estrutura de produção CTL — Cultural Trend Lisbon, dirigida por Gonçalo Riscado), o Musicbox estaria “a salvo” dos planos de senhorios que vêem no turismo um meio para garantir negócios financeiramente mais apelativos.

O Observador contactou a CTL no sentido de perceber o motivo do encerramento, se o espaço foi vendido ou alugado, mas a empresa que se dedica à gestão e produção de conteúdos culturais dirigida por Gonçalo Riscado escolhe “não se pronunciar, por agora, sobre o assunto”. No próximo mês, a empresa reabre a Casa Capitão, no Beato, um espaço cultural que funcionou temporariamente em 2020 e 2021 e que regressa como um “projeto de longa duração” e após um processo de requalificação total do edifício.

Foi em 2006 que Alex Cortez e Gonçalo Riscado criaram o Musicbox, uma sala intimista com lotação para cerca de 300 pessoas que foi o rastilho para um novo tipo de movida e efervescência cultural no Cais do Sodré. O espaço assumiu-se sempre como um híbrido entre casa de espetáculos e pista de dança, com uma programação de autor eclética. Era sede de eventos como o festival MIL, que tem como propósito a divulgação e valorização da música popular alternativa e independente, e membro do Liveurope, plataforma que reúne 21 salas de programação de música europeias com o objetivo de impulsionar a diversidade das cenas musicais na Europa.

Não sendo certa a data de encerramento, de acordo com bilheteira online Dice, o último evento marcado naquela sala de espetáculos é um concerto de Sleepy The Prince a 26 de setembro. Entretanto, vários eventos que estavam anunciados para o Musicbox nos próximos meses estão a ser alterados para a Casa Capitão: é o caso do concerto dos Hidden Cameras, em dezembro, ou dos Wavves em março, por exemplo.

[Um homem desobedece às ordens dos terroristas e da polícia e entra sozinho na embaixada. Momentos depois, ouve-se uma enorme explosão. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto a embaixada turca em Lisboa e uma execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o quarto episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui e o terceiro aqui]