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Nem é preciso ir aos saldos quando se tem estas borlas (a crónica do Santa Clara-FC Porto)

Este artigo tem mais de 6 meses

Não foi um jogo bom, muito menos foi um jogo bonito, foi o jogo que valia pelos três pontos. E, no dia em que Thiago Silva chegou à Invicta, Samu aproveitou erro de Gabriel Batista para decidir (0-1).

Samu marcou o nono golo nos últimos sete jogos, chegou aos 12 golos na Liga e voltou a ser decisivo numa vitória do FC Porto
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▲Samu marcou o nono golo nos últimos sete jogos, chegou aos 12 golos na Liga e voltou a ser decisivo numa vitória do FC Porto

▲Samu marcou o nono golo nos últimos sete jogos, chegou aos 12 golos na Liga e voltou a ser decisivo numa vitória do FC Porto

Dia 1 trouxe um banho esperado de apoio, com o regresso dos treinos abertos no primeiro dia do ano a terem mais de 27.000 nas bancadas do Estádio do Dragão, dia 3 trouxe um banho mais inesperado de apoio, com a partida para os Açores a levar mais de 200 adeptos ligados às claques do clube ao aeroporto Francisco Sá Carneiro entre muitos abraços, fotografias e pedidos do título ao “mister Farioli”, numa nova música a que se seguiu outra com “Farioli, faz do FC Porto campeão” como havia antes para Sérgio Conceição. Pelo meio, no dia 2, sem que fosse conhecida qualquer manifestação pública de “festa” por isso, o Sporting teve um deslize em Barcelos e não foi além de um empate com o Gil Vicente, estendendo a passadeira para que os dragões fechassem a melhor primeira volta da história com uma possível vantagem de sete pontos para o segundo lugar – e dez em relação à terceira posição do Benfica, numa distância que nunca foi recuperada.

Santa Clara-FC Porto. Dragões procuram nova vitória seguida na Liga para fecharem 1.ª volta com 7 pontos de avanço

Logo à cabeça, André Villas-Boas está a ganhar a aposta. Se antes havia uma massa adepta mais desligada à equipa perante a falta de química que os resultados titubeantes traziam, agora sente-se uma conexão a 100% entre aquilo que se faz em campo e aquilo que se pede fora dele. Se antes havia presença de adeptos em pleno aeroporto para criticar, agora é uma onda azul apenas para apoiar. Se antes havia “queixas” sobre a falta de qualidade do plantel, agora sobram elogios à qualidade – e não só. “Em 2010/11 tínhamos uma equipa recheada de talento, com jogadores fora de série, mas tínhamos uma mensagem interna muito forte. E aqui há muita coisa que podemos comparar com essa época: uma equipa que nunca desiste, que transmite energia positiva, garra e determinação como poucas. Estamos habituados a construir a nossa fortaleza contra as desigualdades cada vez mais existentes contra o FC Porto. Até ao momento temos os melhores registos de sempre da história mas só estamos ainda a meio caminho”, apontou no treino de dia 1, fazendo o paralelismo entre a temporada em que orientou os azuis e brancos como técnico e a atual época.

Diogo Costa, que saiu lesionado ao intervalo do último triunfo com o AVS mas que já está recuperado desse problema físico, é outro exemplo desse momento que o FC Porto atravessa e abordou também o recuperar do ADN azul e branco tantas vezes refém na derradeira temporada. “Festa nos Aliados em maio? Claro que sim. Um clube como este tem de jogar para ser campeão mas o mais importante é irmos jogo a jogo e sermos humildes. Apesar do avançado, a mentalidade é a mesma, é irmos a jogo a jogo. Acho que não devemos olhar para a tabela. É continuar a trabalhar forte, intensos, que é o mais importante para os jogos. Esperança renovada? Acho que sim, que os adeptos perceberam qual é o nosso objetivo final. Estamos a treinar forte para conquistar títulos, para que aconteça mais vezes”, frisou também nesse primeiro treino do ano.

Mesmo sem qualquer troféu, mesmo com uma eliminação da Taça da Liga pelo meio naquela que foi a única derrota em termos nacionais da equipa em seis meses, Francesco Farioli tinha a sua primeira “conquista”. No final do triunfo com o AVS, o italiano admitiu que os primeiros dias no Olival não foram propriamente fáceis perante tudo o que tinha acontecido na temporada anterior mas destacou aquilo que o grupo foi conseguindo construir ao longo do tempo. Era isso que pretendia agora transportar de novo para o campo, fintando por completo as notícias que o colocavam como potencial alvo do Chelsea na sucessão a Enzo Maresca. “Se olharem para o que fiz no Nice e no Ajax, sair a meio nunca está nos meus planos. Estou comprometido e conectado com a realidade em que estou. Pela primeira vez sinto que posso criar algo desde a base e só posso agradecer por ter esta oportunidade num clube tão grande”, assegurou antes da viagem para os Açores.

“A experiência que eu e o FC Porto tivemos na época passada é que tudo pode mudar rapidamente. É muito importante manter a consistência e ter os pés assentes no chão. Temos de entrar como se estivéssemos a 15 pontos, para mantermos o querer e a fome que garantam que continuamos focados. Janeiro vai ser um mês muito ocupado com muitas competições mas o foco é o jogo com o Santa Clara, que encerra um ciclo antes de termos dez dias para trabalhar. Sete pontos de avanço? Nunca vi ninguém celebrar um título em dezembro nem em janeiro. Temos de fazer o nosso caminho e pensar jogo a jogo, de olhar apenas para o Santa Clara, num relvado muito difícil. Empate do Sporting? Não há motivação extra, a nossa motivação é o nosso caminho e isso não é uma pressão. O pensamento está só no Santa Clara”, acrescentou o italiano.

Desde o primeiro minuto que foi isso que se sentiu, num encontro que, quase de forma paradoxal, foi um dos menos conseguidos de toda a primeira volta. O FC Porto queria muito, o FC Porto conseguiu pouco ou nada em termos ofensivos, o FC Porto assegurou os três pontos num encontro que não foi bom e onde não jogou bem. No dia em que Thiago Silva chegou à Invicta para assinar pelos dragões a custo zero, numa tentativa de equilibrar o plantel dentro das possibilidades financeiras existentes depois do forte investimento no verão, foi uma borla digna de “apanhados” de Gabriel Batista para Samu que decidiu a partida nos Açores, com a noite a fechar com uma grande festa dos azuis e brancos junto dos adeptos após uma primeira volta que fecha de forma quase perfeita com 16 vitórias, um empate e quatro golos sofridos em 17 jogos.

Ficha de jogo

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Santa Clara-FC Porto, 0-1

17.ª jornada da Primeira Liga

Estádio de São Miguel, nos Açores

Árbitro: Cláudio Pereira (AF Aveiro)

Santa Clara: Gabriel Batista; Sidney Lima, Luís Rocha, Henrique Silva; Lucas Soares, Djé, Pedro Ferreira (Brenner Lucas, 72′), Adriano, Paulo Vítor (Luquinhas, 83′); Vinícius Lopes e Gabriel Silva

Suplentes não utilizados: Neneca, Elias, João Costa, Adriel Moraes, Frederico Venâncio, Tiago Duarte e Luiz

Treinador: Vasco Matos

FC Porto: Diogo Costa, Martim Fernandes, Bednarek, Kiwior, Francisco Moura (Alberto Costa, 28′); Pablo Rosario, Froholdt, Gabri Veiga (Alan Varela, 61′); William Gomes (Borja Sainz, 61′), Pepê (Deniz Gül, 79′) e Samu

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, Prpic, Eustáquio, Rodrigo Mora e Ángel Alarcón

Treinador: Francesco Farioli

Golo: Samu (50′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Bednarek (10′), Vinícius Lopes (65′), Pablo Rosario (77′), Djé Tavares (77′), Alan Varela (78′) e Alberto Costa (80′)

Ao contrário do que é normal, Diogo Costa, que recuperou do problema físico que levou a que saísse logo ao intervalo do encontro com o AVS, não deixou apenas uma palavra de alento aos companheiros de equipa na habitual roda antes do apito inicial – fez quase um discurso. Com apenas uma mexida na equipa inicial, com o regresso de Gabri Veiga à titularidade em vez de Rodrigo Mora, o guarda-redes pedia foco total aos azuis e brancos para um encontro onde, além dos próprios açorianos, havia um adversário a combater chamado… euforia. Até os próprios adeptos queriam ao máximo dar essa imagem de “unidade”, chamando-se entre si para que, em vez de estarem em três setores, ficassem apenas concentrados num para criar uma mancha de azul maior. No entanto, o início da partida foi tudo menos conseguido. Longe disso. E cada minuto trazia uma má notícia: Bednarek ficou com amarelo após atingir Gabriel Silva na cara num mau atraso (11′), a seguir Francisco Moura foi ao banco com queixas físicas (11′), de seguida foi Pepê que ficou no chão (13′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Santa Clara-FC Porto em vídeo]

Não houve necessidade de qualquer alteração mas ficavam esses “avisos”, numa altura em que as zonas de pressão bem definidas com um dos avançados a cair em Pablo Rosario e os centrais com liberdade para irem saindo com bola por “decisão” do Santa Clara. Os açorianos conseguiam ir bloqueando a saída dos portistas e tiravam espaços entre linhas aos movimentos dos médios, fazendo com que as únicas ameaças viessem de jogadas individuais como uma em que William Gomes conseguiu fazer a diagonal da direita para o meio, ganhou espaço e rematou forte por cima da trave (17′). Gabri Veiga, num livre direto ainda longe da baliza, também atirou colocado mas Gabriel Batista defendeu com segurança (22′). A meia hora inicial estava esgotada, com o Santa Clara a ter só um esboço de oportunidade num remate de Vinícius Lopes que bateu em Kiwior e saiu para canto, onde o mesmo Vinícius Lopes desviou ao primeiro poste mas por cima (25′).

As coisas não estavam fáceis para os dragões, que tiveram mesmo de fazer a primeira alteração por questões físicas com a saída de Moura para a entrada de Alberto Costa (com a passagem de Martim Fernandes para o lado esquerdo da defesa). Froholdt não conseguia fazer a diferença no meio-campo com aquele seu estilo em força que “arrasa” qualquer adversário, William Gomes tinha pouca bola, Gabri Veiga estava como Pepê na esquerda: com pouca presença, com nenhuma capacidade de desequilíbrio, quase a passar ao lado do jogo. Era por isso que, em qualquer paragem para assistência médica, vários jogadores aproveitavam para ir ao banco e ouvir os treinadores em busca de respostas às questões que o encontro trazia. O intervalo chegaria de forma quase inevitável com um nulo que tinha pouco para contar a não ser um lance já nos descontos em que William Gomes arrancou do seu meio-campo, fintou tudo e todos mas atirou contra Gabriel Batista.

Farioli optou por não mexer na equipa ao intervalo, levando os mesmos 11 jogadores para uma segunda parte onde procurava mudar com o que tinha, algo que se foi vendo até nos reajustes feitos na primeira fase de construção com os centrais a subirem mais alguns metros antes da distribuição nas laterais perante a enorme densidade de jogadores no corredor central. Ainda assim, apenas por demérito do adversário, mesmo muito demérito, é que a muralha defensiva dos açorianos foi superada, com Gabriel Batista a ficar com a bola presa na mão quando ia lançar para a esquerda e a colocar em Samu à entrada da área, que sozinho e de baliza aberta só teve mesmo de direcionar o remate para o 1-0 (50′). Dizer que foi um lance dos “apanhados” era pouco mas o encontro iria mudar de figurino com a vantagem dos dragões caída do céu, até por toda a capacidade defensiva que os azuis e brancos revelavam com apenas quatro golos sofridos em 16 jornadas. O próprio Farioli dava um sinal para dentro com as substituições, colocando Alan Varela e não Rodrigo Mora em campo no lugar de Gabri Veiga além de trocar de alas com a saída de William Gomes por Borja Sainz.

O Santa Clara tentava esticar-se um pouco mais no campo para esboçar uma reação em busca do empate mas ficou sempre curto, o FC Porto tentava aproveitar esses adiantamentos para procurar transições que fossem o xeque-mate mas ficou sempre curto e os minutos iam passando sem oportunidades a não ser quando havia um qualquer erro do adversário sobretudo no primeiro terço. Brenner Lucas ainda foi lançado para dar mais largura e velocidade ao ataque do Santa Clara mas os açorianos demoraram demasiado a “desmontar” a equipa, tendo apenas um lance com relativo perigo numa segunda bola após saída com os punhos de Diogo Costa com remate forte de Paulo Vítor por cima (81′). Adriano ainda teve também uma tentativa de longa distância de mais longe mas os minutos iam passando com os azuis e brancos cada vez mais confortáveis com a vantagem pela margem mínima, algo que nem mesmo o risco da entrada de Luquinhas conseguiu alterar. Aliás, até foi Borja Sainz a ter melhor oportunidade no final, com defesa de Gabriel Batista para canto (88′).

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