O cineasta húngaro Béla Tarr, figura de culto do cinema da Hungria, morreu esta terça-feira, 6 de janeiro, aos 70 anos, revelou a agência noticiosa húngara MTI. A informação da morte do cineasta, vítima de doença prolongada, foi divulgada pelo realizador Bence Fliegauf em nome da família de Tarr.

Béla Tarr é autor, entre outros, de O Tango de Satanás (1994), filme adaptado do romance com o mesmo nome do escritor László Krasznahorkai, Nobel da Literatura, e que é um fresco de mais de sete horas sobre o declínio do comunismo na Europa.

Nasceu em Pécs, Hungria, em 1955 e começou a dedicar-se ao cinema muito jovem, aos 16 anos, quando começou a trabalhar no Balázs Béla Stúdió, um importante estúdio de cinema experimental húngaro, que lhe deu condições para realizar a sua primeira longa-metragem, O Ninho Familiar, que se estreou em 1979 e que lhe valeu o Grand Prix no Manheim Film Festival.

Entre filme premiados e distinções de carreira, foi um realizador reconhecido por festivais ao longo de décadas, mas nunca foi necessariamente um realizador “de” festivais. O Cavalo de Turim, de 2011, foi, de longe, o seu filme mais premiado. Venceu o Urso de Prata e o Prémio FIPRESCI no Festival de Berlim e recebeu várias outras nomeações. Último filme assumido de forma intencional, Béla Tarr olhou para a sua obra cinematográfica como um projeto completo.

E que projeto era esse? Para lá dos já referidos O Ninho Familiar e O Cavalo de Turim, há Danação (1987), que lhe trouxe reconhecimento internacional (e, na altura, fez furor no Festival de Berlim), As Harmonias de Werckmeister (2000) e o inevitável O Tango de Satanás (1994).

O tempo é coisa que não assusta na obra de Tarr. São filmes para serem vistos como pinturas em movimento que caminham na direção do espectador e o convidam a uma constante e contínua reflexão — exigentes, mas que dão sempre algo em troca. Uma filmografia singular, da qual fazem também parte Macbeth (1982) e Almanaque de Outono (1984).

Nos últimos anos dedicou-se sobretudo à educação, enquanto professor (já o era antes), mas também como criador de programas que ajudassem novos cineastas de todos os pontos do mundo.