O ministro alemão da Cultura e da Comunicação Social, Wolfram Weimer, juntou Berlim à lista de países e entidades preocupados com o aumento de conteúdo sexualmente explícito criado pelo chatbot de inteligência artificial (IA) integrado do X, Grok. Assim, o governante alemão foi um dos que instou a Comissão Europeia a tomar medidas para impedir o que considera ser a “industrialização do assédio sexual” que está a ocorrer na rede social X, de Elon Musk.
“O que estamos a observar atualmente no X parece a industrialização do assédio sexual”, afirmou Weimer à Reuters, esta terça-feira, acrescentando ser “agora crucial que a Comissão Europeia continue a aplicar este [quadro jurídico] com o mesmo rigor com que já começou”. O quadro jurídico a que Wolfram Weimer se refere é a Lei dos Serviços Digitais da União Europeia (UE), que exige que as plataformas online tomem medidas para combater conteúdos ilegais e prejudiciais.
Nos primeiros dias de 2026, vários utilizadores do X, em comentários a fotografias divulgadas, pediam ao Grok que retirasse a roupa das pessoas reais nas imagens ou lhes “abrisse as pernas”. A ferramenta que permite gerar imagens no X estava a ser usada para criar imagens sexualizadas e não consentidas de mulheres, algumas delas crianças, em roupas reveladoras, de biquíni ou em poses sexuais, como foi reconhecido pelo próprio agente de Inteligência Artificial na passada sexta-feira.
De acordo com uma estimativa da Copyleaks, uma plataforma alimentada por inteligência artificial que deteta outros conteúdos gerado por IA, o Grok gerou uma imagem sexual não consensual a cada minuto num período de aproximadamente 24 horas.
Na segunda-feira, o porta-voz da União Europeia para assuntos digitais, Thomas Regnier, em declarações citadas pela Al Jazeera, já dissera que a Comissão Europeia está a “analisar muito seriamente” as queixas sobre a atuação do bot de Elon Musk, acrescentando num comunicado enviado à Reuters que “qualquer pessoa que crie ou distribua tais imagens sem consentimento está a cometer uma grave violação dos direitos pessoais e pode ser passível de processo judicial em muitos casos”.
Embora tenha também pedido à ferramenta Grok que gerasse uma imagem sua em biquíni, Musk avisou noutra publicação que “qualquer pessoa que utilize o Grok para criar conteúdo ilegal sofrerá as mesmas consequências que sofreria fizesse upload de conteúdo ilegal”.
— Grok (@grok) January 1, 2026
Anyone using Grok to make illegal content will suffer the same consequences as if they upload illegal content
— Elon Musk (@elonmusk) January 3, 2026
O governo de Pedro Sánchez já solicitou ao Ministério Público que investigasse o caso, de acordo informação avançada pela Antena 3 espanhola. Autoridades de França, da Malásia e da Índia afirmaram estar a avaliar a situação e exigiram explicações ao X, que não respondeu aos pedidos de comentário. O governo norte-americano ainda não reagiu.