Primeiro apareceu Ariarne Titmus, que até já decidiu terminar a carreira. Depois explodiu Summer McIntosh, que nem sequer tem 20 anos. E ainda se falou em Lani Pallister, especialista em estafetas. Entre Titmus, McIntosh e Pallister, porém, parece existir sempre algo em comum: nenhuma consegue ser uma verdadeira rival para Katie Ledecky. 

E a verdade é que a nadadora norte-americana continua a mostrar isso mesmo. Esta quarta-feira, Katie Ledecky registou o segundo melhor tempo da história nos 1.500 metros livres na jornada inaugural do US Pro Swim Series em Austin, com 15 minutos, 23 segundos e 21 centésimas, chegando à parede mais de um minuto antes da segunda classificada da bateria.

Ainda assim, a nadadora de 28 anos ficou a mais de três segundos do recorde mundial da distância, que lhe pertence desde 2018 (15.20,48), melhorando apenas a segunda melhor marca. Na verdade, Katie Ledecky é responsável por 24 dos 25 melhores tempos de sempre nos 1.500 metros livres, registando mesmo os 12 mais rápidos da lista, numa estatística brutal que deixa bem claro o domínio absoluto que tem assumido.

A par de Larisa Latynina, ginasta soviética dos anos 50 e 60, Katie Ledecky é a mulher com mais ouros em Jogos Olímpicos, nove, somando ainda quatro pratas e um bronze. A norte-americana natural de Washington DC subiu pela primeira vez a um pódio olímpico em Londres, em 2012 e quando tinha apenas 15 anos, desde logo para receber a medalha de ouro nos 800 metros. Agora, depois de Rio de Janeiro, Tóquio e Paris, onde dominou, prepara-se para continuar a bater recordes em Los Angeles, onde já vai chegar com 31 anos.

“Estou muito feliz com o tempo, consegui ser mais rápida hoje do que durante todo o ano passado. Foi a minha segunda melhor marca de sempre. Tinha expectativas muito baixas para hoje, portanto, ter conseguido este tempo é mesmo muito bom”, disse a nadadora, que não competia nos 1.500 metros livres desde julho, quando se sagrou campeã mundial da distância pela sexta vez em Singapura.

Considerada a melhor nadadora de todos os tempos e uma das melhores atletas olímpicas de sempre, já que faz parte do restrito grupo dos cinco atletas mais medalhados da história em Jogos Olímpicos, Katie Ledecky é uma voz inspiradora nos EUA e aproveita muitas vezes as paragens dos treinos para falar em universidades. Numa das últimas ocasiões, em julho e em Stanford, onde estudou Psicologia e Ciência Política, dirigiu-se diretamente à Geração Z.

“Não têm de ganhar sempre a corrida. Só precisam de ganhar sempre a vossa corrida. E ganhar a vossa corrida significa apaixonarem-se pelo processo. Apaixonem-se pelo processo, não pelo pódio. Claro que eu estabeleço objetivos, mas esses objetivos não têm a ver com ganhar. Ganhar é inerentemente sobre comparação. A verdadeira corrida é sempre a mesma: sou eu contra os meus objetivos”, sublinhou.

O duelo de titãs caiu para a rainha Katie: depois da ameaça, Ledecky derrota McIntosh nos 800 livres e conquista 30.ª medalha em Mundiais