Foi acima das melhores expetativas, foi histórico, foi tudo – mas no final ainda soube a pouco. A verdadeira epopeia da Seleção no último Campeonato do Mundo de andebol teve o condão de colocar de vez Portugal num patamar acima do que sempre teve na realidade internacional mas, tão ou mais importante, mostrou que a ambição dos Heróis do Mar aponta sempre para algo mais. Em condições normais, um quarto lugar no Mundial era um feito por si só. No entanto, aquilo que também sobrou entre o orgulho foi essa vontade de ir à procura do passo seguinte, neste caso chegar a um pódio da competição. O conjunto nacional atravessa um período de renovação tranquila, com as principais figuras que discutiram títulos europeus e mundiais em Sub-20 e Sub-21 a começarem o seu caminho na equipa A de forma natural. Agora, chegava o Europeu.
Se outrora a qualificação para uma fase final era um happening por si, todo o trajeto conseguido desde 2020 com as melhores participações de sempre em Mundiais e Europeus a par desse inédito apuramento para os Jogos Olímpicos de Tóquio mudou de forma radical a forma como a Seleção era olhada. Houve outros pontos importantes nessa transformação, como o rendimento dos jogadores portugueses na Champions ou os grandes resultados das equipas de formação nacionais, mas esse Mundial do ano passado, em que Martim Costa terminou no Sete Ideal da competição e Francisco Costa foi eleito o Melhor Jogador Jovem, consolidou esse posicionamento diferente na realidade internacional. A “pressão” aumentava, o desafio também e, mais uma vez, surgia esse desejo de desafiar o impossível como tem vindo a acontecer nos últimos anos, neste caso com a projeção de um objetivo que pulverizasse a melhor prestação na prova de 2020 com um sexto lugar.
Ainda não tens agenda para 2026? ????????????????????????????????́???????????? ???? ???????????????????????????????? ???????????????? ???????? ????
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A nova caminhada começava com a Roménia, já depois de um arranque de Europeu com vitórias das equipas teoricamente favoritas nos primeiros encontros (Espanha com Sérvia por 29-27, Alemanha com Áustria por 30-27, França com Rep. Checa por 42-28 e Noruega com Ucrânia por 39-22). E, mesmo sendo apenas o jogo inicial, tinha outro “peso” tendo em conta a passagem de apenas duas equipas à fase seguinte e a presença da tetracampeã mundial Dinamarca no grupo. Vantagem teórica? O conhecimento mais “profundo” que Paulo Jorge Pereira podia ter do conjunto romeno, tendo em conta que o selecionador nacional é também treinador do Dínamo Bucareste. “A Roménia tem seis atletas que são meus atletas. Conheço-os bem e eles a mim. Teoricamente, estamos obrigados a ganhar à Roménia. Agora, cuidado com a Roménia, que está a renascer com jogadores jovens e que também querem avançar. Devemos ter muito respeito”, apontara.
“A pressão comanda a vida e não temos medo”, diz selecionador português de andebol
“Acho que nós em Portugal estamos um bocadinho distraídos… A partir do momento em que nós fazemos sexto lugar em 2020, todos olham para nós já de forma diferente. Ainda por cima fomos consolidando resultados sempre no top 7 e top 8. Fizemos dois torneios pré-olímpicos e foram seguidos. Nunca na vida tínhamos feito. Agora o problema passa por manter a equipa competitiva porque algum dia irá surgir algum resultado duro. Mas pensamos em mostrar esta performance, que tem sido fantástica”, acrescentara ainda o técnico que comanda Portugal há dez anos, no lançamento da quarta presença consecutiva da Seleção em Campeonatos da Europa, nona no total juntando os anos de 1997, 2001 e 2003 a 2020, 2022, 2024 e 2026.
Portugal até tinha perdido o último duelo com a Roménia, em Constanta, a contar para a qualificação para esta fase final do Europeu. No entanto, o histórico apontava para uma realidade bem mais positiva: nos sete últimos encontros entre ambos desde 2017, entre jogos oficiais e torneios particulares, a Seleção somava cinco vitórias, algumas por margens expressivas. Agora, a “regra” manteve-se e, apesar de cinco minutos de maior ansiedade na entrada, Portugal dominou por completo para conseguir uma vitória natural na estreia com um triunfo bem mais “confortável” do que os números finais possam apontar.
Âncora levantada e os Heróis do Mar seguem rota ????????????
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Francisco Costa assinou uma exibição notável e foi o grande destaque desta tarde ????
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Com uma primeira linha a contar com Salvador Salvador no lugar de Martim Costa ao lado de Rui Silva e Francisco Costa, Portugal sentiu algumas dificuldades em termos ofensivos nos minutos iniciais e a Roménia foi aproveitando para, em ataques rápidos e exploração do pivô, ganhar um avanço que chegou a ser de dois golos nos cinco minutos iniciais (3-1). Seria uma mera questão de tempo. Francisco Costa estava com especial pontaria aos postes da baliza de Ionut Iancu mas o aumento da agressividade defensiva, que provocou vários erros diretos dos romenos (além das duas defesas de Gustavo Capdeville), empurrou Portugal para o parcial de 5-0 com 12 minutos de jogo que obrigou o técnico contrário a pedir a primeira paragem técnica já com o resultado em 7-4 com dois golos de Miguel Neves, que mesmo a defender soube incorporar-se na frente. A formação romena experimentava novas variantes no ataque, com entradas de pontas a segundo pivô, mas Portugal tinha encontrado a sua zona de conforto no encontro… que já permitia até para golos aéreos.
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Era nessa fase que estava o segredo do sucesso, foi nessa fase que Portugal mais apertou para chegar ao sucesso. Com uma defesa sem medo de arriscar para forçar o erro (e foram muitas as ações dos romenos que não tiveram remate à baliza de Capdeville) e com um ataque que começava a abrir o livro confirmando todo o poderio que esta Seleção apresenta a nível de recursos ofensivos, a vantagem foi ficando mais consolidada já com algumas mexidas pelo meio, como as trocas de Victor Iturriza e Leonel Fernandes por Luís Frade e Diogo Branquinho no ataque ou as entradas de Martim Costa e João Gomes para a primeira linha. Os 20 minutos iniciais estavam fechados com a vantagem de 17-10, nem por isso os índices de concentração foram baixando com a Roménia refém de remates de primeira linha com poucas hipóteses de sucesso e, quando George Buricea arriscou o 7×6, Salvador brilhou nos ataques diretos após reposição. O intervalo chegou com oito golos de diferença (23-15), com Francisco Costa e Daniel Stanciuc com cinco golos cada.
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Portugal já tinha conseguido um recorde, superando (de longe) aquela que tinha sido a metade inicial com mais golos em Europeus (18 na última edição com Grécia, Noruega e Eslovénia), e podia agora ir em busca da maior vitória na competição que ainda datava de 2002 no triunfo por 26-15 com Israel. No entanto, entre as várias trocas feitas por Paulo Jorge Pereira, a segunda parte não começou da melhor forma, com a Roménia a conseguir reduzir para cinco golos de diferença (24-19). Capdeville apareceu com um par de intervenções importantes para estancar essa reação, Martim Costa imperou no ataque, os oito golos de avanço foram logo recuperados e houve apenas uma nota negativa no susto do lateral do Sporting, que quando marcou o sexto golo do jogo que lhe permitiu ultrapassar o registo do pai, Ricardo Costa, em grandes competições acabou por ser pisado de forma inadvertida pelo guarda-redes contrário, saindo ainda com um esgar de dor mas ficando depois aparentemente recuperado (a ponto de ter regressado depois à partida).
Prime Gustavo Capdeville? ????????????#ehfeuro2026 #puregreatness #handball @AndebolPortugal pic.twitter.com/3qAWJEjzmT
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???????????????????????? ???????????????????? ????́ ???????? ????????????????́????????????! ???? Martim Costa ultrapassa Ricardo Costa e entra no pódio de melhores marcadores portugueses em Europeus! ????????#PorMaresNuncaDantesNavegados #HeroisDoMar #PureGreatness pic.twitter.com/keeqCA09J5
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MARTIM COSTA – 60 GOALS
RICARDO COSTA – 59 GOALS
KIKO COSTA – 35 GOALS#ehfeuro2026 #homeofhandball #handball pic.twitter.com/5W6dfgQlXf— EHF EURO (@EHFEURO) January 16, 2026
Tudo estava resolvido e era apenas uma questão de tempo até se perceber o tamanho da vitória nacional, que depois da saída de Martim continuou com o irmão Francisco Costa de “mão quente” a marcar golos que irão para a galeria dos melhores deste Europeu, como um sem tempo e sem ângulo numa reposição que deixou o banco português a bater palmas de pé. Ainda assim, também pelo conforto da vantagem que permitiu que todos os elementos de Portugal tivessem minutos incluindo Diogo Valério na baliza, houve momentos em que a Seleção foi “desligando”, o que permitiu aos romenos atenuarem os números finais entre um vermelho a Miguel Neves após revisão no VAR por ter tocado um adversário na cara a defender. No final, Portugal selou a vitória por 40-34, estreando-se da melhor forma antes do Dinamarca-Macedónia do Norte num encontro onde Francisco Costa acabou como o melhor marcador da partida com nove golos e onde acabou a bater mais um registo em encontros do Europeu, neste caso pelos 40 golos marcados num só jogo, batendo o anterior recorde que vinha da edição de 2024 na vitória por 37-32 diante da Noruega.
Os ângulos não existem para o Francisco Costa. O Francisco Costa é que existe para marcar os ângulos ????????@EHFEURO #PorMaresNuncaDantesNavegados #HeroisDoMar #PureGreatness pic.twitter.com/sVcpttNmrK
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