A dez pontos da liderança no Campeonato, eliminado da Taça de Portugal, afastado da Taça da Liga ainda na meia-final e com o apuramento complexo na Liga dos Campeões. A meio de janeiro, o Benfica não tem no horizonte a conquista de qualquer competição até ao final da temporada — e os últimos dias foram particularmente duros na constatação disso mesmo.

Depois da derrota com o Sp. Braga na meia-final da Taça da Liga, que ditou desde logo o afastamento da final da competição, os encarnados também caíram no Dragão contra o FC Porto e despediram-se da Taça de Portugal. Mais do que isso, perderam um dos objetivos da temporada, perderam Richard Ríos para uma lesão grave e perderam o controlo quando Enzo Barrenechea decidiu insultar os dragões nas redes sociais. José Mourinho, porém, queria fazer da frustração uma verdadeira gasolina e já a partir deste sábado, na visita ao Rio Ave.

Ficha de jogo

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Rio Ave-Benfica, 0-2

18.ª jornada da Primeira Liga

Estádio dos Arcos, em Vila do Conde

Árbitro: Cláudio Pereira (AF Aveiro)

Rio Ave: Miszta, Pancho Petrasso, Jakub Brabec, Nelson Abbey, João Tomé, Brandon Aguilera (Georgios Liavas, 80′), Andreas Ntoi (Olinho, 73′), Nikos Athanasiou (Antonis Papakanellos, 73′), André Luiz (Tamás Nikitscher, 73′), Clayton, Dario Spikic (Diogo Bezerra, 80′)

Suplentes não utilizados: Kevin Chamorro, Jonathan Panzo, Karem Zoabi, Omar Richards

Treinador: Sotiris Silaidopoulos

Benfica: Trubin, Amar Dedic, Otamendi, Tomás Araújo, Samuel Dahl, Fredrik Aursnes, Leandro Barreiro, Sudakov (Manu Silva, 90′), Prestianni (João Rego, 78′), Schjelderup (Sidny Lopes Cabral, 62′), Pavlidis

Suplentes não utilizados: Diogo Ferreira, António Silva, Enzo Barrenechea, Ivanovic, Bruma, José Neto

Treinador: José Mourinho

Golos: Leandro Barreiro (16′), Andreas Ntoi (ag, 25′)

Ação disciplinar: cartão amarelo para Schjelderup (59′), a Andreas Ntoi (66′), a Samuel Dahl (90+1′)

“O moral é alto pela confiança que retirámos de um jogo muito bem conseguido, com exceção do mais importante, que é o resultado, obviamente. Com a tristeza que tem de se transformar e que já está a transformar-se, progressivamente e até à hora do início do jogo, em motivação, força, energia. É óbvio que jogámos há dois dias um jogo exigente, no norte. Voltar ao sul, regressar ao norte, jogar contra uma boa equipa… Mas estamos com tudo. Estamos motivados para dar ‘caça’, digamos assim e respeitosamente, às duas equipas que estão à nossa frente”, disse o treinador português, que voltou a não realizar a habitual conferência de imprensa de antevisão e só falou à BTV.

Assim e no Estádio dos Arcos, numa noite muito fria em Vila do Conde, José Mourinho reagia à ausência de Richard Ríos com Fredrik Aursnes e Leandro Barreiro no meio-campo, apostando em Schjelderup e Prestianni nos corredores e recuperando a titularidade de Sudakov nas costas de Pavlidis. No banco, a surpresa era Bruma, que voltava às convocatórias após prolongada lesão. No Rio Ave, que vinha de apenas uma vitória nos últimos quatro jogos, Sotiris Silaidopoulos não contava com o capitão Marios Vrousai e lançava Clayton, André Luiz e Dario Spikic no ataque.

Não foi preciso esperar muito para perceber que o Benfica não pretendia adiar demasiado o primeiro golo. Os encarnados entraram muito melhor do que o Rio Ave, com as linhas subidas e uma pressão ao portador de bola que impedia a equipa de Vila do Conde de sair do próprio meio-campo, com Pavlidis a ficar muito perto de inaugurar o marcador logo nos instantes iniciais num lance em que Nelson Abbey fez de guarda-redes (7′).

O Rio Ave não tinha capacidade para reagir à superioridade contrária e o Benfica ia aproveitando para asfixiar, não necessariamente com oportunidades constantes e muito perigosas mas com uma posse de bola quase permanente e muita proximidade à baliza vilacondense. Nelson Abbey ainda intercetou um remate de Amar Dedic (10′), Tomás Araújo cabeceou ao lado depois de um canto (12′) e Schjelderup acertou no poste (14′), mas o golo acabou por aparecer à passagem do quarto de hora inicial.

Sudakov insistiu a partir da direita e depois de um canto e Leandro Barreiro, sem oposição e ao segundo poste, cabeceou para abrir o marcador (16′). Cláudio Pereira assinalou grande penalidade pouco depois, por mão na bola de Nikos Athanasiou na grande área, mas reverteu a decisão após ser chamado ao VAR. Antes da meia-hora, porém, os encarnados aumentaram a vantagem: Amar Dedic conduziu descaído na direita, tentou colocar no corredor central e Andreas Ntoi, com uma abordagem infeliz, intercetou o passe para trair Miszta e colocar a bola na própria baliza (25′).

A equipa de José Mourinho tirou ligeiramente o pé do acelerador depois do segundo golo, permitindo ainda uma grande oportunidade aos vilacondenses num lance em que Andreas Ntoi rematou a rasar o poste de Trubin (40′), e já nada mudou até ao fim da primeira parte à exceção de remates consecutivos e desenquadrados de Prestianni, que estava claramente à procura do golo. Ao intervalo, no Estádio dos Arcos e depois de 45 minutos de sentido praticamente único, o Benfica estava a vencer o Rio Ave.

Nenhum dos treinadores fez alterações no início da segunda parte e o jogo regressou como tinha ido para o balneário: com Prestianni a rematar de fora de área sem acertar na baliza (46′). Tomás Araújo também ficou perto de aumentar a vantagem, com um pontapé rasteiro que Miszta encaixou (47′), e o Rio Ave não dava qualquer ideia de conseguir ou sequer querer contrariar o total e absoluto domínio do Benfica.

As dinâmicas da partida alteraram-se progressivamente com a aproximação da hora de jogo, até porque os encarnados não mantiveram a intensidade e o ritmo demonstrado até aí e permitiram maior iniciativa dos vilacondenses, que tinham mais bola e estavam menos aflitos mas não contavam com grande engenho para causar estragos. José Mourinho fez a primeira substituição nesta fase, trocando Schjelderup por Sidny Lopes Cabral, e Sudakov teve duas boas oportunidades logo a seguir com remates fortes, mas desenquadrados (63′ e 67′).

Clayton teve um golo anulado por fora de jogo a cerca de 20 minutos do fim e Sotiris Silaidopoulos mexeu logo a seguir, lançando Antonis Papakanellos, Olinho e Tamás Nikitscher de uma vez, enquanto que Mourinho trocou Prestianni por João Rego. Os minutos foram passando sem grandes sobressaltos, com os encarnados a não conseguirem controlar por completo as ocorrências e os vilacondenses sem capacidade para ameaçar o empate, e já nada mudou até ao apito final.

O Benfica venceu o Rio Ave em Vila do Conde e regressou aos triunfos depois de duas derrotas consecutivas, garantindo desde já que continua a três pontos do Sporting e ficando à espera do resultado do FC Porto este domingo contra o V. Guimarães. Numa semana em que José Mourinho lembrou que os encarnados vão precisar de caçar até ao final da temporada, Leandro Barreiro deixou bem claro que continua a ser o lobo em pele de cordeiro que gosta de fazer vítimas.